Os modelos de acessórios produzidos com impressão 3D normalmente parecem armaduras: rígidos e nem sempre muito funcionais ou visualmente interessantes. Porém, o estúdio de design Nervous System desenvolveu um sistema que combina técnicas de origami com uma abordagem diferente de impressão 3D para criar um vestido que se move como tecido.

O vestido foi feito sob medida e é composto por 2.279 painéis triangulares únicos, todos impressos como uma peça única usando nylon. Diferente de tecido comum, esse modelo varia em rigidez, porosidade e padrão ao longo da peça.

O processo

Para conseguir imprimir algo tão grande de uma única vez, a equipe utilizou uma técnica inovadora. O vestido foi desenhado em 3D no CAD, e o programa Kinematics quebrou o modelo em segmentos triangulares de tamanhos variados.

Através de uma ferramenta baseada em Javascript, é possível controlar tamanho, posicionamento e quantidade de triângulos, além de ver um preview da vestimenta antes de imprimi-la. Um algoritmo consegue calcular automaticamente onde cada triangulo será conectado e dobra o modelo de uma maneira que possa ocupar o mínimo de espaço possível na impressora 3D, reduzindo o volume em até 85%.

Depois de impresso, o vestido parece só um bloco de matéria-prima, mas os pesquisadores vão cuidadosamente tirando o excesso de pó até o vestido aparecer. O processo é similar a arqueólogos desenterrando fósseis, mas envolve menos espaços históricos e mais impressoras ultramodernas. Uma vez desenterrado e limpo, o vestido pode ser tingido.

Apoio da Google

Inicialmente o projeto Kinematics foi um conceito desenvolvido em parceria com a Google apenas para promover o celular customizável Moto X. A ideia era ter uma van que viajasse pelos Estados Unidos mostrando o aparelho e que oferecesse como brinde uma bijuteria impressa em 3D que seria produzida no veículo enquanto o consumidor ouvia sobre o aparelho.

A maneira que eles encontraram para fazer isso economizando tempo foi utilizar técnicas de origami para dobrar a estrutura 3D, reduzir o volume e conseguir imprimir e montar enquanto o consumidor observava.

Depois do fim da ação promocional, eles perceberam o potencial do projeto e resolveram continuar trabalhando nele, o que acabou resultando no desenvolvimento das roupas usando a mesma técnica. Claro que foi preciso bastante pesquisa para evoluir coisas como colares e braceletes até conseguir chegar a um vestido completo.

Custo e conforto

O vestido parece um pouco mais confortável que o desenvolvido para Dita Von Teese no começo do ano passado, talvez por não ser modelado em cima de um espartilho e pela ausência das gigantes ombreiras, mas ainda está longe de ser algo usável no dia a dia. Até mesmo pelo preço: cada peça sai por 3 mil dólares.

A equipe pretende reduzir o custo antes de comercializar o produto. Por enquanto, o vestido só deve ser usado por um manequim do MoMA, um museu de arte moderna em Nova York, que acaba de arrematá-lo para exibir em sua exposição permanente, junto com o software usado para fabricar a vestimenta.

Caso você tenha curiosidade de entender melhor como uma impressora 3D funciona, confira este especial do TecMundo.

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