A definição de arte é bastante ampla, assim como a variação dos valores que as pessoas pagam por uma peça. Entretanto, poucos devem considerar as próprias selfies uma obra de arte. Imagine então descobrir que outra pessoa está lucrando muita grana apenas fazendo poucas alterações na sua imagem e vendendo isso em uma galeria.

É exatamente isso que Richard Prince está fazendo atualmente. Ele pega uma foto qualquer, faz pequenos ajustes na imagem, imprime e expõe em uma galeria onde vende cada fotografia por valores que chegam a milhares de dólares.

A exposição mais recente de Richard envolvia fotos de Instagram de mulheres nas quais ele adicionava apenas um comentário falso, que podia se limitar a um mero emoticon, e imprimia em formato de pôster (48x65 centímetros). O preço de cada obra? Meros US$ 90 mil (cerca de R$ 283 mil na conversão atual).

Claro, nenhuma das modelos concedeu autorização para que suas imagens fossem vendidas ou teve qualquer participação no lucro das vendas. A usuária do Instagram Doedeere comentou a surpresa que teve ao descobrir que seu retrato estava na exposição e que foi vendido por um valor tão alto.

Ofensa repetida

Até mesmo pelo valor que os retratos alcançaram, é fácil imaginar que Richard Prince já é bem conhecido e que esta não é a primeira vez que ele usa imagens sem autorização.

O artista chegou a ser processado em 2011 depois que o fotógrafo Patrick Cariou descobriu que Richard havia utilizado várias fotos do acervo de Cariou, feito algumas alterações e revendido as obras em uma galeria onde arrecadou o total de US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 31 milhões).

Foto de Patrick Cariou (esquerda) e a intervenção feita por Richard Prince (direita)

Porém, a corte federal americana declarou que o uso das imagens estava dentro do conceito de “Fair Use”, ou seja, mesmo que o material original seja protegido por direitos autorais, ele pode ser reproduzido sob certas circunstâncias, como a de crítica ou comentário.

Mesmo que esteja no limite da legalidade, ainda parece um pouco estranho que alguém esteja disposto a pagar valores tão altos por selfies de Instagram.

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