A Google acredita que a linha Nexus cumpriu o seu propósito na indústria de smartphones Android. Ela tinha a missão de guiar as fabricantes pelo “caminho certo” no que diz respeito a software. Dá para dizer que a empresa conseguiu convencer todas as suas parceiras de que a sua concepção do Android era a mais adequada para o usuário, e eventualmente a maioria delas passou a seguir os padrões de design originais do Robô, mesmo que com interpretações diferentes.

O primeiro smartphone desenvolvido totalmente pela criadora do Android, tanto no software quanto no hardware

Considerando esse movimento, a Google percebeu que não precisava mais ser a mãe que leva as crianças pela mão e resolveu seguir o sua trajetória de forma mais independente. Esse caminho foi o Google Pixel, o primeiro smartphone desenvolvido totalmente pela criadora do Android, tanto no software quanto no hardware.

Infelizmente, esse aparelho não está à venda no Brasil e nem deve chegar ao nosso país, dado que desde o LG Nexus 5, de 2013, a empresa não traz mais seus dispositivos ao mercado nacional. De qualquer forma, é possível comprar um Pixel ou Pixel XL no exterior e trazer para cá sem maiores preocupações. O modelo norte-americano desbloqueado (G-2PW4100) funciona sem problemas na nossa rede 4G LTE.

Seja como for, o Pixel tem um potencial enorme de ser um novo marco para a indústria de smartphones, o que talvez redefiniria esse segmento. Mas a pergunta que temos é: será que ele é bom o suficiente para carregar toda essa responsabilidade nas costas? O celular da Google certamente não é perfeito, mas a gente vai mostrar como ele chega perto disso, ao passo que também se distancia.

Desempenho

É difícil encontrar um smartphone com desempenho melhor do que o do Google Pixel por aí. O celular conta com um processador superatual da Qualcomm, o Snapdragon 821, combinado com 4 GB de RAM e um sistema bastante otimizado. Isso faz o Pixel ser extremamente fluido para uso cotidiano. A sensação do Android aqui é basicamente a que você tem em um iPhone novinho.

O aparelho também mostra seu poder ao lidar com jogos pesados, como FIFA Mobile. Você consegue ainda editar imagens RAW no Lightroom sem nenhum problema de desempenho. Portanto, não é necessário dizer que jogos mais intermediários, como Horizon Chase e PinOut! não fazem nem cócegas nas capacidades computacionais e gráficas do Pixel.

Tudo isso só foi possível porque a Google teve pela primeira vez a chance de controlar toda a construção do hardware, qualidade de fabricação e produção do software. Assim, o smartphone consegue dar conta das mesmas coisas que seus concorrentes, mas de uma maneira mais natural, sem momentos de lentidão ou pequenas travadinhas. Dê uma olhada agora nos benchmarks.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Google Pixel a três aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 6 e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

O teste Ice Storm Unlimited do 3D Mark é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 6 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior ela for, melhor é o desempenho.

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML 5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no segundo, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Design

O Design do Pixel não chama muita atenção, e a gente imagina que essa deve ter sido a prioridade da Google; fazer um smartphone bem neutro. O único elemento que o faz se destacar um pouquinho é essa “janela de vidro” na traseira. Ela provavelmente serve para ajudar na tradição de sinal de celular, bem como de NFC e outros.

Seu design não foi feito para impressionar ninguém

Ao mesmo tempo, ela oferece um destaque interessante para o smartphone, que poderia ser bem mais sem graça caso fosse completamente de metal. Não nos entenda mal, o Pixel não é feio. Longe disso. Só estamos falando que seu design não foi feito para impressionar ninguém, como é o caso dos smartphones top de linha da Samsung.

Essa tal janela ainda conta com um buraco para o leitor de impressões digitais, que tem uma superfície quase tão brilhosa quanto a do vidro. Ele é muito rápido e preciso, e o posicionamento na parte de trás é bem confortável. Ainda temos a câmera e o flash, que estão completamente rentes com a superfície. Ou seja, não há protuberância alguma, como nos Moto Z, Galaxy S7 ou iPhones 7.

Apenas três coisas nos incomodaram

A carcaça tem algumas linhas de antenas, mas elas estão bem disfarçadas. Na parte do fundo, há duas aberturas que parecem abrigar os alto-falantes, mas só uma delas de fato serve para tal. Ou seja, o som do Pixel é mono. A qualidade, entretanto, é bem interessante e nos surpreendeu um pouco. Há ainda uma entrada USB-C 1.0, que é equivalente à USB 3.0.

Na parte do design, apenas três coisas nos incomodaram. Os botões de volume e energia parecem meio frouxos, e a sensação ao apertá-los não é tão premium. Isso é algo bem desimportante, mas vale a pena ser comentado. Outro detalhe é o fato de haver bordas muito grandes em volta da tela, especialmente acima e abaixo dela. Esse “queixo” não tem qualquer utilidade. Por fim, o fato de ele não ser à prova d’água nem resistente ao líquido é um tanto decepcionante.

Por outro lado, a textura do metal no qual o Pixel é construído é bem diferente do que já vimos em iPhones e outros dispositivos de carcaça metálica. Por isso, o Pixel não escorrega tão fácil da mão quanto os smartphones da Apple, por exemplo. Mas, ainda assim, ele continua mais liso do que deveria.

Tela

A tela do Pixel foi uma grata surpresa em nossos testes. Estamos falando de um display “pequeno”, de apenas 5,0’’ e resolução Full HD. A combinação dessas medidas torna a densidade de pixels bem alta (441 ppi) e isso ajuda a fazer com que essa tela seja uma das mais vívidas entre smartphones desse tamanho. O nível máximo de brilho é bem interessante, e você consegue ver tudo que aparece no display mesmo sob a luz forte do Sol. Contudo, essa característica do Pixel não se compara ao que já vimos em smartphones da Sony, por exemplo.

Outro ponto positivo para a tela é o padrão AMOLED, que oferece contraste altíssimo e reprodução muito fiel para as cores. Portanto, pretos são realmente pretos e coisas coloridas ficam com um aspecto muito vivo e bonito. Para completar o pacote, os ângulos de visão são muito amplos, o que torna o Pixel ideal para consumir vídeos e jogos.

A versão maior do Pixel, o Pixel XL, por sua vez, tem um display mais avantajado e uma resolução bem mais alta, 2K. Isso quer dizer que o smartphone grande é mais adequado para realidade virtual, ao passo que o Pixel comum pode não oferecer uma experiência tão realista.

Software

O software do Pixel é o seu maior ponto positivo. Estamos falando da versão mais atual do Android com a garantia de suporte duradouro da própria Google. Portanto, dá para usar esse smartphone por três anos ou até mais, sempre com a versão mais nova do Robô.

Vale destacar, entretanto, que o celular vem com a interface Pixel Launcher, que não é a mesma do “Android Puro” que estamos acostumados a ver em aparelhos Nexus, Moto e Quantum. Há algumas diferenças, mas a estrutura geral continua a mesma. Para acessar a gaveta de apps, por exemplo, você precisa fazer um gesto arrastando o dedo de baixo para cima na tela, em vez de apertar um botão fixo.

Essa e outras pequenas alterações tornaram o sistema mais simples e prático de usar

A princípio, eu, Leonardo Müller, não tinha gostado muito dessa ideia, vendo em fotos e vídeos por aí. Mas, ao utilizar o Pixel no meu dia a dia, foi possível perceber o que a Google pretendeu fazer com isso. Essa e outras pequenas alterações tornaram o sistema mais simples e prático de usar. Além do mais, visualmente, essa nova interface me parece mais agradável.

Minha única ressalva é com o fim da barra de busca permanente no topo de todas as telas iniciais. No Android Puro, a pesquisa da Google está sempre presente. No Pixel, o widget que dá acesso a ela só é visível na primeira. Isso gera mais espaço nas outras telas para colocar mais ícones e outros elementos, mas, a meu ver, não foi uma boa mudança.

De resto, eu gostei bastante do novo esquema de cores, que substitui os detalhes verdes por azul em muitos elementos, e a possibilidade de baixar a área de notificações com um movimento no sensor de digitais é bem interessante. Há ainda outras coisas do tipo que dá para configurar no Pixel, como o toque duplo no botão de energia para abrir a câmera rapidamente.

Google Assistente

Mas o que realmente brilha no software do Pixel é o Google Assistente, um software de inteligência artificial que consegue auxiliar o usuário em uma série de coisas, desde a criação de lembretes e busca de endereços até a eliminação de dúvidas em uma conversa contextual.

O Pixel consegue “se lembrar” do que você perguntou ou pediu anteriormente e dá novas respostas considerando o contexto

O que a gente quer dizer com “conversa contextual” é que o Pixel consegue “se lembrar” do que você perguntou ou pediu anteriormente e dá novas respostas considerando o contexto. Por exemplo, você pode perguntar onde fica o restaurante Madalosso e, em seguida, receber um mapa com ele marcado. Se você disser na próxima interação “até que horas ele fica aberto?”, o Assistente vai entender que você ainda está se referindo ao Madalosso e vai trazer o horário de atendimento do estabelecimento em questão.

Isso vale para praticamente tudo, e é basicamente o que torna o Assistente tão especial; mais humano e menos robótico. Concorrentes como Siri, Cortana e até mesmo a Alexa, da Amazon, estão muito atrás nesse tipo de interação e muito mais em funcionalidade. O Assistente herdou todas as capacidades do Google Now e ganhou mais um bocado. Ele é sem dúvidas o melhor software do tipo que temos hoje em um smartphone.

Certamente, há algumas limitações, mas o Assistente sempre tenta responder o que você perguntou da melhor forma possível. Você pode inclusive pedir para ele enviar mensagens pelo WhatsApp ou outro mensageiro para pessoas específicas. O reconhecimento de voz é superpreciso e ele repete o que você disse antes de mandar. Enfim, há muito o que explorar nessa aplicação.

O grande problema é que ele não funciona em português por enquanto. Se você deixar o nosso idioma como língua primária do smartphone, o Assistente deixa de funcionar e a argolinha junto com os efeitos coloridos somem do botão home. Mas existe esperança: o Assistente do Allo, o mensageiro da Google, já dá suporte à nossa língua. Por isso, podemos imaginar que o software do celular também dará em breve. Note que isso é apenas uma especulação e não temos qualquer confirmação oficial a esse respeito.

Câmeras

Junto com o software, a qualidade das câmeras do Pixel torna esse smartphone algo especial. As fotos que você faz com elas são quase sempre impressionantes: foco absurdamente preciso e rápido, representação das cores bem fiel à realidade e controle de exposição capaz de balancear áreas bem escuras e outras bem claras sem perda de informação.

No geral, as fotos do Pixel são sempre muito boas, e muitas delas ficam melhores do que as feitas com o Galaxy S7 ou iPhone 7, por exemplo. Essa qualidade toda tem sim a ver com o sensor de 12 MP com abertura f/2.0, mas o mérito disso é do processamento de imagem que a Google embarcou nesse dispositivo.

Por padrão, o app de câmera sempre aplica o HDR+ em todas as fotos, e isso ajuda bastante. Mesmo assim, a captura é bem rápida e você pode ver suas fotos em instantes. O software é bem simples em sua interface, mas tem alguns controles para serem usados em situações mais desafiadoras. Contudo, você tem mais chances de conseguir a “foto perfeita” no modo automático.

As fotos que ele faz à noite são muito boas também

Fazer boas fotos sob a luz do sol é moleza e qualquer intermediário consegue bons resultados nessa condição. Mas o Pixel é excelente também para imagens em ambientes fechados, com iluminação artificial, e os registros que ele faz à noite são muito bons também. Nesse horário, entretanto, o foco fica menos preciso e você pode ter alguns resultados meio tremidos.

A câmera frontal, para selfies, também tem uma qualidade similar. Claro que ela não é tão rápida nem tão boa para fotos noturnas, mas quebra um “super galho” no dia a dia. Antes de usar o Pixel, meu smartphone cotidiano era o Nexus 6P, que também tem um excelente desempenho à noite com ambas as câmeras. Contudo, o Pixel conseguiu deixar claro que consegue fazer algo ainda mais interessante e sem apelar para a saturação demasiada.

Bateria

O pixel certamente tem uma autonomia de bateria aceitável. Dá para usá-lo moderadamente um dia inteiro e só ter que carregar no fim da noite. Em uso moderado, você pode deixar para plugar só no outro dia, sem problemas. Mas isso é fruto da otimização do Android Nougat para quando o celular fica ocioso, o famoso modo Doze. Isso quer dizer que, quando você o deixa na mesa sem usar, ele entra em um estado de economia de energia bem profundo, mas consegue retomar suas atividades normais de forma praticamente instantânea.

Isso é ótimo para o dia a dia, mas o Pixel conseguiu uma marca bem mediana em nosso teste de estresse de bateria. Foram apenas 5h30 executando de forma contínua um vídeo no YouTube com WiFi ligado e brilho na tela no máximo para esgotar 100% da carga. Smartphones da Apple, Samsung e Motorola conseguiram marcas bem maiores nesse teste, mas, no dia a dia, ficaram iguaizinhos ao Pixel.

Isso revela que, para uso intenso, a autonomia do Pixel é mediana. Mas, no dia a dia, ele se compara e, às vezes, supera seus principais concorrentes.

Vale a pena?

No mercado norte-americano, ele é considerado caro

Como a gente já explicou, o Pixel não é vendido oficialmente no Brasil. Nos EUA, entretanto, ele custa US$ 649 desbloqueado em sua versão básica com 32 GB de armazenamento. Sem contar impostos, isso dá cerca de R$ 2.100, uma verdadeira bagatela se formos considerar os preços dos smartphones top de linha aqui no Brasil. Contudo, no mercado norte-americano, ele é considerado caro. Isso porque aparelhos com hardware similar, como o OnePlus 3T, custam US$ 200 a menos e oferecem uma experiência muito similar. Ah, e esse modelo da OnePlus ainda tem 50% mais RAM que o Pixel.

Por outro lado, as câmeras do dispositivo da Google são muito superiores e não dá para se esquecer do Assistente. Em miúdos, podemos dizer que a fabricante quis colocar seu smartphone em pé de igualdade com o iPhone 7, que foi lançado praticamente na mesma época e sai pelo mesmo preço na condição de desbloqueado.

O iPhone 7, na verdade, é o melhor aparelho para fazer uma comparação com o Pixel, já que tem praticamente a mesma idade, qualidade de construção similar e experiência de software bem fluida. Contudo, eu acredito que o Pixel seja uma opção mais interessante para quem tem uns dois mil reais para importar algum aparelho dos EUA, seja com você mesmo ou na viagem de algum amigo.

Isso porque o Android é mais versátil que o iOS, e como se trata de um aparelho da própria Google, você nunca vai se sentir frustrado com a demora para receber atualizações. Além do mais, o Assistente é bem mais útil e inteligente que a Siri. Com sorte, a gente poderá usá-lo em português em breve.

O que queremos dizer com isso é que, apesar de ser mais caro que um OnePlus 3T — que é também um ótimo celular —, o Pixel oferece um pacote de benefícios mais completo. Ele tem um design neutro e construção de qualidade, ótimas câmeras e desempenho exemplar, além de um software que realmente faz a diferença e o destaca entre outros dispositivos da mesa faixa de preço.

Por isso, se você está de malas prontas para a terra do tio Sam ou tem algum amigo que vai fazer uma visita por lá, a melhor opção de smartphone para trazer é o Pixel mesmo.

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Perguntas dos leitores

Ele vem com Android Puro?

Depois do lançamento do Pixel, definir o que é Android Puro ficou um pouco complicado. A empresa afirmou que essa nova interface, Pixel Launcher, será exclusiva dos seus dois novos aparelhos, mas não deixou claro se vai continuar desenvolvendo a interface antiga, que vimos em aparelhos Nexus, Moto e Quantum. Por enquanto, entretanto, a gente pode dizer que o Pixel tem sim o Android Puro, mas vem com um launcher exclusivo.

Dá para colocar o Pixel em português mesmo ele vindo de fora?

Sim. Basta mexer nas configurações de idioma do Android. Contudo, ao fazer isso, o Google Assistente fica desativado, pois ele só funciona em inglês no momento. Espera-se que isso mude em breve, uma vez que a versão desse software presente no Allo já suporta nosso idioma.

Como é o fone de ouvido?

Ele não vem com fone de ouvido, mas tem uma conexão de 3,5 mm para conectar fones comuns.

Tem resistência à água?

Não. Esse é um dos pontos fracos desse smartphone, já que a maioria dos concorrentes importantes na sua faixa de preço é à prova d’água ou pelo menos resistente.

Vale a pena comprar o Pixel em vez do Nexus 6P?

Na minha opinião, vale sim. Eu tenho um Nexus 6P e estou querendo adquirir um Pixel. Apesar de o 6P ter uma tela maior e mais bonita, a do Pixel também é muito boa. As câmeras trazem resultados melhores e o desempenho no aparelho novo é bem superior, especialmente depois que o 6P recebeu uma série de atualizações.

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