O que não pode faltar em um roteiro de ficção científica? Roupas malucas, tecnologias esquisitas, momentos de contemplação do espaço, conflito entre seres humanos, armas... A lista é imensa, e quem é fã da área sabe disso. Mas o que acontece quando uma inteligência artificial (IA) — não um cinéfilo fanático ou um roteirista profissional — tenta escrever uma história do gênero?

Dois colegas de Nova York resolveram testar isso. Eles construíram uma IA que opera via rede neural e possui aprendizado próprio, capaz de formar textos por um algoritmo. Após submetê-la a uma maratona de roteiros do gênero, eles pediram à criação que fizesse a própria história. O resultado, batizado pelo robô de "Sunspring", é completamente bizarro e nonsense, mas mostra o quão avançadas já estão as nossas máquinas.

O projeto se autodenominou Benjamin e é uma criação do diretor Oscar Sharp e o pesquisador Ross Goodwin, da New York University. Após receber o roteiro do robô, a dupla contratou atores como Thomas Middletitch (de Silicon Valley), e resolveu filmar — ou tentar filmar — o resultado.

Vale um Oscar?

"Sunspring" começa com dois personagens vestindo uma curiosa roupa dourada em um local que parece uma estação espacial. Em seguida, um terceiro elemento aparece e parece ter alguma relação mais próxima (ou seria um triângulo amoroso, como o diretor retratou?) com a mulher, deixando o outro rapaz desconfortável. Há citações sobre eles terem deixado crianças na Terra e terem um bebê a bordo — ou algo assim, pois é realmente difícil de entender. As duas outras cenas não fazem o menor sentido e mostram o protagonista pegando uma arma após contemplar o espaço (talvez pensando em suicídio?) e encontrando um corpo e caindo aos prantos. O último corte é um monólogo completamente bizarro da personagem feminina.

Benjamin não é um "Ctrl+C e Ctrl+V", mas também não escolheu as palavras aleatoriamente

A IA de Benjamin é especializada em reconhecimento de texto, o que significa que a especialidade dele é ler palavras e frases, identificando um padrão e aprendendo aos poucos gramática, sintaxe e por aí vai. Ao receber roteiros de filmes e séries de ficção, como "Arquivo X", "Star Trek", "Alien: O Oitavo Passageiro" e por aí vai, o robô detectou alguns padrões no cinema do gênero e tentou imitá-los.

Vale lembrar que Benjamin não é um "Ctrl+C e Ctrl+V", mas também não escolheu as palavras aleatoriamente. O resultado é que temos vários personagens questionando algo ou afirmando "Eu não sei do que você está falando", algo constantemente dito em diálogos de filmes do tipo. Você pode ler o roteiro completo aqui (em inglês).

Um trecho do roteiro: faz sentido, mas, ao mesmo tempo, não faz

Benjamin ainda passou por uma situação curiosa por ser uma máquina. "Sunspring" foi inscrito no festival Sci-Fi London e surpreendentemente chegou ao top 10. Na hora da enquete do público pela internet, a dupla por trás da IA percebeu que outros competidores estavam trapaceando usando bots para votar rapidamente — e programaram Benjamin para mostrar o que é uma IA de verdade. Após contabilizar 36 mil votos na última hora, Sharp e Goodwin chamaram a organização e contaram o que estavam fazendo. Na avaliação, um dos jurados ainda deu uma avaliação curiosa. "Eu vou dar a eles a nota máxima, mas só se prometerem nunca mais fazerem isso de novo".

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