O grafeno vem sendo utilizado de forma ampla e para as mais diversas finalidades, como na melhoria de câmeras de smartphones, circuitos que se autodestroem e muitas outras coisas que se tornaram possíveis graças ao uso do material. A última funcionalidade que poderá chegar por conta dele, em algum momento no futuro, é a visão noturna em câmeras de aparelhos comuns, como as de smartphones, notebooks e até mesmo nos para-brisas de carros.

Pesquisadores do MIT criaram sensores infravermelhos pequenos o suficiente para serem integrados em dispositivos móveis. A tecnologia, que é utilizada com frequência em equipamentos militares, requer um sistema de resfriamento para filtrar o calor do ambiente para que apenas os raios infravermelhos emitidos por seres vivos ou objetos sejam detectados pelo sensor. É por conta dessa estrutura que o design de acessórios como os óculos de visão noturna não são exatamente práticos.

Soldado utilizando um equipamento de visão noturna

Com o grafeno, no entanto, a história muda um pouco: as folhas feitas com o material são extremamente finas, mas igualmente resistentes – aproximadamente 200 vezes mais que o aço em relação ao seu peso – e servem também para conduzir eletricidade.

Os cientistas combinaram o grafeno com dispositivos microscópicos de silicone, os MEMS, para produzir um sensor térmico, convertendo sinais de calor em elétricos. "O grafeno não serve apenas como um ótimo transistor e um excelente reforço estrutural em materiais, ele também é um dos melhores para detecção de sinais infravermelhos", explicou Tomás Palacios, engenheiro elétrico do MIT e coautor da pesquisa.

Novo sensor desenvolvido por pesquisadores do MIT é pequeno o suficiente para ser adaptado em smartphones

Em vez de utilizar o sistema de resfriamento, os pesquisadores apenas isolaram o diminuto sensor térmico do restante do dispositivo – utilizando fitas de grafeno para suspender o sensor e permitir que ele captasse o calor.

A câmera conseguiu fazer a leitura de uma mão em temperatura ambiente sem a necessidade de fluídos de resfriamento. Palacios explica ainda que as alternativas vão além da visão noturna, já que muitos produtos que dispõem de reconhecimento de movimentos, por exemplo, poderiam passar a utilizar a detecção de infravermelho, que é mais simples e funciona melhor porque destaca o corpo do resto do ambiente.

Outra possibilidade seria implantar sistemas térmicos transparentes que poderiam ser integrados aos parabrisas dos veículos. "Você seria capaz de utilizar a visão noturna em tempo real, sem atrapalhar o que você está vendo normalmente", concluiu Palacios. O objetivo do grupo agora é melhorar a resolução e a definição das imagens obtidas pelo novo sensor, que não deve ser disponibilizado tão cedo no mercado.

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