Caso Alessandra Ambrósio: o que é catfish e como se proteger

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Nas últimas semanas, o caso do jogador italiano Roberto Cazzaniga, que acreditou namorar a modelo Alessandra Ambrósio nos últimos 15 anos, ganhou destaque nas redes sociais. No caso, o atleta foi enganado por uma mulher que usava as fotos da modelo para conseguir aplicar golpes.

Segundo ele, os dois trocam mensagens desde 2006 e até "tiveram relações sexuais" por telefone inúmeras vezes. No total, Cazzaniga enviou cerca de 700 mil euros (cerca de R$ 4,3 milhões) para a estelionatária, uma mulher de 50 anos, que vive em Sardenha, no mar Mediterrâneo.

O que é um catfish?

O caso de Roberto Cazzaniga se enquadra como um golpe catfish, termo usado quando pessoas criam perfis falsos nas redes sociais para enganar outros usuários emocionalmente e, muitas vezes, financeiramente.

O conceito de catfishing ficou mais conhecido em 2010, com o lançamento do documentário Catfish, que conta a história do produtor de TV Nev Schulman. Assim como o jogador italiano, Nev se envolveu com uma mulher que usava fotos de uma modelo na internet.

O golpe é mais comum do que parece. Segundo dados da Psafe, empresa de segurança digital, mais de 20 milhões de brasileiros já foram vítimas de algum tipo golpe "amoroso". A prática se enquadra em alguns crimes do Código Penal brasileiro, incluindo falsidade ideológica, extorsão e estelionato.

Catfish da vida real

A publicitária Amanda Macedo*, de 25 anos, foi uma das vítimas do “golpe do amor”. Conheceu Maurício em 2014 no Facebook. “Ele pediu para me adicionar e começou a curtir todas as fotos e publicações que eu postava. Pouco depois, me chamou pra conversar no inbox”, lembra.

Após algumas semanas de conversa, os dois começaram a namorar virtualmente, mas Maurício sempre se negava a aparecer por vídeo. “Quando eu sugeria para nos encontrarmos, ele sempre dava uma desculpa e, às vezes, mandava até algumas fotos que ‘comprovavam’ a mentira. Além disso, tinha medo de pressionar muito e desgastar a relação”, explicou Amanda.

Com quase dois anos de namoro, o homem passou a pedir dinheiro para, segundo ele, emergências, como internação em hospital, tratamento da mãe e para pagar o aluguel da casa. “Naquela época, eu fazia estágio de meio período e não ganhava muito. Quando explicava isso, ele ficava bravo e passava algumas horas sem conversar comigo. Depois voltava pedindo desculpas”.

Incentivada pelos amigos, foi atrás de mais informações sobre o namorado virtual. Não encontrou perfis de familiares, apenas de amigos que o garoto já havia ‘apresentado’. A confirmação veio quando Amanda buscou a foto do namorado no Google.

“Quando a busca trouxe várias imagens dele com um outro nome, entrei em estado de negação. Não queria aceitar que era tudo uma farsa”, disse a publicitária. Quando contestou Maurício, ele a bloqueou e nunca deu explicações.

CatfishMais de 20 milhões de brasileiros já foram vítimas de algum tipo golpe "amoroso", segundo dados da Psafe, empresa de segurança digital (Imagem: Shutterstock)

O outro lado

Quase todos já viram ou ouviram falar a história de uma pessoa que caiu em um golpe catfish, mas poucos já foram o “terceiro elemento”. Isto é, a pessoa que teve sua foto roubada.

Victor Coelho, de 34 anos, já passou pela situação não só uma, mas várias vezes. Após conceder uma entrevista para o site UOL em 2018, o jornalista passou a encontrar sua foto em diferentes perfis em apps de relacionamento. "Na primeira vez, uma moça do interior da Bahia me chamou para conversar no Instagram e disse que estava conversando com um homem que utilizava minha foto no perfil", explica.

Victor conta que já viu cerca de 100 perfis com a sua foto em diferentes redes sociais, até mesmo em apps de troca de casais. "Já encontrei a minha foto até em sites fakes, com depoimentos falsos vinculados à minha imagem, de um certo produto que nunca nem usei", diz.

Segundo ele, a situação atrapalha até sua vida pessoal. "Me dá medo porque eu não sei do que a pessoa é capaz e, principalmente, porque é algo que eu não tenho controle", conta.

Como se proteger

Segundo o especialista em segurança da informação da ESET, Daniel Barbosa, existem alguns sinais que identificam um possível perfil falso. Para ele, é um bom sinal se a pessoa possui perfis em várias redes sociais, faz publicações marcando amigos ou é marcado por outras pessoas.

Notar a localização e o cotidiano da pessoa também pode ser uma boa saída. "Se a pessoa diz que mora em São Paulo, mas as publicações são sempre de outras localidades, ou se nunca existem indicações de onde ela está, pode ser considerado um ponto de atenção", explica.

Além disso, é comum que, com o contato cada vez mais próximo, a pessoa compartilhe mais detalhes sobre a sua rotina. "É inevitável que se conheça alguns pedaços do cotidiano dessa pessoa, afinal todo mundo tem coisas que precisa fazer todo dia. A ausência de informações simples como coisas cotidianas pode levantar suspeitas", diz o especialista.

Ele ressalta também a importância de lembrar que o golpe pode acontecer com qualquer pessoa. "Tendo isso em mente, é preciso manter sempre um pé atrás, até que a pessoa forneça informações suficientes para você sentir que ela é realmente quem diz ser", finaliza Barbosa.

*O nome foi alterado para preservar a identidade da fonte.