Há pouco tempo, o YouTube lançou um novo aplicativo mobile destinado ao público infantil, o YouTube Kids, e já está sendo acusado na justiça norte-americana por conta dele. A plataforma é voltada para as crianças e foi totalmente desenvolvida pensando nelas, inclusive no painel de controle é possível definir filtros para restringir o tipo de conteúdo que pode ser acessado.

Um grupo formado por várias instituições e organizações, incluindo a Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente, a Federação dos Consumidores da América e o Consumer Watchdog, órgão que defende os direitos do consumidor (similar ao PROCON brasileiro), enviou formalmente um relatório à Comissão de Comércio Federal (Federal Trade Commission, ou FTC, em inglês).

A carta contém nada menos que 60 páginas alegando que os vídeos publicitários (anúncios) não seguem à risca os padrões rigorosos que são exigidos para os comerciais de TV. Vale ressaltar que a própria Google possui uma rígida política no YouTube quando o assunto é crianças, proibindo vários gêneros de publicidade, como política, religião, relacionamentos e produtos alimentícios.

“Vídeos educacionais”

No entanto, no YouTube Kids constam conteúdos promocionais que claramente violam tais regras. De acordo com o Washington Post, existe um vídeo do McDonalds de 7 minutos falando sobre o mito da proveniência do Chicken McNuggets.

“Eles estão misturando entretenimento e publicidade de uma forma que é injusta e enganosa para as crianças”, argumentou Dale Kunkel, professor de comunicação da Universidade do Arizona, ao New York Times.

Outro ponto levantado pelo grupo é a questão dos vídeos popularmente conhecidos como “unboxing”, no qual as pessoas aparecem desembalando produtos e briquendos que acabaram de comprar. Atualmente, a prática é bastante comum, mas conforme relatado na carta ao FTC vários desses vídeos estão ligados diretamente (de forma camuflada) a lojas e fabricantes – entre eles, os populares canais da Maker Studios, cuja empresa a Disney detem os direitos.

Para os pais, o aplicativo Youtube Kids deveria servir para proteger os filhos e mantê-los distantes tanto de conteúdo improprio para a idade deles quanto de material publicitário que tenta estimular as crianças a consumirem determinados produtos.

Em nota, um porta-voz da gigante Google declarou: “Estamos sempre abertos a comentários sobre formas de melhorar o aplicativo” e que vários grupos de defesa da privacidade da criança foram consultados durante o processo de desenvolvimento do YouTube Kids. Por enquanto, o serviço está restrito e funciona apenas nos Estados Unidos.

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