Não uma novidade para ninguém que a Google é uma empresa gigantesca. Dona de inúmeros produtos e serviços que são utilizados por milhões de pessoas todos os dias, a companhia precisa de um verdadeiro batalhão de máquinas e pessoas para lidar com toda a demanda de seus clientes.

Mas quão grande é a estrutura que sustenta todo o ecossistema da Gigante das Buscas? Neste artigo, vamos explorar a monstruosa rede de servidores que a Google utiliza para gerenciar todos os seus produtos e serviços, bem como controlar boa parte da internet. Preparados para essa viagem surpreendente?

Um pouco de história

Sediada na cidade de Mountain View, Califórnia (Estados Unidos), a Google foi fundada pela dupla Larry Page e Sergey Brin em 1998. Desde o princípio, o objetivo declarado da empresa sempre foi "organizar a informação mundial e torná-la universalmente acessível e útil".

O objetivo declarado da empresa sempre foi organizar a informação mundial e torná-la universalmente acessível e útil

Durante seus mais de 17 anos de vida, a Google já foi responsável por diversos produtos que hoje fazem parte do nosso dia a dia digital. Outros, porém, foram esquecidos pelo tempo, mas tiveram grande relevância no passado. Entre os mais importantes, podemos mencionar o Gmail, o Google Search, o YouTube, o Google Chrome, o Blogger, o Orkut (descontinuado), o Google Maps, o Google Tradutor, a linha de dispositivos Nexus, o Google+ e o sistema operacional Android.

Desde meados de 2015, a Google passou a fazer parte de uma holding chamada Alphabet, que agrupa muitas outras empresas debaixo de um mesmo "guarda-chuva". Entre as companhias que fazem parte dessa rede, estão a Calico, a Capital, a Fiber, a própria Google Inc., a Hooli (empresa fictícia da série da HBO, que faz referência à Google), a Life Sciences, a Nest, a Ventures e a X lab.

A estrutura da Alphabet

Abertura das portas

Em seus primeiros anos de vida, a Google não era uma empresa que tinha o costume de mostrar o seu funcionamento interno. Por conta disso, tínhamos pouco acesso às "entranhas" da companhia que já era referência em tecnologia nos primeiros anos do segundo milênio. Porém, tudo começou a mudar a partir de 2009, quando a Gigante das Buscas resolveu abrir as portas para o mundo e mostrar um pouco dos seus imensos data centers.

Naquele ano, a empresa divulgou um dos primeiros vídeos que mostrava o funcionamento de seus servidores baseado em containers, revelando uma pequena parte de seu império de dados. O comunicado foi realizado durante uma conferência sobre eficiência em data centers, na qual a Google demonstrou detalhes das práticas usadas para alcançar melhor o uso de energia e resfriamento de suas máquinas. Diferente do que acontece com outras grandes companhias de tecnologia, é a própria Google que desenha e constrói seus servidores.

Para termos uma noção da magnitude da estrutura dessa empresa, em 2010 ela revelou que possuía mais de 1 milhão de servidores espalhados nos milhares de data centers ao redor do globo. Esses mais de 3 milhões de supercomputadores eram capazes de processar – naquela época – mais de 1 bilhão de solicitadores de pesquisa e 20 petabytes de dados gerados por usuários todos os dias. Agora imagine o quanto essa estrutura não precisou crescer para acompanhar a demanda dos dias atuais.

Passeio virtual

Em 2012, a Google deu mais um passo gigantesco em direção à transparência ao liberar a "entrada" para dentro de um dos maiores data centers que a empresa possui. O tour virtual por meio do Google Street View foi notícia aqui no TecMundo e permitia a qualquer pessoa do mundo dar um passeio por dentro do centro de dados de Lenoir, no estado da Carolina do Norte (Estados Unidos).

Junto com o passeio virtual – que você pode acompanhar através deste link –, a Google também liberou um vídeo mostrando esse grande passo em direção à transparência. Da sala de rede até as torres de resfriamento fora das instalações principais, os usuários puderam (e ainda podem) explorar as diferentes áreas de um data center da Gigante das Buscas em um tour guiado virtualmente.

Onde mora a internet?

Os esforços da Google para revelar como funciona toda a gigantesca estrutura que praticamente acomoda a internet que utilizamos todos os dias foram além. Uma página especialmente desenvolvida pela empresa mostra detalhes sobre os oito principais data centers espalhados pelo mundo. Confira a seguir:

1. Berkeley Contry, Carolina do Sul (Estados Unidos)

Berkeley Contry, Carolina do Sul (Estados Unidos)

"Aqui, em Berkeley County, tentamos retribuir à comunidade com algo mais do que empregos. Investimos mais de meio milhão de dólares em escolas locais e organizações sem fins lucrativos e instalamos WiFi gratuito na região central de Goose Creek. Em junho de 2012, sediamos a Googlefest nas proximidades de Charleston para ajudar organizações sem fins lucrativos, pequenas empresas e educadores a usarem toda a variedade de ferramentas do Google."

2. Council Bluffs, Iowa (Estados Unidos)

Council Bluffs, Iowa (Estados Unidos)

"Tentamos sempre melhorar a forma como administramos nossos centros de dados buscando inovações em eficiência e controle de qualidade. Aqui em Council Bluffs, Iowa, encontramos uma maneira de usar energia renovável comprando eletricidade de uma fazenda eólica próxima. Isso ajuda a apoiar as iniciativas ambientais locais e reduzir nossa pegada geral."

3. The Dalles, Oregon (Estados Unidos)

The Dalles, Oregon (Estados Unidos)

"Aqui, entre as colinas onduladas do Oregon, os picos nevados e o rio Columbia, disponibilizamos os produtos e serviços do Google para o mundo inteiro. O local do data center em The Dalles foi escolhido por seu clima ameno e acesso à energia hidrelétrica. Nossa equipe continuou esse pensamento ecológico e iniciou uma horta comunitária em um canto do terreno."

4. Douglas County, Geórgia (Estados Unidos)

Douglas County, Geórgia (Estados Unidos)

"O Google vem trabalhando há anos para otimizar nossos projetos de data centers, minimizando o impacto ambiental. Um bom exemplo disso está nas instalações de Douglas County, no estado da Geórgia, onde construímos uma unidade de processamento de água e uma estação de tratamento de água para garantir que nosso consumo não tire a água potável da comunidade local."

5. Hamina, Finlândia (Europa)

Hamina, Finlândia (Europa)

"Tivemos a incrível oportunidade de recuperar uma antiga fábrica de papel em Hamina, Finlândia, e usar a infraestrutura existente para construir um centro de dados. O grande terreno fica de frente para o belo Mar Báltico e consegue usar a água do mar sem tratamentos, conduzida por um túnel preexistente, para resfriar nossos servidores naturalmente. Após o processo de resfriamento, dissipamos o calor restante e misturamos com mais água do mar antes de usarmos para o resfriamento novamente."

6. Lenoir, Califórnia do Norte (Estados Unidos)

Lenoir, Califórnia do Norte (Estados Unidos)

"Uma das razões pelas quais o Google escolheu a cidade de Lenoir, na Carolina do Norte, foram suas raízes como uma cidade industrial no setor de móveis. Como as fábricas de móveis usavam muita eletricidade, conseguimos reutilizar grande parte da infraestrutura de energia existente. Lenoir agora é a casa da internet, mas também dos funcionários de nosso data center. Por isso, doamos mais de 350 mil dólares em subsídios e fornecemos mais de 2 milhões em publicidade gratuita para as organizações sem fins lucrativos locais. Também investimos em diversas iniciativas ambientais, incluindo um projeto para transformar dejetos de suínos em energia renovável."

7. Mays County, Oklahoma (Estados Unidos)

Mays County, Oklahoma (Estados Unidos)

"Em nosso centro de dados em Pryor, Oklahoma, criamos fortes laços com a comunidade Cherokee. Geramos mais de 100 empregos e fizemos doações para as escolas locais para ajudá-las a melhorar seus equipamentos e manter os alunos acima da média."

8. St. Ghislain, Bélgica (Europa)

St. Ghislain, Bélgica (Europa)

"Nosso data center na Bélgica é famoso por ser o primeiro a operar sem refrigeradores de água. Isso porque conseguimos usar o clima para resfriar a água sem energia elétrica em um processo chamado "free cooling" (refrigeração gratuita). Além disso, o centro de St. Ghislain possui uma estação de purificação de água que permite que a água de um canal industrial próximo seja usada em vez do sistema de abastecimento da cidade."

Muito longe de compreendermos tudo

Embora a Google tente de todas as formas mostrar para o mundo a magnitude de sua estrutura gigantesca, nós provavelmente jamais conseguiremos mostrar – e compreender – o verdadeiro tamanho dessa empresa. Não há dúvidas de que ela é uma das maiores companhias do setor de tecnologia, e hoje passamos a entender um pouco melhor como ela funciona.

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