O universo das impressoras tridimensionais não para de crescer – inclusive no mercado nacional. É comum ver equipamentos cada vez mais acessíveis sendo colocados nas gôndolas brasileiras; analistas afirmam que a tendência é que esses produtos se tornem ainda mais baratos nos próximos anos e deixem de ser um item “de luxo”.

Contudo, até pouco tempo atrás, as grandes corporações pareciam não estar atentas para um detalhe importante: do que adianta colocar uma impressora 3D em cada casa se os seus moradores não sabem modelar objetos tridimensionais? O hardware está sendo democratizado, mas e o software?

A resposta para essa questão pode estar no Fusion 360, o mais novo produto da Autodesk – empresa responsável pelo famoso AutoCAD e pelo aclamado 3DS Max. O software (que ainda está em fase Beta) chega para fortalecer a família de programas de modelagem 3D da companhia, oferecendo recursos profissionais através de uma interface simples e intuitiva.

Conhecendo o produto na prática

Para promover e demonstrar os benefícios de seu novo produto, a Autodesk realizou um workshop no último sábado (31) com o auxílio dos jovens Radamés Ajna e Thiago Hersan, que estão há três meses residindo no Pier 9 (um workshop da Autodesk localizado em São Francisco, nos Estados Unidos).

Oferecido gratuitamente e com o apoio do espaço Garagem Fab Lab, o minicurso reuniu cerca de 15 participantes com a proposta de modelar pequenos robôs usando o Fusion 360, imprimi-los com o auxílio de uma MakerBot e trazê-los à vida através de um conjunto simples de bateria, motor e circuito eletrônico.

O cronograma era rígido: no primeiro dia de evento, os alunos aprendem a modelar objetos 3D e criam um design exclusivo de robô com suas próprias mãos; no domingo, eles retornam para a impressão e montagem, levando o resultado para casa. Tentar ensinar modelagem tridimensional em menos de quatro horas pode parecer algo absurdo, mas acredite: não é. Não com o Fusion 360.

Uma das impressoras 3D do Garagem Fab Lab

Simples, mas não limitado

Eram poucos os presentes que já tinha alguma experiência com softwares do gênero – a grande maioria, como este redator que lhes escreve, jamais havia trabalhado com criação de objetos de três dimensões. No final do primeiro dia, contudo, todos voltaram para casa dominando recursos básicos e com conhecimentos o suficiente para criar um robô simples, mas completamente funcional.

Leve como nenhum outro programa de seu nicho, o Fusion 360 é realmente um produto interessante. Ele é 100% integrado ao Autodesk 360 (serviço de cloud computing da Autodesk), permitindo que você guarde seus documentos na nuvem, compartilhe arquivos com amigos, trabalhe em projetos em equipe e faça renderizações online usando os servidores da empresa.

O que mais chama a atenção no Fusion 360, porém, é a forma como o programa consegue ser simultaneamente simples e poderoso. A Autodesk está de parabéns por ter desenvolvido um software que é realmente fácil de usar, mas sem abrir mão de ferramentas e recursos profissionais encontrados em utilitários mais tradicionais (como o modo de modelagem paramétrica e a possibilidade de aplicar propriedades físicas de um material em certo objeto).

Hersan ressalta que não tinha nenhuma experiência com modelagem 3D ao entrar no Pier 9; agora, ao lado de Radamés, o jovem ocupa um espaço de destaque dentro da galeria de arte do SESC Pompeia, na capital paulista.

A obra “Fofoque-me: Vox Populi”, desenvolvida pela dupla com o auxílio do Fusion 360 e impressoras 3D, resume-se a um sistema de megafones robóticos que leem mensagem “sussurradas” em um microfone ou enviadas por SMS. O invento, embora possa parecer um tanto estranho em uma primeira olhada, tem contexto filosófico: a ideia é oferecer um espaço onde opiniões individuais são integradas e mescladas em uma voz coletiva.

Obra da dupla Radamés e Thiago, em exposição no SESC Pompeia

Quer experimentar?

Como dissemos anteriormente, o Fusion 360 está disponível gratuitamente através do site oficial do Autodesk – para baixá-lo e testar suas funcionalidades, basta clicar neste link. Por ainda estar em desenvolvimento, é natural que o software apresente alguns bugs e momentos de instabilidade – enfrentamos alguns deles enquanto aprendíamos a operar o programa, mas nada muito grave.

Ainda não se sabe quando o aplicativo ganhará uma versão final e tampouco o valor da mensalidade; contudo, já sabemos que podemos esperar um preço bem amigável para que qualquer pessoa possa usar o programa.

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