As operadoras de celular brasileiras sempre utilizam a “tendência do mercado global” como desculpa para encontrar uma nova forma de limitar o consumo de dados de seus clientes e, por isso, o lançamento de novos planos “ilimitados” da maior tele norte-americana, a Verizon, são importantes para nós.

Por lá, a empresa vende planos de dados móveis sem franquia limitada, mas, agora, os novos clientes terão limite de tráfego em algumas situações. A mais perceptível será no streaming de vídeo que, em smartphones, terá um limite máximo de 480p (qualidade de DVD). Para linhas registradas como de uso para tablets, será possível atingir a qualidade HD, de 720p.

Fora isso, sempre que a rede da operadora estiver congestionada, esses clientes poderão sofrer reduções de velocidade muito mais críticas. No plano ilimitado anterior, as quedas de velocidade só eram admitidas depois que o cliente usava algo entre 10 e 22 GB de dados e  só tinham efeito em períodos congestionados.

Ninguém consegue perceber a diferença na qualidade de vídeo em resoluções superiores a essas?

Essas mudanças começam a valer a partir de amanhã (22) nos três novos planos sem franquia de dados da empresa, mas quem já tinha qualquer outro plano mobile da Verizon vai sofrer consequências similares. Mesmo planos com franquias limitadas, como os que temos aqui no Brasil, terão o streaming de vídeo capado a 720p para celulares e 1080p para tablets. A desculpa da operadora é que “ninguém consegue perceber a diferença na qualidade de vídeo em resoluções superiores a essas”. Claro que nenhuma pesquisa ou estudo foi feito de fato para justificar essa afirmação.

A empresa vai também limitar a velocidade da internet quando o smartphone do usuário estiver funcionando como roteador e emprestando conexão para outros aparelhos. Nesse caso, a velocidade cai para inacreditáveis 600 Kbps! Ou seja, será praticamente impossível navegar na web pelo computador usando o celular como hotspot. Imagina se as nossas operadoras brasileiras inventam algo do tipo.

E a neutralidade da rede?

Nos EUA, entretanto, as grandes concorrentes da Verizon já estão seguindo pelo mesmo caminho e limitando a velocidade para streaming de vídeo. Só que, pela filosofia da neutralidade da rede, empresas provedoras de acesso à internet não poderiam discriminar nenhum tipo de conteúdo ou tráfego que passa por suas redes.

Governo Trump é declaradamente contra a neutralidade da rede

Só que, como a regulamentação norte-americana para o segmento de telecomunicações está ficando cada vez mais negligenciada pela administração Trump, que é declaradamente contra a neutralidade da rede, os órgãos que impediriam as operadoras de fazerem essas mudanças simplesmente estão ficando calados.

Vendo isso se desenrolar, eu fico preocupado com o que pode acontecer aqui no Brasil. Se essa moda realmente pegar e se espalhar pelo mundo enquanto o Estado Brasileiro continua tão fragilizado — como tem estado desde o impeachment de Dilma Rousseff —, talvez nossas operadoras queiram seguir a mesma linha ou impor algo ainda mais rígido. Mas isso é apenas uma especulação pessoal e que pode muito bem nunca se concretizar. Felizmente, o internauta do Brasil faz bastante barulho e já conseguiu lutar contra as franquias de dados na internet fixa.

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