Por mais que você não saiba, as cidades estão ficando mais inteligentes nas últimas décadas e isso é bem perceptível quando analisamos os casos com mais calma. O trânsito, por exemplo, teve que ser atualizado para contar com semáforos sincronizados e desafogar as grandes avenidas — e bastam alguns segundos de erro para que vejamos o caos ser instaurado.

Outro exemplo bem interessante está nos sensores de luminosidade que fazem com que os postes de iluminação pública sejam ativados somente à noite. É claro que esses exemplos são bem simples e ainda contam com sistemas mais antigos de tecnologia, por isso algumas empresas vêm investindo bastante em formas de fazer com que as cidades fiquem mais inteligentes — e de automatizar esse processo.

Um exemplo bem interessante é o da empresa Itron, que está aplicando seu novo sistema OpenWay Riva em diversos países ao redor do mundo. Nós conversamos com Emerson Souza (Vice-presidente de vendas, marketing e serviços profissionais da Itron para a América Latina) e ele nos deu algumas informações bem legais sobre os próximos passos da empresa no Brasil e também sobre o futuro das smart cities.

Transporte e gerenciamento de tráfego

Um dos principais desafios da atualidade está em fazer com que o trânsito não seja um fator complicador para a vida das pessoas — ainda mais em cidades que cresceram muito em número populacional nas últimas décadas. Isso, no entanto, pode ser resolvido com um gerenciamento inteligente de formas bem legais.

Velocidade adaptativa, sincronização de semáforos e alocação de rotas podem ser soluções para o tráfego

De acordo com Emerson Souza, o melhor gerenciamento de tráfego pode ser feito com a interpretação de demanda com contadores de carros, por exemplo. Dessa forma, o processo de abertura ou fechamento e ressincronização de semáforos pode garantir muito menos tempo em cruzamentos. Mais do que isso, a redução ou o aumento da velocidade máxima permitida de acordo com o movimento também pode ser uma ótima saída.

Para o transporte público, sistemas de gerenciamento com base na análise de demanda podem trazer redução no tempo de espera pelos ônibus, além de permitir redirecionamentos de rotas e economia na ativação de frotas.

Iluminação pública

Hoje, a iluminação pública é ativada pela chegada da noite — ou pela ausência da luz solar, para que sejamos mais exatos. Porém, em grande parte das cidades essa é a única “célula inteligente do sistema”. Entretanto, a Itron afirma que a tecnologia já pode fazer muito mais do que isso.

Um exemplo de perda local de energia

Segundo Souza, é possível interpretar perdas de energia e fazer uma rápida averiguação do ambiente para definir se existe um problema naquele poste ou em todos da região — facilitando a identificação de quedas de energia em bairros inteiros. Caso seja uma perda local, o sistema e seus sensores são capazes de tomar decisões para reportar às agências responsáveis já com a urgência necessária para a resolução.

Vale dizer que essa capacidade decisória é destacada pela Itron como uma das grandes vantagens do OpenWay Riva em relação a seus competidores. Isso deve ainda se somar às análises de Big Data para fazer com que a construção das grades de comunicação fiquem ainda mais completas e semânticas.

Redução de perdas

O serviço público brasileiro sofre muito com perdas na distribuição. Parte da água que sai das redes de saneamento não chega até as casas dos consumidores, por exemplo, e analisar onde estão os vazamentos é muito difícil. Seria mais fácil se houvesse uma forma de fazer análises a cada determinada distância, sabendo quanto de água está passando em cada trecho.

Reduzir perdas é reduzir custos

Assim, ficaria muito mais fácil encontrar os pontos de vazamento para a manutenção. Com a distribuição de luz isso também garantiria economia e redução nos custos — o que poderia se refletir em redução também nos preços cobrados pelas companhias de distribuição.

A tecnologia OpenWay Riva

Emerson Souza afirma que a tecnologia OpenWay Riva, da Itron, pode agir em todos esses trechos já explicados — além de prometer uma série de vantagens para ambientes mais limitados, como indústrias e estabelecimentos comerciais — incluindo estacionamentos em mercados e shoppings. Ele também nos contou que toda a estrutura de sensores é baseada em protocolos IPv6 distribuídos por roteadores e comunicadores da Cisco.

Como a própria empresa diz em seus materiais de divulgação: “Ao ser combinada com a rede OpenWay, com a arquitetura de múltiplas aplicações IPv6 da Cisco, a tecnologia Itron Riva leva as comunicações de rede e a inteligência de ponta para um nível inteiramente novo”.

De acordo com o executivo, o principal foco da Itron aqui no Brasil está no setor público e nas empresas parceiras desse setor. Isso acontece porque a tecnologia é muito mais voltada à distribuição de soluções para grandes quantidades de pessoas — logo, grandes cidades são o alvo mais provável.

Quanto aos custos desse sistema, Souza deixa claro que o retorno econômico pode ser muito rápido, principalmente pelo fato de que muito se perde em todos os processos mencionados anteriormente. Será que veremos a plataforma integradora da Itron em funcionamento em grandes cidades em breve?

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