A Google representa um verdadeiro império na internet, e isso não é segredo para ninguém. Ainda que a companhia seja responsável por muitos dos anúncios fomentados por cliques, existe uma vulnerabilidade "oculta" nesse processo, pois nem todos os cliques podem vir de seres humanos. Para combater essa fraqueza, a companhia aumentou seu arsenal ao anunciar a compra da Spider.io, que detecta e elimina cliques fraudulentos.

A referida empresa fica em Londres e já atua no mercado há três anos no combate a esse tipo de fraude. Uma equipe de sete profissionais seria responsável pela manutenção de todo o processo, incluindo um perito em inteligência artificial e processamento de linguagem natural. Os detalhes do acordo não foram divulgados, talvez pela natureza do assunto delicado.

Neal Mohan, executivo da DoubleClick, um provedor de serviço digital de publicidade da Google, declarou que “a prioridade imediata é incluir o detector de fraudes Spider.io em nossos vídeos e exibir produtos de anúncios”, endossando a funcionalidade da ferramenta e pondo confiança no trato, o qual, no longo prazo, serve para “melhorar todo o ecossistema da publicidade digital”, de acordo com Mohan.

Outro que manifestou apoio à negociação foi Tom Phillips, chefão da empresa de publicidade digital Dstillery. Em entrevista ao The Financial Times, o executivo disse que o Spider.ios é “um dos líderes em encontrar e ajudar companhias em todos os estágios que envolvem a fraude”. O suposto golpe virtual, numa estimativa grosseira, custaria aos anunciantes US$ 10 bilhões anualmente.

Expondo malwares e outras atividades maliciosas

No ano passado, o Spider.io expôs o malicioso “Chameleon”, que teria gerado milhares de cliques fraudulentos em anúncios, culminando em rombos financeiros enormes aos anunciantes em mais de 200 sites.

À época, o próprio Spider.io revelou que as visualizações falsas nos anúncios – algo que até incluiu movimentos simulados do cursor – contaram em mais da metade de todas as visitas a alguns desses sites. O detector descreveu vários tipos de cliques fraudulentos, mas é claro que, em função da natureza da internet, muitos ainda estão por aí à solta.

Em um tipo, por exemplo, os browsers “clicam” em anúncios sem o conhecimento do dono de um computador invadido. Foi exatamente isso que o Chameleon fez. Em outro tipo, janelas pop-up e anúncios ocultos em páginas da web fazem com que os usuários inadvertidamente cliquem sobre eles em vez de fazerem outra coisa.

Houve também uma série de plug-ins expostos pelo Spider.io que inseriam uma camada de anúncios extras em vídeos do YouTube. Resta torcer para que a aquisição do detector pela Google melhore ainda mais a saúde da internet e dos anunciantes digitais nela inseridos.

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