Pense por um segundo como foi sua primeira entrevista de emprego (ou primeira prova realmente importante). Como você se sentiu? Aumente isso umas dez vezes para saber como é fazer uma entrevista para um cargo na Google...

Chegando em Mountain View

Dia de ir para a entrevista e o nervoso já toma conta. Quem iria imaginar que eu seria chamada pela Google para comparecer aos escritórios de Mountain View, na Califórnia, para uma vaga de emprego? Pois é, mão suando, coração batendo forte, mas vamos lá!

Entrada para a sede de Nova Iorque

Fonte da imagem: Business Insider

Chegando ao lugar, você percebe porque a Google é o que é. Além das máquinas de fliperama clássicas (sim, elas estão disponíveis para os funcionários), é possível passear de patinetes e nadar em piscinas de bolinhas. Mas claro, o meu objetivo ali era focar na entrevista de emprego, e não me empolgar com o que pode aparecer no caminho até lá.

Ok, eu não ia me empolgar, mas o escritório possui uma seleção completa de petiscos para você escolher e comer à vontade! É agora que o nervoso toma conta e eu tenho um ataque cardíaco no meio do escritório mais famoso do mundo. Muita calma, essa é a chave do sucesso (1, 2, 3 e respira).

Famosa máquina de guloseimas da sede Google de Nova Iorque.

Fonte da imagem: Business Insider

Requisitos necessários

Antes de qualquer coisa, analisei o currículo novamente, em especial por se tratar da Google. Para trabalhar nos Estados Unidos, é preciso manter a nota acadêmica (que aqui chega até 4.0) alta, acima da média.

Além disso, a Google dá preferência para os alunos das chamadas Ivy Leagues, que nada mais são do que as faculdades mais conhecidas e conceituadas do país (Stanford, Yale, Harvard, Brown e outras). Portanto, muita concorrência faz parte do lugar. Uma coisa boa é que eles estão sempre buscando novos talentos, portanto abordam estudantes dentro das universidades, o que é sempre uma ótima opção para quem está em vias de se formar.

A corrida pelo emprego

Eles querem saber se alguma empresa já está interessada na sua “força de trabalho”, ou seja, se você já recebeu ofertas legais de emprego. Portanto, é de se esperar que a entrevista seja uma boa alternativa para separar o joio do trigo, como dizia minha avó (que, aliás, não sabe nem mesmo ligar o computador e não estaria passando por este nervoso).

A entrevista

Depois do cafezinho servido diretamente de uma máquina moderna no meio do local, eis que surge meu entrevistador. Vestido casualmente e parecendo nervoso, ele me leva a uma das salas de reuniões da empresa, cercada de brinquedos LEGO montados nas bancadas.

Ele pode até parecer menos calmo, mas nada iria me preparar para as perguntas que ali seriam feitas. Claro, eu já havia pesquisado todas as informações sobre a Google, como sua história, fundadores, competidores e até mesmo dado uma boa olhada nas perguntas estranhas que eles fazem para os aspirantes a funcionários. Porém, percebi que preparação não significa nada se você não for um novo gênio.

Depois de falar sobre meu currículo, as atividades extracurriculares e meus planos de carreira, o entrevistador avisa que vai perguntar algumas coisas que podem parecer estranhas. Essas questões devem analisar minha capacidade de pensamento analítico – isso mesmo, meu pensamento lógico.

Raciocínio rápido

Nas minhas pesquisas pelo mundo da Google descobri que eles fazem perguntas completamente inusitadas para quem quer uma vaga na equipe. Portanto, sabia que ali vinha complicação para o meu lado.

A primeira pergunta estranha da entrevista foi a mais clássica de todas: “quanto você deve cobrar para lavar todas as janelas da cidade de Seattle?”. Claro, esta é uma questão mais simples, em que a grande sacada é dar a resposta mais simples do que parece ser o esperado. Sem hesitar, respondi “10 dólares”.

O entrevistador simplesmente fez uma cara que eu não consegui definir, quase sem expressão alguma no rosto. E eu, que estava achando que a resposta era boa, acabei ficando com várias pulgas atrás da orelha.

As perguntas mais complicadas do dia

A seguir, ele continuou o questionário com outra pergunta, esta um pouco mais complicada, feita para testar a lógica de raciocínio, além da imaginação para conseguir imaginar a cena descrita:

“Todos os homens de um vilarejo com 100 casais traíram suas esposas. Todas as mulheres da vila instantaneamente sabem quando outros maridos traíram as esposas, exceto a traição do próprio esposo. O vilarejo possui uma lei que não aceita adultérios. Qualquer esposa que possa provar a traição do marido pode matá-lo na mesma hora. As mulheres da vila nunca vão desobedecer esta lei. Um dia, a rainha da vila faz uma visita e avisa que pelo menos um marido foi infiel. O que acontece?”

Veja, quando você possui tempo para pensar em uma resposta para uma pergunta complexa dessas, tudo bem. Entretanto, lá estava eu no meio de uma entrevista de emprego, já sob stress intenso e com um problemão de mulheres casadas com homens adúlteros em minhas mãos.

A resposta veio como uma luz no final do túnel, depois de quase 10 minutos pensando sobre o assunto, dei a resposta “todas matam seus maridos após 99 dias.” O entrevistador pediu uma explicação de como cheguei a esta conclusão:

“O raciocínio para essa questão deve ser feito de forma recursiva: uma vez que as mulheres sabem que existe um marido que trai, a reação é em cadeia. Presumindo que houvesse apenas um marido que traia (o que não é o caso), se a esposa não tem conhecimento de outra traição dos outros maridos, pode matar o seu imediatamente. Se existirem dois casos, a esposa sabe da traição do marido da outra moradora da vila e precisa esperar apenas um dia para concluir que seu marido é aquele que trai (já que nenhum marido foi morto no dia do anúncio).”

Genial, não?! Pois tente pensar nisso sob pressão, no meio de uma entrevista. Para trabalhar na Google, resolver uma questão desse porte deve ser natural, uma vez que você estará sempre criando e resolvendo os problemas mais inusitados.

Modo de pensar do Google

Para você ter uma ideia de como as mentes dos desenvolvedores Google funcionam, o exemplo está aí. Outro dia, a Google publicou um vídeo sobre o Chrome OS, novo sistema operacional nas nuvens da empresa. Durante o vídeo, você conseguia visualizar uma equação matemática, que atribuía valores às letras C, H, R, O, M, G.

Imagem da equação que aparece no vídeo logo abaixo

Fonte da imagem: Google

Uma equipe da comunidade musical Jamendo resolveu o problema, encontrando o resultado “X = 900.91/191605050401140404051920181525 ~= 4.7*10^-27”. Atribuindo letras aos números resolvidos, a equipe chegou ao link goo.gl/speedanddestroy. Ao acessar o site, eles foram os ganhadores de um notebook Chrome Cr-48, um laptop exclusivo para usuários selecionados (o link já foi desativado).

Com toda sinceridade, eu NUNCA ia pensar em resolver um problema que aparece apenas alguns segundos no meio de um vídeo promocional. Mas veja, essa é a forma de pensar dos caras e aquilo que eles valorizam em um funcionário. Para trabalhar na Google, você deve ser capaz de realmente mudar o mundo.