LCTR, o projeto de "ônibus voador" da NASA. (Fonte da imagem: Reprodução/NASA)

Os helicópteros foram apresentados de verdade para o mundo na década de 1950 e surgiram como o meio de transporte do futuro. Ágeis e relativamente pequenos, eles seriam a solução para burlar o trânsito cada vez maior das grandes metrópoles, algo imaginado no passado e que se tornou o presente de muitas cidades brasileiras.

Entretanto, com o passar dos anos, aquela que seria a última solução tanto para a mobilidade dentro de uma mesma cidade quanto para transporte de passageiros entre várias localidades se mostrou não tão eficiente assim. Alto consumo de combustível, barulho excessivo e também a falta de conforto para os passageiros são alguns dos principais pontos negativos dos helicópteros.

Apesar de ser relativamente comum em cidades como São Paulo, uma forma cara mas eficaz de driblar o estressante e quase infinito trânsito paulistano nos horários de pico, o helicóptero foi superado pelo seu “irmão maior”, o avião, quando o assunto é transporte em massa. O avião é maior, mais rápido e mais barato do que o helicóptero.

Por que um helicóptero?

Os aviões são mais eficientes, não há dúvida, mas também demandam mais espaço para pousar e decolar. Ao contrário dos helicópteros, eles não podem fazer isso de cima de um prédio ou mesmo em um curto espaço de rua. Além disso, os aeroportos não podem ser em locais centrais, tornando viagens curtas um pouco mais longas.

A pergunta que fica, então, é a seguinte: será que um redesenho dos helicópteros poderia colocá-los de novo no topo?

Um ônibus voador

A NASA, agência espacial dos Estados Unidos, trabalha no projeto de um veículo de rotor inclinado capaz de transportar até 90 passageiros e viajar até 1,6 mil quilômetros, número superior à distância entre Curitiba e Brasília, por exemplo.

O Large Civil Tilt Rotor (LCTR) tem a cara de um avião e conta com duas enormes hélices posicionadas acima de suas asas. Elas servem como propulsores tanto para tirar o veículo do chão quanto para movimentá-lo, pois quando o LCTR está no ar, elas são posicionadas à frente da aeronave.

Espaçoso e veloz

Além de transportar bem mais gente do que qualquer helicóptero existente na atualidade e de ser mais ágil do que um avião convencional, esse meio-termo entre os dois veículos não deixa a desejar quando o assunto é velocidade. Ele é planejado para viajar a 350 nós, algo em torno de 550 km/h, o que significa que ele faria o trajeto entre a capital do Paraná e a Capital Federal em cerca de 2h30.

Sikorsky X2, o helicóptero mais rápido do mundo. (Fonte da imagem: UAV Helicopters)

A velocidade máxima do LCTR é ainda bem superior ao limite dos helicópteros convencionais, que variam entre 315 km/h a 350 km/h em algumas regiões. Isso é possível também pelo redesenho feito no novo veículo, que supera algumas limitações físicas e aerodinâmicas dos helicópteros.

Atualmente, a aeronave do gênero que detém o recorde de velocidade foi capaz de voar a “somente” 460 km/h. O dono da marca é Sikorsky X2, um helicóptero que usa dois conjuntos de hélices rodando em direções opostas, um sobre o outro. O veículo ainda dispensa a “cauda”, apresentando no lugar mais uma hélice, que serve como propulsão para levá-lo adiante.

E o futuro?

Apesar de ser apenas previsões, e do LCTR ainda não ter saído do papel, de fato, a previsão é que veículos como esse surjam em um período não tão longo de tempo. Prontos para usar as estruturas urbanísticas já existentes, como helipontos em topos de prédio ou aeroportos convencionais, eles podem ser uma saída aérea para o transporte terrestre.

Fonte: BBC, UAV Helicopters