Basta falar com qualquer pesquisador da área para saber que uma das maiores dificuldades no que diz respeito ao aprendizado de máquina e desenvolvimento de inteligências artificiais é o fato desses sistemas não serem capazes de entender piadas. Agora, no entanto, uma parceria entre a revista New Yorker e a Microsoft busca resolver justamente esse problema e ensinar computadores a ter senso de humor.

A história começou no ano de 2005, quando a publicação começou a publicar um quadrinho humoroso em preto e branco e sem textos em uma de suas páginas, encorajando os leitores a criarem uma legenda para a imagem e publicando a sugestão mais engraçada posteriormente. Desde então, o concurso semanal se tornou extremamente popular e a revista passou a receber mais de 5 mil participações por edição.

Escolher um vencedor entre essa enxurrada de pretensos humoristas é uma tarefa extremamente exaustiva e acabou criando um problema para o editor Bob Mankoff. Segundo ele, o processo acaba “destruindo a mente” de seus assistentes dentro de um espaço de dois anos, tornando-os incapazes de reconhecer humor.

Entendi essa referência

Tentando encontrar uma forma de resolver esse problema, Mankoff passou a colaborar com pesquisadores de inteligência artificial da Microsoft, que trabalham em um projeto que busca ensinar um computador a diferenciar o que é engraçado e o que não é. Para isso, a estudiosa Dafna Shahaf começou a inserir as imagens e legendas vencedoras dos quadrinhos da New Yorker e explicar seus contextos e anomalias para as máquinas.

A ideia é que, com base nesse arquivo, os computadores gradualmente passem a compreender a mecânica por trás de figuras de linguagem, sarcasmo, trocadilhos e outras ferramentas humorísticas que confundem as inteligências artificiais há décadas. Na prática, esse tipo de conhecimento poderia ajudar em ferramentas como o Skype Translator, permitindo que o sistema entenda o que as pessoas querem dizer antes de traduzir suas falas para outros idiomas.

Até agora, o sistema conseguiu eliminar ao menos 2.200 das piores piadas enviadas por semana, o que já cortaria o trabalho dos assistentes quase pela metade. Por mais que esteja animado com os resultados, Mankoff acha que ainda é preciso melhorar antes que a novidade possa ser implantada na revista. “Há mais coisas entre o humor e os seres humanos do que supõem até mesmo os algoritmos da Microsoft”, brinca o editor, parodiando Hamlet.

Cortana, a comediante

Mesmo que os resultados ainda estejam longe do ideal, os pesquisadores da gigante dos softwares afirmam ter grandes esperanças. Segundo eles, a ideia é que algum dia seja possível treinar os computadores para criar suas próprias piadas de acordo com cada situação, o que tornaria a interação com assistentes digitais como a Cortana algo muito mais agradável. Seja como for, ao menos as máquinas-humoristas não estarão tentando acabar com a raça humana.

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