Um estudo realizado pelo Government Accountability Office (GAO, na sigla em inglês) revelou que diversos departamentos do governo norte-americano ainda fazem uso de hardwares e softwares que operam à base de disquetes. Segundo o relatório, o Pentágono, que é a sede do Departamento de Defesa dos EUA, utiliza um computador IBM Series/1 e disquetes de 8 polegadas, ambos da década de 1970, por exemplo.

A unidade de armazenamento que deu forma ao ícone “salvar” é usada também pelo do Comando de Defesa Aérea estadunidense, conforme explicou um representante do órgão ao Digital Trends, em 2015. “Como você pode imaginar, nós queremos garantir o máximo de confiabilidade e eficiência quando operamos um sistema de armamento importante. Desse modo, se um sistema é ‘velho’, mas ainda confiável, estaremos dispostos a usá-lo”, afirmou o porta-voz do Air Force Global Strike Command (AFGSC).

Em outras palavras, significa que se os EUA tiverem de lançar um míssil, técnicos familiarizados com a operação de máquinas a disquete terão de entrar em ação.

Um IBM Series/1 ainda é usado no Pentágono.

A substituição da tecnologia obsoleta por soluções atualizadas deverá ser feita até 2017, segundo informou o Pentágono à CNN. Hoje, o governo dos EUA gasta mais de US$ 60 bilhões/ano na operação e manutenção das máquinas com 50 anos de idade – o que corresponde ao triplo dos investimentos feitos em sistemas modernos de TI.

Mas por quê?

A razão que justifica o uso de máquinas a disquete pelos órgãos de segurança dos EUA é uma só: confiabilidade. É que a falta de suporte à conexão com a internet resulta na proteção dos sistemas contra ataques virtuais, por exemplo. Outro fator levado em conta é a obsolescência dos componentes: apesar de tornar difícil a substituição dos acessórios, a tiragem limitada de disquetes e outros acessórios de computadores anciãos pode funcionar de modo vantajoso em casos extremos.

'Se um sistema é ‘velho’, mas ainda confiável, estaremos dispostos a usá-lo', disse o porta-voz do da Defesa Aérea dos EUA

Ainda assim, o próprio GAO recomenda a atualização das soluções em TI relacionadas não somente ao hardware ou software dos departamentos de segurança, mas ligadas, também, à linguagem de código que ainda é usada pelos sistemas.

Os disquetes inspiraram o ícone de "salvar" presente hoje em grande parte dos softwares.

“A integração da nova tecnologia requer procedimento e testes exaustivos para que possamos assegurar o cumprimento dos padrões rígidos do Departamento de Defesa”, comentou o representante AFGSC. Segundo ele, também a Força Aérea dos EUA estaria disposta a investir “em qualquer tecnologia nova e igualmente confiável”.

Para referência, vale lembrar que um disquete comum, de 3,5 polegadas, oferece suporte para até 1,44 MB – nem mesmo uma música com cerca de 3 minutos em MP3 poderia ser salva pelo nostálgico e ainda funcional componente.

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