A vida consiste em três etapas fundamentais: nascimento, vivência (desenvolvimento e reprodução para a preservação da espécie) e morte. O humano é o único dos seres vivos que sempre questionou sua própria existência e, consequentemente, a morte.

Pode-se dizer que a imortalidade é um conceito ambíguo, uma vez que muitas pessoas consideram que se atinge a imortalidade ao ser perpetuado na História, por exemplo como responsável por grandes feitos políticos, sociais, artísticos, entre outros. Já em outro entendimento acerca do mesmo conceito, trata-se de vencer a morte literalmente, ou seja, existir fisicamente pela eternidade e não apenas em memória.

Sabemos que a morte sempre foi um tabu para a humanidade e diferentes culturas concebem este fenômeno da vida de maneiras bem características.

A mumificação era um ritual de passagem para a próxima vidaA questão fascina o homem desde o Egito Antigo. Os egípcios acreditavam que era necessário conservar o corpo do defunto para dar suporte à alma durante sua jornada rumo à vida eterna. Tanto é verdade que o corpo dos faraós era submetido a diversos rituais religiosos — que visavam a conceder sorte e proteção ao faraó — e procedimentos médicos para retardar o processo de decomposição do corpo.

Essas técnicas são, na atualidade, consideradas rudimentares, mas que contribuíram para a evolução da Medicina e da Anatomia, áreas em constante aprimoramento que dentro dos seus principais objetivos está a preservação da vida, pelo maior tempo possível.

Junto às ciências médicas e com a mesma finalidade de postergação da morte, estão as diversas áreas tecnológicas, como, por exemplo, a nanotecnologia e a robótica.

Humanos eletrônicos

O marca-passo é um aparelho eletrônico que possui o objetivo de regular os batimentos cardíacos através de impulsos elétricos. Sabemos que o dispositivo ajuda a salvar inúmeras vidas de pessoas com problemas cardíacos. Imagine se a mesma lógica do marca-passo, ou seja, utilizar estímulos elétricos para auxiliar no funcionamento de determinado órgão, fosse adaptada para outros órgãos?

No campo da robótica, o desenvolvimento de membros mecânicos — as chamadas próteses — para pessoas que tiveram algum membro amputado já não é mais uma novidade, assim como a utilização de robôs-cirurgiões com precisão milimétrica em microcirurgias. Entretanto, se pararmos para analisar, os robôs mais recentes não são criados exclusivamente para auxiliar nas atividades humanas, mas também são programados com a finalidade de imitar a própria vida humana.

Entre os dias 21 e 25 de outubro ocorreu, em Curitiba, a maior feira de tecnologia da América do Sul, a Robotec Fair 2009. A feira de robótica reuniu curiosos e amantes de tecnologia interessados em conhecer os projetos de diversas instituições de ensino e empresas. Sem dúvida alguma a atração eleita como a mais interessante pelos visitantes foi a Actroid, da Kokoro, empresa do grupo Sanrio.

A robô, réplica de uma mulher japonesa, é considerada a representação mais próxima do ser humano até hoje. Além das características físicas, a Actroid é capaz de reproduzir de maneira convincente movimentos e expressões típicas do homem enquanto responde ao público uma das 600 frases já programadas, mesmo que sejam um tanto limitados e não naturais.

O que se pretende com isso? Imortalizar a raça humana? Se sim, seria o robô um exemplar da raça humana? Se levarmos em consideração as pesquisas quanto à possibilidade de transformar toda a informação contida no nosso cérebro (sejam habilidades, lembranças, gostos ou sentimentos) em dados que possam ser lidos por máquinas, estas poderão até ser consideradas como os meios de as pessoas alcançarem a imortalidade. Isso se você acreditar que o ser humano é somente a sua racionalidade, o que pode ser contestado por diversas religiões, que consideram a alma como a verdadeira essência do homem.

Produção de órgãos sintéticos

Não é necessário discorrer sobre como a tecnologia evoluiu a favor da medicina ao longo das décadas e como isso contribuiu para a qualidade de vida das pessoas. Hoje em dia, vacinas e remédios são tratamentos extremamente comuns no combate de doenças, mas que levaram anos para serem descobertos. Agora imagine o quanto tempo demorou para aprimorarem-se as transfusões de sangue e transplantações de órgãos.

A primeira cirurgia de transplante foi registrada em 1954, na cidade de Boston, Estados Unidos, quando o médico Joseph E. Murray fez o implante de rim entre dois gêmeos idênticos. No Brasil, o primeiro transplante foi realizado em 1964, no Rio de Janeiro. Apesar dos dez anos de distância entre essas datas, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de países com maior número de transplantes por ano, ficando atrás da terra do Tio Sam.

O auxílio prestado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) quanto aos custos da operação contribui para o aumento de transplantações. Isso porque o Sistema é responsável pelo financiamento de 86% das cirurgias do gênero, ou seja, doador e receptor não precisam pagar pelos custos médicos. O número deve aumentar com as novas regras do Sistema Nacional de Transplantes, que passará a financiar também os transplantes de pele.

Mesmo com os investimentos na área, são mais de 60 mil pessoas esperando na fila por um transplante. O risco de rejeição é alto porque o sistema imunológico é capaz de distinguir, através de proteínas, sangue e tecidos do organismo dos corpos estranhos que possam vir a causar malefícios. O sistema produz anticorpos para combater o novo órgão caso o identifique como nocivo.

Entretanto, uma tecnologia que pode ser considerada uma grande esperança para os transplantes e, consequentemente, para a obtenção da vida eterna é a produção de órgãos sintéticos dentro de laboratórios. Isso já é uma realidade considerando que é possível atualmente produzir, por exemplo, um pâncreas humano para a produção de insulina.


Learn about Artificial Pancreas

A partir do momento que essa tecnologia evoluir ao ponto de que seja possível reproduzir qualquer órgão do corpo humano dessa mesma maneira, estaria aí configurada uma grande esperança para os que desejam a imortalidade. A vantagem desse procedimento é que os órgãos produzidos são capazes de conter a mesma carga genética do destinatário e superarem problemas de rejeição e outras dificuldades que os receptores enfrentam na fila de espera por um doador.

Mas será que conseguiríamos reproduzir todo e qualquer órgão independentemente? A princípio, a clonagem humana seria uma alternativa válida para esse problema, já que indivíduos "produzidos" por inteiro são completamente viáveis e possuiriam todos os órgãos que o seu "original" viesse a precisar. Mas ao mesmo tempo, seria ético e correto produzir clones humanos somente para esses fins? É justo sacrificar uma vida para salvar outra? Ou o clone não é precisamente uma vida humana independente?

Esse tema inclusive é abordado no filme A Ilha (2005). O que aparenta ser uma sociedade utópica, com habitantes programados para não pensar por si próprios, revela-se uma indústria de clones de milionários do mundo real. E o passeio na paradisíaca ilha era, na verdade, uma viagem de ida para a mesa cirúrgica, onde médicos realizavam o transplante do órgão que o dono do clone estava precisando.

Sorvete humano

Outra tecnologia presente em filmes, desde ficção científica até comédia, e que a realidade está trabalhando para tornar possível é o congelamento humano. O objetivo é preservar o corpo para que algum dia seja revivido, mas não se pode confirmar nada porque as pesquisas sobre o assunto estão em fase de aprimoramento por ainda não ter sido efetiva, já que nenhuma cobaia sobreviveu após o termino do procedimento.

Explica-se o congelamento uma vez que baixas temperaturas desaceleram as moléculas e diminuem consideravelmente a atividade celular. Se um dia a técnica alcançar o estágio final e concretizar o sonho da imortalidade, ao ponto de que um indivíduo possa ter seu corpo preservado durante anos e sobreviva ao descongelamento, pacientes de doenças consideradas incuráveis atualmente, como a AIDS, poderiam “hibernar” por longos anos até que uma cura fosse descoberta.

Se você pensa que o congelamento é uma novidade, está enganado. Na década 70, quase três mil cidadãos estadunidenses pagaram US$ 50 mil (na época) para congelar seus corpos após a morte, com a esperança de que pudessem voltar à vida no futuro. No entanto, por mais que estivessem protegidos dos agentes decompositores, eles não esperavam que outro fator pudesse prejudicar a conservação do corpo: alguns dos sujeitos congelados começaram a se despedaçar como pedras de gelo.

Humanos artificiais e imortalidade são possíveis?

Para finalizar

Vimos que a busca da imortalidade impõe diversas dificuldades e possui inúmeras limitações no estágio de evolução tecnológica em que se encontra o homem nos dias atuais. Porém, ao mesmo tempo, podemos observar o surgimento de novas pesquisas que prometem revolucionar este campo.

Avançando para uma discussão delicada, é pertinente também nos questionarmos se a vida já não é eterna, visto que, segundo o entendimento dominante das mais variadas religiões espalhadas por todo o mundo, a vida física é apenas uma passagem.

Ainda que você, usuário, seja cético e não acredite nestas coisas, a eternidade humana traz questionamentos de cunho social, ético e moral. A questão vai muito além de apenas dizer respeito a uma mera possibilidade de que a vida possa ser eterna, mas também deve ser entendida em todos os aspectos que procuramos questionar ao longo do artigo e qual a real consequência que isso trará para a raça humana.

Agora é a vez de você comentar com a sua opinião sobre o assunto! A vida abre margens para que possa ser prolongada? Será que é possível o homem atingir o segredo da vida eterna? Você acredita que a sociedade do futuro será composta por humanos e robôs e que ambos possam viver harmoniosamente?

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