Dois exemplares da Metamáquina sendo finalizados (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Foi em uma pequena vila de arquitetura clássica – construída no coração da capital paulista por um imigrante italiano – que a equipe do Tecmundo foi recepcionada por Guilherme, um dos envolvidos no projeto que pretende tornar a impressão 3D mais acessível para a população brasileira. Sendo a impressora tridimensional mais barata dentre as disponíveis no mercado, a Metamáquina começou como um projeto informal tocado por um grupo de hardware hackers que se reuniam constantemente em um velho prédio na Santa Cecília, região central de SP.

Inspirados na ideologia do software livre e determinados a popularizar essa nova tecnologia, o trio de estudantes da USP – Filipe Moura, Rodrigo Rodrigues e Felipe Sanches – decidiu transformar a diversão em um negócio lucrativo, lançando uma campanha de financiamento coletivo para industrializar as primeiras unidades da impressora de baixo custo.

Com R$ 30 mil arrecadados através da famosa plataforma Catarse (R$ 7 mil além do valor pretendido), o time de jovens empreendedores desenvolveu vários protótipos ao longo do segundo semestre de 2012, realizando experimentos com diversos tipos de materiais e aperfeiçoando a estrutura do produto. Hoje, com dez funcionários fixos e um ritmo de produção capaz de entregar sete impressoras por semana, a Metamáquina tem orgulho em mostrar tudo o que o equipamento é capaz de fazer – e, acredite, eles têm esse direito.

Guilherme exibe alguns bonecos impressos no aparelho (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Um equipamento para todos

Uma das primeiras coisas que todo mundo costuma perguntar sobre a Metamáquina é como ela consegue ser comercializada por um valor tão baixo: afinal, a última versão do aparelho pode ser adquirida por modestos R$ 3,9 mil.

De acordo com Guilherme, um dos principais pontos que barateiam a impressora é o fato dela ser construída em MDF, um material derivado da madeira que combina grande resistência com baixo custo. “As pessoas têm certo preconceito com o MDF, mas ele é um material totalmente estratégico: além de me fornecer uma boa estrutura mecânica, sua leveza facilita o transporte e envio para os nossos compradores”, comenta.

Aparelho imprimindo uma peça em PLA vermelho (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Outra vantagem do MDF é a facilidade para a fabricação das peças que compõe o aparelho, que são cortadas com o auxílio de um laser. No caso de peças plásticas ou metálicas, seria necessário criar um molde para cada componente e realizar pedidos em grande escala para companhias especializadas na fabricação de objetos com tais materiais.

“A montagem da Metamáquina também é bastante simples e funciona como um LEGO”, resume Guilherme. Em consonância com a filosofia do software livre, todo o projeto da impressora é distribuído gratuitamente pela equipe do projeto, podendo ser baixado através do Github da empresa. Qualquer um pode fabricar e montar sua própria Metamáquina, assim como criar outros eletrônicos derivados. “Conhecemos uma pessoa que pretendia customizar a máquina para pintar quadros”, revela Guilherme. “Também já conhecemos quem pretendia utilizá-la para montar um dosador de glacê, automatizando o processo de decoração de bolos”.

Guilherme exibe algumas peças da máquina em MDF e ressalta a facilidade de montagem (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Como funciona?

A Metamáquina possui uma área útil de impressão de 20 cm x 20 cm, conseguindo criar objetos com altura máxima de 15 cm. A velocidade é de 80 mm/s e o peso total do equipamento é de 9 kg. Para dar vida aos objetos tridimensionais, a Metamáquina utiliza filamentos PLA ou ABS, que são bastante resistentes e custam cerca de R$ 150,00 (o quilo). Tal material pode ser encomendado em diferentes cores, como vermelho, azul ou até mesmo translúcido.

Guilherme esclarece que o PLA é a matéria-prima mais recomendada, visto que sua temperatura de fusão é bem mais baixa (cerca de 180º). “Com o ABS, a base precisa ser aquecida ainda mais, atingindo 230º, para grudar a peça e impedir que ela saia do lugar durante a impressão. O problema é que, se qualquer corrente de vento frio atingir o maquinário durante o processo, a peça pode esfriar muito rápido e acabar desgrudando”, explica.

Um dos protótipos da impressora (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

A meta é crescer ainda mais

A versão mais recente da Metamáquina – batizada simplesmente como “Metamáquina 2” – ainda não foi lançada oficialmente, mas já está sendo comercializada sobretudo para o setor industrial. Os representantes da marca afirmam que os consumidores finais também representam uma boa parcela da procura pelo equipamento, visto que a impressão 3D está cada vez mais presente nos canais da grande mídia.

“São mil necessidades: algumas pessoas querem fazer uma pulseira, odontólogos querem fazer uma mandíbula e todos enxergam a impressão tridimensional como a solução para todos os problemas”, explica o representante da empresa. “Muitos não têm a visão de que é preciso ter a peça modelada em 3D, algo que demanda conhecimento técnico em softwares específicos.”

Cerca de sete Metamáquinas são fabricadas por semana (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

A ideia agora é aumentar o ritmo de produção até que a companhia consiga ter o produto à pronta-entrega. Enquanto isto não acontece, os consumidores que adquirirem uma unidade agora precisarão esperar até a primeira quinzena de outubro para receberem o brinquedo em suas residências. O lançamento oficial do produto também deve ocorrer neste período.

Ficou interessado pela Metamáquina? Pois saiba que faremos uma análise completa dela em breve, logo, continue de olho no Tecmundo para saber ainda mais sobre este revolucionário projeto. E não deixe de conferir mais fotografias exclusivas na galeria de imagens abaixo!

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