Chris Zacharias, ex-engenheiro do YouTube, contou uma história interessante em uma postagem no seu blog pessoal na última quarta-feira (01). De acordo com ele, em 2009, houve basicamente um “complô” dos desenvolvedores sênior do já maior site de vídeo da internet para “matar” o Internet Explorer 6, navegador que vinha instalado por padrão noWindows XP.

Vale destacar que tudo isso ocorria em um período no qual grandes corporações e mesmo usuários domésticos se encontravam em uma espécie de paralise da informática. Ninguém queria sair do Windows XP (o Windows 7 ainda demoraria uns meses para chegar) ou do IE6 porque a migração significava investir na reforma de sistemas internos arcaicos e remodelar boa parte do suporte que essas companhias ofereciam a clientes e funcionários. Em outras palavras, uma grande parcela da população digitalmente ativa estava amarrada ao passado com o objetivo de economizar uma graninha.

Eram várias semanas extras de trabalho a cada nova atualização em seus sites só para se adequar ao IE6

Enquanto isso, desenvolvedores web tinham que se desdobrar para fazer seus sites funcionarem em um browser com oito anos de idade, uma vez que a quantidade de usuários dessa ferramenta ainda era significativa. Eram várias semanas extras de trabalho a cada nova atualização em seus sites só para se adequar ao IE6.

OldTubers

Dito isso, Zacharias revela que, nessa mesma época, o YouTube ainda não estava totalmente integrado à Google — que havia comprado o site três anos antes —, e alguns desenvolvedores sênior tinham permissões de “OldTuber”, que lhes possibilitava subir modificações no site como quisessem e quando quisessem, sem previa autorização dos canais padronizados da Google.

E foi com essas permissões que Zacharias e seus colegas ajudaram a matar o IE6. Cansados dos problemas gerados pelo browser e suas tecnologias proprietárias, eles resolveram colocar um banner no YouTube dizendo que o site deixaria de dar suporte ao IE6 da Microsoft em breve, e que os usuários deveriam migrar para o IE8, Firefox3.5 ou Chrome.

youtubeOrdem das recomendações de novos navegadores era aleatória, para não priorizar nenhum concorrente (fonte: Chris Zacharias)

A imprensa de tecnologia notou a mudança quase que imediatamente e começou a repercutir o assunto. Mas como quase toda a falação acerca do fim do suporte ao IE era positiva, os “OldTubers” conseguiram convencer o time de relações púbicas da Google de que aquela era uma boa ideia.

Curiosamente, o próprio Google Drive (Google Docs na época) havia colocado um banner em suas páginas iniciais fazendo o mesmo comunicado dias antes, anunciando o fim do suporte ao IE6. Com isso, a gerência da Google simplesmente achou que o YouTube estava seguindo as iniciativas da empresa e, dessa forma, nenhum dos responsáveis foi punido o demitido.

Em apenas um mês, o tráfego gerado pelo IE6 para o YouTube caiu pela metade

Em apenas um mês, o tráfego gerado pelo IE6 para o YouTube caiu pela metade, dando à Google pela primeira vez o gostinho do poder que a empresa realmente tinha sobre a web. Com isso, outros serviço da Google — como o finado e abençoado Orkut — começaram a anunciar o fim do suporte ao IE6, e até a Microsoft entrou na onda pouco tempo depois, esperando converter os usuários do antigo navegador para o novo IE8.

No fim das contas, quem mais lucrou com essa história toda foi o Chrome, produto recente da Google que ainda não havia superado o IE na quantidade de usuários globalmente. Contudo, naquele primeiro mês, o declínio do IE6 até que gerou um crescimento igualitário para os três grandes da época.

Anos depois, a Google seria acusada pela Microsoft e por várias outras empresas de práticas de concorrência desleal, usando mudanças no YouTube para “sabotar” navegadores concorrentes do Chrome intencionalmente. A Google negou todas as acusações ao longo dos anos.

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