Com o IBM InterConnect 2017 sendo realizado entre os dias 19 e 23 de março, em Las Vegas, era de se esperar que a big boss da IBM, Virginia Marie Rometty, marcasse presença no painel oficial de abertura do evento, certo? Quem esperava ver Ginni no palco montado no meio do ginásio do Centro de Convenções de Mandalay Bay, no entanto, acabou se deparando com Arvind Krishna e David Kenny no comando da apresentação realizada na manhã da segunda-feira (20).

Será que a CEO teve algum problema e precisou ser substituída por outros executivos do alto escalão da IBM às pressas? Ou, quem sabe, preferiu deixar a feira focada em cloud nas mãos dos principais nomes do setor dentro da empresa? Nada disso! Uma combinação de agenda cheia e timing perfeito fez com que a chairwoman dominasse o tablado não no primeiro, mas sim no segundo dia oficial de atividades do encontro.

Ginni no palco do evento

Ginni se atrasou para o InterConnect por conta de uma viagem de negócios à China

A informação oficial, confirmada pela própria executiva em seus primeiros minutos no palco, foi de que Ginni se atrasou para o InterConnect por conta de uma viagem de negócios à China. Ao que tudo indica, Rometty se encontrou com figuras influentes do mercado chinês para dar início aos investimentos da IBM no país – especialmente no segmento cloud. Alguns rumores, no entanto, dizem que a mudança do keynote da líder IBMista para a terça-feira (21) teve como objetivo unir tanto o público do InterConnect quanto do Amplify – que teve início nesse dia.

Seja como for, a CEO subiu ao palco na data que lhe foi mais conveniente e mostrou por que está no comando de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Esbanjando muito conhecimento e carisma, a executiva falou da nuvem como chave para os negócios da IBM e trouxe diversos aliados para validar os caminhos escolhidos pela companhia tanto nos últimos anos quanto para o futuro próximo.

Pilares do negócio

Para começar a conversa, Ginni falou sobre os elementos que ela considera essenciais para a expansão da empresa na nuvem e que são os verdadeiros diferenciais da IBM na hora de disputar espaço no competitivo setor corporativo. Para ela, é importante que as soluções cloud tenham escala, mas que não fiquem limitadas apenas a isso. Um exemplo disso é a capacidade da plataforma de se moldar a diferentes indústrias, atendendo necessidades de setores que vão de finanças e saúde a produtos feitos diretamente para o consumidor final.

A segurança proporcionada pelas ferramentas e pelo próprio ecossistema da companhia também foi destaca pela CEO. “Temos medidas de segurança que vão dos chips que usamos nos servidores até o software e a infraestrutura implementados neles. O Watson também pode ser usado para cibersecurança e para avaliar ameaças. Simultaneamente, as ofertas de recursos voltados para o blockchain vão permitir que transações sejam feitas de forma muito mais segura e confiável”, analisou.

Os dados são recursos importantes, mas são de uso exclusivo dos clientes, afirma a CEO

Estamos aqui para ajudar vocês a tirarem os melhores insights dessa pilha de informações

A executiva também voltou a falar no seu preceito de “dados em primeiro lugar e alma cognitiva”. “Já falo há algum tempo que os dados são o novo recurso mais importante do mundo, assim como a habilidade de coletá-lo e saber analisar tudo contido nele. Estamos aqui para ajudar vocês a tirarem os melhores insights dessa pilha de informações”, explicou Ginni, reafirmando o compromisso da empresa em garantir que os dados levantados e monitorados por suas plataformas são de posse única e exclusiva de seus clientes.

Sobre o investimento da marca na computação inteligente, ela comentou que o “segredo” do sucesso – e a razão desse tipo de tecnologia ser um dos fundamentos da IBM Cloud – é a capacidade de unir machine learning, inteligência artificial e cognitividade digital para criar um sistema que oferece as melhores sugestões e recomendações para as pessoas.

Segundo Ginni, o Watson consegue ver melhor que qualquer outra IA do mundo, escuta de um modo quase humano e tem a habilidade de ler informações e textos em dezenas de línguas. Seu diferencial, para a CEO, no entanto, é outro: seu conhecimento do mercado e a capacidade de entendê-lo. “O Watson foi treinado para ter esse tipo de compreensão da indústria”, disparou Rometty.

Dois gigantes

Depois de colocar “os pingos nos is” em relação aos pontos fortes da IBM no setor de cloud corporativo, a chairwoman chamou ao palco uma série de parceiros antigos e recentes da empresa para discutir as vantagens desse tipo de amizade no segmento de tecnologia. O primeiro deles foi ninguém menos que Randall Stephenson, CEO da AT&T, uma das gigantes das telecomunicações nos Estados Unidos.

O tema do discurso do executivo foi bem simples, mas indicou de forma muito clara o motivo da aproximação entre as duas companhias: as mudanças nas estruturas das redes móveis e a forma como as pessoas consomem conteúdo hoje em dia. Para Stephenson, sua empresa está em uma posição em que há uma demanda gigantesca pela ampla disponibilidade das redes mobile. Como se isso não fosse o bastante para que esse produto ganhasse atenção total da marca, o surgimento e popularização da cloud fortaleceu ainda mais esse acesso móvel.

Stephenson mostrou que a aposta da AT&T na nuvem é enorme

Esses elementos levaram a uma mudança drástica na forma como a AT&T abordava o setor, a nuvem e a interação entre ambos. “A cloud se tornou uma parte essencial do negócio. Por isso, estamos promovendo uma virtualização e integração total dos nossos serviços, conectando tudo seguramente à plataforma da IBM”, explicou. A necessidade de mudança é tão grande que acabou afetando até mesmo a balança do uso de rede entre os segmentos corporativo e o do usuário final.

Estamos promovendo uma virtualização e integração total dos nossos serviços, conectando tudo à plataforma da IBM

“Antigamente criávamos uma estrutura gigantesca para o mercado corporativo e escalávamos tudo para baixo para adaptá-la ao consumidor comum”, relembrou o executivo. Como funciona isso agora? “Com a produção e consumo de conteúdo – principalmente vídeos – se tornando tão grande, nos vimos criamos uma estrutura colossal para o end user e então reduzindo isso para os clientes corporativos”, confessou.

Por mais incrível que pareça, foi essa leitura do cenário e do mercado como um todo que acabou levando à compra da Time Warner – iniciada no final do ano passado. A negociação, que exigiu mais de US$ 85 bilhões (R$ 265,7 bilhões) dos cofres da AT&T, teve como principal objetivo fazer com que a marca se tornasse também produtora de conteúdo – com acesso ao material da HBO, Turner e Warner Bros. – e acelerasse ainda mais o avanço e a adoção dessa nova estrutura.

Ousadia e encontro de gênios

Na sequência, foram Marc Benioff e Bill Cobb, CEOs respectivamente da Salesforce e da H&R Block, que subiram ao tablado do Centro de Convenções de Mandalay Bay. Apesar de fazerem apresentações separadas, cada um deles tomou um bom tempo de seus discursos para agradecer pelo apoio e pela oportunidade de fazer uma parceria tão próxima com a IBM, expondo como isso ajudou nos seus negócios e abriu novos caminhos para o futuro.

Mais desconhecido do público brasileiro, o chefão da H&R Block explicou como a adoção do Watson mudou para melhor o atendimento da empresa de contabilidade. Sentindo como o atendimento dos clientes na hora do cadastro no sistema de reembolso de valores no imposto de renda era falho, o executivo pensou em como as habilidades da plataforma cognitiva da IBM poderiam ajudar a suavizar esse processo tão chato para o consumidor.

Amizade veloz e com bons resultados

O mais incrível é que toda essa mudança no sistema da casa, que passou a ser mediado por um autoatendimento inteligente bem imersivo, foi tocado de forma extremamente rápida por Cobb. Ele comentou, em tom de brincadeira, por exemplo, que decidiu pelo contrato com a gigante de tecnologia antes mesmo de informar tudo ao restante da diretoria da companhia. Seis meses depois, a empresa estava fazendo o anúncio da parceria e do uso do Watson em um comercial multimilionário exibido no Super Bowl deste ano.

Com a companhia de Benioff, o casamento foi mais tradicional, mas nem por isso deixou de atrair os holofotes para o negócio. Isso porque a aliança da marca com a IBM foi representada pela união entre dois nomes populares da tecnologia corporativa: Watson e Einstein. A notícia logo rodou o mundo e deixou claro que o sistema inteligente de CRM da Salesforce ganharia muito com os recursos do sistema cognitivo, principalmente na precisão e na assertividade dos resultados apresentados aos seus clientes.

Watson e Einstein juntos podem ditar o futuro da inteligência artificial

Mulheres mais do que capazes

Para finalizar muito bem o painel que tomou toda a manhã da terça-feira, Ginni chamou ao palco Reshma Saujani, a CEO da iniciativa Girls Who Code, uma ONG que tem como foco popularizar a programação entre as mulheres. A executiva, que é descendente de indianos, contou que em um determinado momento da sua carreira como advogada, ativista e política percebeu que havia um número muito pequeno de garotas nas salas de aula e empresas voltadas para o setor de tecnologia.

O que mais a incomodava em toda essa situação fora a evidente disparidade nos gêneros dentro desse segmento? Que há apenas algumas décadas a presença feminina na indústria tecnológica chegava a cerca de 50% da força de trabalho, uma taxa absurdamente maior do que os atuais 8%. “Achávamos que as mulheres não estavam interessadas no tema, mas, na verdade, faltava a oportunidade e também deixar claro que isso é algo que está ao alcance delas. Computadores não são coisas apenas para garotos”, disparou Saujani.

Duas mulheres fortes do mundo da tecnologia dividindo o mesmo palco

Recursos e serviços da companhia parecem cair como uma luva na proposta de facilitar o acesso ao setor

A executiva explicou que, desde que decidiu tomar em suas mãos a tarefa de trazer mais uma vez as mulheres para o mundo da tecnologia e deu início ao projeto Girls Who Code, o melhor que poderia ter acontecido é essa aliança com a IBM. Pelo discurso da CEO, não se tratou apenas de inflar o ego da Ginni ou dos outros IBMistas presentes no InterConnect, mas sim de uma constatação de como alguns dos recursos e serviços da companhia parecem cair como uma luva na proposta de facilitar o acesso ao setor.

“Quando elas se deparam com as ferramentas da IBM, não é raro que digam coisas como ‘nós podemos fazer isso’ ou ‘eu também consigo programar’”, afirmou. Para provar seu ponto, Saujani chamou ao seu lado três jovens alunas do projeto, que contaram como a experiência com o Bluemix e com as APIs do Watson, assim como o contato direto com as tutoras da IBM, fizeram com que eles se interessassem realmente por programação e tivessem um aprendizado extremamente suave e natural.

Antes que todos deixassem o tablado e a apresentação fosse encerrada em definitivo, Ginni fez questão de agradecer à dedicação de Saujani oferecendo um estágio dentro da IBM para o trio de garotas que fazia parte do Girls Who Code. Essa ação, inclusive, casou muito bem com a frase derradeira da chairwoman antes de se despedir do evento. “De todas as plataformas que a IBM já teve o prazer de construir junto de seus clientes, a cloud é a que acreditamos ser a mais impactante e que fará uma diferença real no mundo”, finalizou.

O TecMundo foi convidado pela IBM para ir a Las Vegas realizar a cobertura do IBM InterConnect 2017

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