Streamer vítima de stalking relata descaso com o crime

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Imagem: Twitter Haru Jiggly/Reprodução
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A streamer e produtora de conteúdo Haru Jiggly usou sua conta no Twitter para contar sobre um caso de stalking (perseguição) que sofreu. Na última sexta-feira (07), o seu relato detalhando um pouco sobre a história, que foi parar na Justiça, viralizou e foi curtido quase 50 mil vezes na rede social.

Haru afirmou que a situação ocorreu há cerca de cinco anos. “Um cara que dizia que era ‘hacker’, pegou meus dados e ficava me mandando mensagem”, revelou. De acordo com ela, o homem a incomodava através de vários números e contas diferentes em plataformas como o WhatsApp, Facebook, Instagram, SMS e Telegram.

Além de contatar a própria produtora de conteúdo, ele chegava a mandar mensagens e ligar para os parentes e familiares da jovem, fingindo que era amigo dela.

Ela relatou que o cibercriminoso começou a interação de maneira educada e dizendo que estava se aproximando dela porque queria jogar junto. A streamer disse que entrou “em pânico” com essa situação.

“Eu tava (sic) no último ano da faculdade e queria abandonar tudo. Graças a Deus tenho família e eles me ouviram. Eu ia e voltava pra faculdade e pro trabalho ESCOLTADA pelo meu pai, porque o cara tirava foto da minha casa, tirava foto da minha faculdade, da fachada do meu trabalho”, lembrou.

A jovem falou sobre a situação fazendo uma referência à outra história que havia viralizado no Twitter anteriormente. Uma outra streamer mulher tornou público o caso do porteiro do seu prédio que passou a lhe enviar mensagens no WhatsApp dizendo que queria a conhecer melhor.

Processo e sequelas

Haru disse que arquivou e juntou todas as mensagens, incluindo as ofensas e ameaças que o stalker passou a enviar, e levou até à Polícia Civil. Apesar disso, ela afirmou que não conseguiu atendimento na Delegacia da Mulher e nem na Delegacia de Crimes Digitais.

A situação fez com que ela levasse o material para uma delegacia próxima de sua casa, onde “finalmente lá achei um escrivão que topou me ajudar”. O caso evoluiu de um inquérito policial para um processo na Justiça que, de acordo com ela, durou quatro aanos. Ao final, o cibercriminoso foi condenado a pagar uma cesta básica, revelou a jovem.

Entre as sequelas, Haru revelou que passou muito tempo com medo de sair de casa e que até hoje toma medidas drásticas de segurança. “Eu me mudei e sumi do mapa. Não posso ter nada no meu nome, e se tenho, uso um outro endereço. Minha linha de telefone não é minha. Não recebo encomendas na minha casa, busco em outro lugar. Minha porta tem três trancas. Normal, biometria e fechadura eletrônica”, afirmou.

Crime de stalking

Desde o final de março de 2021, a prática de stalking é considerada um crime previsto no Código Penal Brasileiro. A medida, que passou pelo Congresso, foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”, define o artigo 147-A sobre o crime de perseguição.

O Código Penal prevê pena de reclusão de 6 meses a 2 anos e multa caso a pessoa seja condenada. A pena é aumentada caso o crime seja cometido com emprego de uso de arma, com ajuda de 2 ou mais pessoas, contra crianças, adolescentes, idosos e mulheres (caso seja por razão da condição de sexo feminino).

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