Não é de hoje que o WhatsApp se tornou um campo fértil para a proliferação de notícias falsas, mas, às vezes, a situação gerada por um simples compartilhamento irresponsável de informação resulta em tragédia. E isso tem sido cada vez mais comum na Índia, país onde pelo menos 30 assassinatos ao longo do último ano estiveram ligados a boatos viralizados no app de mensagens.

Algumas regiões da Índia passam por uma espécie de pânico coletivo relacionado ao sequestro de crianças. Informações falsas e manipuladas compartilhadas pelo WhatsApp colaboram para o cenário, inclusive com um vídeo paquistanês de uma campanha de prevenção ao sequestro infantil sendo editado e compartilhado como se fosse o registro de um “sequestro ao vivo” em alguma rua da Índia.

Apenas nos últimos dias, oito mortes foram ligadas a notícias falsas sobre sequestros de crianças espalhadas pelo WhatsApp, aumentando ainda mais as preocupações por parte do governo indiano. No último domingo (1º), cinco pessoas de uma comunidade nômade foram linchadas por mais de 35 pessoas, incluindo crianças, após serem acusadas de tentarem raptar uma garota.

Na semana passada, o estado de Tripura, no nordeste da Índia, chegou a ter as conexões de internet suspensas por 48 horas após três pessoas serem assassinadas. Uma delas, inclusive, havia sido contratada pelo governo para andar de vilarejo em vilarejo com um carro de som para alertar a população sobre a proliferação de notícias falsas pela internet. Apesar disso, ela também foi vítima de rumores espalhados pelo WhatsApp, informaram as autoridades locais.

Antídoto às fake news?

Diante de uma situação de calamidade que pode se agravar ainda mais, o governo da Índia passou a cobrar para que o WhatsApp aja de forma consistente a fim de coibir esse tipo de comportamento.

“A profunda desaprovação de tais situações foi transmitida à alta administração do WhatsApp e eles foram alertados de que as medidas corretivas necessárias deveriam ser tomadas”, informou em nota o ministro de tecnologia da informação Shri Ravi Shankar Prasad. “O governo também expressou, em termos inequívocos, que o WhatsApp deve tomar medidas imediatas para acabar com essa ameaça e garantir que a sua plataforma não seja usada para tais atividades”, concluiu.

O WhatsApp vem implementando algumas medidas capazes de colaborar no combate às notícias falsas, como a identificação de uma mensagem foi encaminhada de outro usuário e também parcerias realizadas com agências de verificação de fatos durante o processo eleitoral do México. O mensageiro garante estar desenvolvendo ações para amenizar esse problema.

“O WhatsApp está trabalhando com diversas organizações para definir os nossos esforços educacionais a fim de que as pessoas saibam como identificar notícias falsas e boatos circulando online”, revelou um porta-voz da empresa ao Washington Post.

Caso semelhante no Brasil

A Índia alcançou uma situação extrema de algo que já vivemos aqui no Brasil. Em 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, foi linchada e morta por dezenas de pessoas na cidade de Guarujá, litoral de São Paulo. O caso aconteceu após Fabiane ser confundida com o retrato-falado de uma suposta sequestradora de crianças.

Depois do episódio, a Câmara dos Deputados começou a discutir o Projeto de Lei 7544/14, de autoria de Ricardo Izar (PSD/SP), que institui no Brasil a criminalização da incitação virtual ao crime. O PL recebeu parecer positivo na Comissão de Constitução e Justiça e de Cidadania e aguarda a sua votação no plenário da Casa.

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