Enquanto as telas de TV evoluem constantemente, com plasma, LED, HDMI, e outros tantos acrônimos ocupando seu espaço, o mesmo não pode ser dito dos alto-falantes que as acompanham. Há 85 anos que não ocorre nenhuma evolução real em termos de equipamentos de áudio.

Até agora, a indústria de caixas de som atacou sempre em duas frentes: por um lado tentando criar os melhores alto-falantes possíveis, e pelo outro buscando reduzir o tamanho das caixas. Mas essas pesquisas foram sempre mutuamente exclusivas, gerando equipamentos de altíssima qualidade sonora, porém enormes, ou fones intra-auriculares minúsculos, mas com sonoridade sofrível.

Recentemente algumas inovações começaram a mudar esse panorama, graças à percepção de que a nova geração de eletrônicos necessita de alternativas. Com os alto-falantes atuais não existe a possibilidade de um portable media player (PMP, como o iPod Touch, por exemplo) apresentar som de alta fidelidade, mesmo que sua tela tenha resolução HD.

Aqui mesmo no Baixaki já se falou a respeito dos flat flexible loudspeakers (FFL), uma das primeiras alternativas viáveis às caixas de som grandes e pesadas. A ideia por trás dessa tecnologia você pode conferir em detalhes neste artigo.

O Edge Motion parte do mesmo princípio: uma folha fina de material que vibra emitindo som, porém algumas diferenças são essenciais para que a tecnologia do EMO Labs seja considerada algo diferente.

Uma breve história do som

Um dos primeiros alto-falantes de SiemensOs alto-falantes como conhecemos sugiram na década de 1870, através das pesquisas de Ernst Siemens. A partir do momento em que a corneta acústica utilizada até então foi abandonada para a utilização do alto-falante dinâmico de Siemens, pouca coisa mudou. Novos materiais, as válvulas amplificadoras, a adaptação das caixas acústicas de ressonância – já existentes em diversos instrumentos musicais – e dos equipamentos para o funcionamento eletromagnético e mais tarde os transistores foram as principais evoluções nos sistemas acústicos.

Esse período se estendeu até a década de 1920, quando os primeiros alto-falantes de painel plano foram criados. Porém, mesmo estes equipamentos dependiam de caixas de ressonância e ocupavam um espaço relativamente grande.

Os problemas

Menos espaço
Alto-falanteAs exigências de espaço sofrem duas pressões maiores atualmente. Por um lado, a miniaturização dos componentes e o desenvolvimento de equipamentos cada vez mais finos impedem que grandes caixas acústicas sejam viáveis economicamente, já que exigem o uso de muito mais material, além de complicarem bastante o processo de design e fabricação dos aparelhos.

Em uma TV antiga, de tubo, era possível separar espaço suficiente para a colocação de alto-falantes de tamanho apropriado ao equipamento. Como o tubo – para gerar imagens que ocupassem toda a tela da TV – precisava ter um certo comprimento, não era tão complicado anexar a parafernália de som em volta do tubo.

Com as TVs de LCD, plasma e outras que dispensam o tubo de imagem, esse espaço que era então reservado aos dispositivos sonoros não existe mais e novas escolhas tiveram que ser feitas a esse respeito. A grande maioria dos fabricantes optou – nesse momento – por colocar painéis planos de tamanho reduzido ao lado da tela, e em alguns casos um único painel acima ou abaixo da área de imagem.

Para manter o preço e o tamanho dos aparelhos em um limite aceitável, muitas vezes a saída de áudio dos televisores é de qualidade muito inferior ao resultado obtido com as imagens. Graças a isso, o famoso home-theater ganhou mercado, por oferecer som de qualidade a esses aparelhos de televisão.

Porém, as caixas acústicas de um home-theater esbarram no segundo grande desafio dos sistemas de som. O espaço ocupado pelas caixas do sistema 5.1 – por exemplo – é muito grande. Pedestais para caixas de agudos, um subwoofer de grande diâmetro aplicado em uma caixa de ressonância profunda para os graves e o espaço que se economizou com uma TV LCD é perdido para o sistema de som. Como as áreas de habitação são cada vez menores – para comportar toda a população – esse desperdício de espaço é malvisto, já que poderia ser aproveitado de maneiras mais eficientes.

Multimídia

Alto-falantes

Outra controvérsia – menos inflamada, porém igualmente importante – em relação ao uso de caixas de som separadas do equipamento de imagem é a inadequação dessa montagem quando se pensa em aplicações multimídia. A audição humana consegue reconhecer a direção de onde um som é emitido e – exceção feita às experiências de imersão, como o cinema 3D – a sensação que o som originado causa, caso esteja fora da interface, é contrária ao próprio conceito de multimídia.

Soluções?

Fora a busca por materiais e métodos de fabricação cada vez mais desenvolvidos e apropriados à obtenção do som de alta fidelidade, pouco se criou para resolver este problema.

Como dito anteriormente, os FFL são uma das poucas inovações reais em termos de equipamento de som. Seu funcionamento é descrito em mais detalhes no artigo também já comentado, e a leitura é bastante recomendada para entender melhor do que se trata.

Edge Motion na TVA tecnologia Edge Motion é uma solução semelhante, já que também utiliza películas vibráteis, mas ao contrário da solução da Warwick Audio Technologies – que pretende instalar seus alto-falantes em paredes e outras superfícies inativas – a EMO Labs quer transformar a própria tela em fonte sonora. Usando uma película transparente sobre o display – ao contrário do filme opaco do britânico FFL – o Edge Motion cria uma “caixa acústica” com a mesma qualidade dos alto-falantes tradicionais, mas sem ocupar espaço algum, já que se sobrepõe à televisão em si.

Outra diferença significativa entre as duas tecnologias é a dependência. Enquanto os FFLs de Warwick podem ser usados em aplicações como ginásios, estações de trem e metrô e outros espaços que não necessariamente usam TVs ou monitores, a tecnologia Edge Motion pressupõe o uso de telas e, graças a essas diferenças, ambas as soluções têm seu lugar no mercado.

Como funciona?

Se você leu o artigo sobre os FFLs, já tem uma noção básica de como o Edge Motion funciona. Mesmo assim, ainda há muito sobre essa tecnologia a ser dito.

O básico

Para quem não leu o outro artigo, uma visão básica de como funciona o Edge Motion pode ser dada ao imaginar um alto-falante normal, desses que você tem nos seus fones de ouvido ou nas caixas de som do seu computador. Olhando para eles você verá um disco de papel ou plástico – chamado diafragma – e no centro desta peça existe um eletroímã. Com a passagem de corrente elétrica, este eletroímã vibra para frente e para trás, transmitindo essa vibração ao diafragma, amplificando assim o som gerado a cada pulso.

A ideia para o funcionamento do Edge Motion é a mesma, porém a fonte de vibração não é colocada no centro da película que irá ampliar as ondas, e mas sim nas suas laterais. É por isso que o alto-falante do Edge Motion é invisível. A parte responsável por gerar a vibração que será transmitida à película transparente é escondida na moldura da tela, fora da visão da audiência.

Som estéreo