Brasil conectado depende de soluções básicas de segurança pública

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O avanço da conectividade está sendo capaz de transformar a forma como todos vivem, trabalham e se divertem hoje. É difícil pensar como seria a vida sem as facilidades oriundas dos serviços de mobilidade, geolocalização, acompanhamento de atividades remotas e muitos outros. O mundo evoluiu de tal forma nos últimos anos que é possível enxergar alto grau de dependência da digitalização em várias facetas e aplicações sociais.

Seria possível conceber que hospitais não pudessem fazer uso de internet para atividades básicas como emergências, consultas, pesquisas, diagnósticos e até mesmo cirurgias complexas? Ou que bombeiros não recebessem chamados imediatamente após a identificação de um foco de incêndio? Seria imaginável que a polícia não soubesse a melhor rota em uma perseguição criminosa, além de toda a complexidade que evolve inteligência e seus arquivos?

Prejuízo à população

Pois é exatamente isso que está acontecendo no Brasil com frequência. O motivo é o aumento ano a ano de casos de roubo e furto de cabos de telecomunicações. No ano passado, foram subtraídos 1,167 milhão de metros de cabos de telefonia somente no Estado de São Paulo. O que já era trágico está piorando em ritmo muito preocupante. Em 2021, 2,3 milhões de metros de cabos foram furtados no País apenas no primeiro semestre. O número é quase 15% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Em 2020, os furtos afetaram aproximadamente 6,7 milhões de pessoas

O número é quase o dobro da população do Uruguai e 34% maior do que o registrado em 2019, quando cerca de 5 milhões de usuários tiveram os serviços interrompidos. Trata-se de pessoas que precisam de conectividade para trabalhar, estudar e manter relações sociais.

Os danos para a população e a economia são evidentes e se estendem às operadoras de telecom, que sofrem penalidades igualmente duras. Além de todo o prejuízo decorrente da substituição do material, é preciso arcar com os consequentes questionamentos dos consumidores. Sofrem com a diminuição de suas bases de clientes e com o incalculável dano de imagem. Vítimas do processo, ainda precisam absorver as multas empregadas pelos órgãos reguladores, que aplicam sanções por falta de cumprimento de serviço, independentemente da causa.

Investimentos não faltam. O setor de telecom injeta mais de R$ 30 bilhões anualmente para ampliar a cobertura, melhorar o atendimento e dar conta das demandas e das necessidades já consideradas fundamentais por todos os ramos produtivos e famílias. É um dos segmentos de infraestrutura que mais investem no país e contribui com mais de R$ 60 bilhões em impostos a cada 12 meses. Os tributos são inequivocamente os mais altos do mundo e não acompanham um projeto de inclusão na economia global. Pelo contrário, configuram um atraso quase inexplicável.

É preciso, em caráter urgente, que as autoridades competentes se mobilizem para solucionar um problema que afeta milhões de brasileiros. Existem projetos de lei que tramitam há muitos anos no Congresso e pretendem endereçar as mazelas, mas não avançam na mesma velocidade que a audácia dos atos criminosos. O prejuízo não poderia ser mais evidente.

O leilão de frequências do 5G está previsto para acontecer em 4 de novembro. Mercados estão aprendendo como atuar e prosperar em um ritmo ágil, seguro e efetivo. O mundo hoje não permite mais atrasos, e as consequências são percebidas, graças à conectividade, de forma imediata. O Brasil precisa resolver seus problemas basilares se pretende fazer parte do jogo.

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Marcos Ferrari
, colunista mensal no TecMundo, é presidente-executivo da Conexis Brasil Digital, nova marca do SindiTelebrasil. É doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi diretor de Infraestrutura e Governo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Também foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento de 2016 a 2018 e secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Além disso, exerceu papel de presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo.

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