O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que 1.279 seções eleitorais isoladas no território brasileiro farão a transmissão dos votos das Eleições 2018 via satélite. As seções serão montadas em locais de difícil acesso no interior dos estados e devem garantir a contabilização total dos votos já no mesmo dia da votação.

As localidades escolhidas para fazer a transmissão via satélite são aldeias indígenas, seringais, comunidades ribeirinhas, quilombos, assentamentos rurais e vilarejos isolados no interior do país. Essas localidades muitas vezes não possuem acesso fácil por estradas ou mesmo rios e podem não contar com energia elétrica ou conexão com a internet.

Depois que a transmissão via satélite foi implementada, foi possível atingir os 100% da contabilização no mesmo dia da votação

Sem esse sistema, os tribunais regionais eleitorais (TREs) e o TSE demoravam até 48 horas para finalizar em 100% a contagem dos votos, considerando que a viagem até algumas comunidades pode demorar 12 horas ou mais. Contabilizando ainda imprevistos, o processo se tornava lento. Depois que a transmissão via satélite foi implementada, foi possível atingir os 100% da contabilização no mesmo dia da votação.

Em 2014, foram 1.464 seções conectadas via satélite, um número parecido com o de 2010, quando tivemos 1.423 locais. Em 2018, os estados do Amazonas e do Pará foram os que mais solicitaram o serviço, com mais de 300 seções remotas cada.

Além desses dois, outros 13 estados também farão a contabilização via satélite, mas em escala muito menor. Nenhum deles passa de 100 localidades, por exemplo. Ainda assim, é interessante ressaltar que mesmo estados altamente urbanizados e com boa infraestrutura, como Paraná, Bahia e Minas Gerais, devem aderir à transmissão via satélite em pequena escala.

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Segurança

De acordo com o TSE, a transmissão de votos via satélite não deve comprometer a segurança do sistema eleitoral brasileiro. Isso porque a conexão entre as seções e o tribunal eleitoral de cada estado será protegida por uma VPN, uma rede virtual privada. Depois da transmissão, os dados serão conferidos de acordo com os boletins de urnas impressos após a votação.

Fora isso, o total de seções remotas é apenas uma pequena fração de todas as existentes no Brasil, e elas também costumam contabilizar uma pequena parcela dos votos de suas regiões, bem como do país.

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O TSE não revela mais detalhes técnicos a fim de manter a transmissão “fora do radar”. Mesmo com isso, os votos dos eleitores isolados estão mais seguros na rede do que viajando por terra, água ou ar.

Isso porque em várias localidades, as equipes dos tribunais locais precisam viajar por rios repletos de corredeiras e, em alguns momentos, desembarcar e empurrar suas embarcações em áreas com estiagem. Isso é o que funcionários do TRE do Amazonas precisam enfrentar para que 185 índios possam votar em uma pequena aldeia. Em casos como esses, as equipes viajam com antecedência para evitar imprevistos.