As variações dependem da extensão e do tipo de sistema de arquivos. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Encontre um arquivo qualquer em seu computador. Clique sobre ele com o botão direito do mouse, acesse a opção “Propriedades” e verifique os campos “Tamanho” e “Tamanho em disco”. Se a extensão selecionada não estiver corrompida, é bastante provável que uma diferença entre ambos tamanhos salte logo aos seus olhos. Mas por que isso acontece?

Grosso modo, “tamanho em disco” é justamente o espaço ocupado por um arquivo em uma unidade de armazenamento qualquer (seja ela um cartão de memória ou um HD). O “Tamanho” significa precisamente a extensão de um dado — mas essa explicação deixa pouca coisa clara, não é? Então que tal pensarmos em uma metáfora?

Cluster e gaveta de joias

Para que possamos entender as diferenças entre as variações de tamanho, comparar um HD a qualquer outra unidade de armazenamento não parece ser algo tão absurdo, certo? Pois então imagine uma gaveta de joias.

Cada divisão representa um cluster; a gaveta toda seria o HD. (Fonte da imagem: Reprodução/Segatto)

Agora, inclua em seu vocabulário o termo “Cluster”, que pode ser entendido como a parcela determinada de armazenamento de um HD que pode ser acessada por um sistema operacional – confira essa definição traduzida sob a forma de uma simples comparação com a gaveta de joias:

  • Unidade de armazenamento (HD) = gaveta de joias
  • Cluster = compartimentos internos da gaveta de joias

Entendida essa comparação, é hora então de esmiuçarmos cada um dos termos para entendermos de uma vez o porquê das diferenças entre o “tamanho em disco” e “tamanho” dos arquivos. Sendo assim, coloque sua imaginação novamente para trabalhar e pense neste exemplo:

Não misture as joias!

Suponhamos que sua mãe odeie misturar seus preciosos conjuntos de joias. O que fazer então quando colares, anéis e brincos de um mesmo estilo não cabem todos em uma ou em duas das repartições da gaveta? “Coloque o anel e o brinco faltantes em uma terceira repartição!”, sua mãe diria – e nada mais poderia ser colocado junto com essas joias, pois os brilhantes não podem ocupar o mesmo espaço de conjuntos diferentes.

Não deixe sua mãe irritada. Não misture os conjuntos de joias. (Fonte da imagem: Reprodução/Babble)

“O que esse bizarro exemplo tem a ver com as capacidades de armazenamento de um HD?”, alguém pode naturalmente pensar. Mas tente enxergar o exemplo da mãe maníaca por separações aplicado ao armazenamento de dados de seu HD. Veja:

Cada arquivo em seu Cluster!

Pense que um arquivo de 21 KB precisa ser armazenado em seu HD (assim como um dos conjuntos de brilhantes de sua mãe, em nossa metáfora). O “tamanho” dele é, por óbvio, 21 KB (esse será precisamente o valor acusado em “tamanho” pelo sistema se você acessar as propriedades do arquivo, inclusive). Mas cada cluster possui apenas 4 KB (sistema FAT 32) de espaço livre (como se fossem as dimensões de cada compartimento da gaveta de joias). Quantos clusters de 4 KB seriam ocupados por um arquivo de 21K?

Clusters podem ser ocupados parcialmente, desperdiçando espaço. (Fonte da imagem: Reprodução/FCShop)

Faça as contas: 6 clusters de 4 KB, quando multiplicados, resultam em 24 KB, certo? Significa que seu arquivo de 21 KB ocuparia um “tamanho em disco” de 24 KB, pois são necessários 6 clusters de 4 KB para armazená-lo. E sim: 3 KB ainda ficariam sobrando neste sexto cluster. Assim como sua mãe odeia misturar conjuntos de joias, seu sistema operacional também se nega a ocupar um cluster (repartição da gaveta de joias) com dados de arquivos diferentes. Neste exemplo, seu Windows exibiria as seguintes informações em “Propriedades” do arquivo:

  • “Tamanho”: 21 KB
  • “Tamanho em disco”: 24 KB

Mas e se sua mãe decidir reformar as gavetas e alterar as dimensões de cada uma das repartições? Saiba que é possível ajustar também a capacidade de armazenamento de cada cluster e que o sistema de arquivos varia de unidade para unidade.

Outra analogia: pense em baldes d`água

Diversas outras analogias podem ser feitas sobre as diferenças entre "tamanho" e "tamanho em disco". Conforme bem sugerido por Júnior Barros, um de nossos leitores, pense então em quatro baldes d`água, cada um com capacidade total de armazenamento de 10 litros. Seu objetivo é depositar nesses recipientes somente 35 litros. Então o que acontece? Três deles serão ocupados completamente enquanto apenas a metade do quarto balde será usada, certo?

Neste exemplo, cada balde representa um Cluster. (Fonte da imagem: Reprodução/DRMPlasticos)

O mesmo acontece se pensarmos em um arquivo: ao armazenar um dado de 35 KB em clusters com capacidade de 10 KB cada, 5 KB ficarão ainda sobrando em um quarto compartimento. Sendo assim, as diferenças de tamanho seriam:

  • "Tamanho": 35 KB
  • "Tamanho em disco": 40 KB

Sistema de arquivos

O tamanho (capacidade de armazenamento) de cada cluster varia de acordo com o sistema de arquivos – opção esta que pode ser selecionada durante a formatação de um cartão de memória, pendrive ou HD. Acompanhe o esquema a seguir, que lista os sistemas de arquivo e suas respectivas capacidades:

  • FAT 16: suporta até 32 KB por cluster
  • FAT 32: suporta somente 4 KB (sistema mencionado pelo exemplo anterior) por cluster
  • NTFS: cada cluster possui de 512 bytes a 4 KB

Otimize suas formatações a partir dessa rápida explicação. (Fonte da imagem: Reprodução/Baixaki)

Particularidades dos sistemas de arquivos

Assim, é correto dizer que quanto menor o tamanho de cada cluster, menos espaço é desperdiçado por um HD, “já que, mesmo com apenas 1 byte de tamanho, qualquer arquivo ocuparia um cluster inteiro”, conforme comenta Carlos Morimoto, especialista do site Hardware.

Mas atenção: também segundo observado por Ac Francisco, outro de nossos atentos leitores, clusters menores podem sim poupar espaço em HD. Por outro lado, as velocidades de leitura e gravação serão mais lentas.

Avalie os sistemas e escolha o que mais lhe agrada. (Fonte da imagem: Reprodução/AlieExpress)

E o inverso é igualmente verdadeiro: se clusters maiores forem usados, mais espaço poderá ser desperdiçado. As velocidades de gravação e leitura, porém, serão maiores. Assim, têm-se:

  • Clusters menores (menos espaço desperdiçado) = velocidades de leitura e gravação lentas
  • Clusters maiores (mais espaço desperdiçado) = velocidades de leitura e gravação rápidas

Avalie suas necessidades, pense nos prós e contras que cada sistema de arquivo oferece e escolha o formato que melhor atende as suas vontades.

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