Nem só de Facebook e Cambrige Analytica vivem os escândalos de violação de privacidade na internet. A bola da vez, agora, é o YouTube, acusado por grupos de pais e em defesa da privacidade de violar coletar dados de crianças que acessam à plataforma, violando assim a Child Onlie Privacy Protection Act (COPPA), lei que garante proteção à privacidade dos pequenos nos Estados Unidos.

Ao todo, 20 grupos se uniram para mover uma ação contra a Google, exigindo das autoridades que a gigante da web seja investigada. Segundo a legislação, as empresas precisam notificar e obter consentimento dos pais sempre que forem coletar dados de crianças menores de 13 anos de idade, o que não teria acontecido neste caso.

Apesar de o próprio YouTube não permitir cadastro de menores de 13 anos de idade, as crianças podem mentir na hora de criar um perfil ou simplesmente assistir aos vídeos sem login. Para se ter uma ideia da amplitude do problema, 45% das crianças dos EUA entre 8 e 12 anos teriam uma conta na plataforma de vídeos.

A Google tenta se proteger e não oferece a opção de direcionar as suas ferramentas de publicidade para menores de 18 anos, porém, isso não evita que as empresas encontrem outros meios. Segundo a denúncia feita pelos grupos a favor da privacidade, anunciantes podem fazer isso mapeando palavras específicas para direcionar anúncios. Além disso, há ainda o YouTube Kids, app com suporte apenas para conteúdos direcionados às crianças.

Investigação

A denúncia feita pelos reclamantes foi direcionada à FTC, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos. O órgão já aplicou sanções com base na COPPA diversas vezes desde que a lei foi escrita (em 1998) e ampliada (em 2012) e, desta vez, promete avaliar a acusação. Caso a Google seja considerada culpada, ela pode ser obrigada a pagar uma multa bilionária: US$ 41.484 por criança que teve seus dados coletados ilegalmente.

Outra sanção possível é a obrigatoriedade de o YouTube incluir uma tela de confirmação de idade em todos os seus vídeos. Convenhamos, porém, que essa medida é tão restritiva quanto limitar cadastro para pessoas que digam ter mais de 13 anos — ou seja, nada.

A Google se defende afirmando que trabalha no desenvolvimento de ferramentas para proteger as crianças, apesar de reconhecer que a sua plataforma de vídeos não deveria ser utilizada pelo público infantil.

“Proteger crianças e famílias sempre esteve no topo de nossas prioridades”, informou um porta-voz da empresa à CNN. “Nós analisaremos a reclamação e avaliaremos se há algo que possamos fazer para melhorar. Como o YouTube não é para crianças, nós investimos significativamente na criação do app YouTube Kids para oferecer uma alternativa desenvolvida especificamente para elas.”

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