A alegria de quem usou um pequeno hack para conseguir rodar games exclusivos do Oculus Rift no HTC Vive durou pouco. Um mês depois do lançamento do programa, chamado Revive, a Oculus VR trouxe uma atualização para seus aplicativos que vinha com o objetivo de inutilizar hacks como esse; uma pena que a ideia não deu tão certo quanto eles esperavam.

Antes de tudo, é bom notar que o bloqueio já era esperado. Em uma declaração feita ao site Games Industry, a Oculus disse estar ciente da existência do Revive, afirmando que não estava de acordo com o que foi feito.

Isso é um hack e nós não perdoamos isso. Usuários devem esperar que jogos hackeados não funcionem indefinidamente

“Isso é um hack e nós não perdoamos isso”, disse um porta-voz da empresa. “Usuários devem esperar que jogos hackeados não funcionem indefinidamente, visto que atualizações regulares de software para games, apps e nossa plataforma vão provavelmente quebrar o software hackeado”, continuou a empresa.

Da mesma forma, a empresa afirma que as atualizações não foram feitas com o objetivo de derrubar o Revive em especial. “Essa atualização não foi feita com alvo em um hack específico”, disse a Oculus ao Gamasutra.

Ainda mais fácil de hackear

Parece que os planos da companhia não deram tão certo quanto o esperado, no entanto. Isso porque, por mais que o novo DRM tenha, sim, inutilizado o Revive original, uma nova versão do software surgiu apenas um dia depois – e que o update teria deixado uma brecha ainda maior para a pirataria nos programas do Rift, segundo o criador do aplicativo ao site Motherboard.

O fato é que o primeiro Revive apenas traduzia as funções do Oculus Runtime, exclusiva do Oculus Rift, para a linguagem usada pelo OpenVR (usada por diversos aparelhos VR do mercado, incluindo o HTC Vive). Isso, por sua vez, significava que, mesmo tendo acesso ao conteúdo em outro acessório, você ainda precisaria comprar os games oficialmente para poder jogá-los.

Com o novo Revive, o software usa um sistema de injeção que burla a checagem feita pelo game por completo

Com o novo Revive, no entanto, o software usa um sistema de injeção que burla a checagem feita pelo game por completo. Sem isso, as pessoas agora podem não apenas rodar qualquer game do Rift em outros aparelhos VR, mas também executar cópias piratas dos títulos.

“Eu realmente não queria ter que ir por esse caminho”, disse Libre VR, o criador do Revive, em um post no Reddit. “Eu ainda não suporto a pirataria, não use isso para cópias piratas”, continuou ele.

Proteger contra hacks? Não exatamente

Em outra declaração feita ao Motherboard, Libre VR também critica duramente a atualização feita pela Oculus, dizendo que, diferente do que foi apontado pela empresa, o update não veio realmente para proteger seu sistema da pirataria:

Embora isso ajude a prevenir a pirataria de pessoas que não compraram um Oculus Rift, ele não faz nada para impedir a pirataria daqueles que compraram um Oculus Rift

“Embora isso ajude a prevenir a pirataria de pessoas que não compraram um Oculus Rift, ele não faz nada para impedir a pirataria daqueles que compraram um Oculus Rift. E isso claramente exclui qualquer um que comprou o jogo, mas não comprou um Oculus Rift. Mesmo se o Revive não foi alvo, eles provavelmente estavam mais do que cientes do dano colateral.”

No fim das contas, parece que essa briga está longe de terminar por aqui: é bem provável que a Oculus VR passe a lançar updates frequentes para aumentar a segurança do Rift e que novas versões do Revive – ou mesmo outros softwares – surjam exatamente para se aproveitar de mais brechas. Nada a que não estejamos acostumados na indústria dos games.

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