Sergey Brin: "Primeiro a funcionalidade e o conforto, o estilo vem depois" (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Quem perambular pelas dependências da feira Google I/O pode bem se deparar com uma ou duas celebridades do desenvolvimento de parafernálias. Sergey Brin, por exemplo, pode ser encontrado no meio de um mar de celulares gravando, enquanto acrescenta uma ou duas observações relacionadas ao último grande divisor de águas da Google, o alardeado Glass.

Em entrevista ao site Slash Gear, o desenvolvedor falou da relativa dificuldade de se gravar um vídeo estável — considerando os movimentos naturais da cabeça —, e também deixou claro: a versão disponibilizada durante o evento é apenas preliminar, destinada a desenvolvedores, sobretudo.

Ao final de um extenso feedback — que deve incluir reformulações visuais —, o resultado deve ser o modelo acabado, pronto para chegar às prateleiras em algum momento do ano que vem.

Filmagens estáveis

Talvez isso não seja tão óbvio logo de cara. Mas há um pequeno descompasso, a prinípio, entre o que é apregoado pela Google para o Glass e a forma como os resultados podem ser efetivamente obtidos — isso durante a gravação de um vídeo, por exemplo.

Afinal, as propagandas mostram pais com sorriso de propaganda de margarina brincando sorridentes com seus filhos, enquanto os óculos célebres da empresa registram tudo de forma bastante sutil. A questão é: como conseguir filmagens que não sejam, a todo o momento, alteradas pelos movimentos naturais do corpo?

Tente gravar sem movimentos de "sim" e "não" com a cabeça. Mas a solução está a caminho. (Fonte da imagem: Divulgação/Google)

Pense em uma conversa, por exemplo, em que balançar a cabeça em concordância é algo bastante recorrente (dependendo de quem seja o seu interlocutor). “Fiquem ligados, nós teremos alguns programas para ajudá-los com isso”, afirmou Brin, em entrevista ao referido site.

De fato, a estabilização de imagens por software é algo já bastante comum em uma grande variedade de smartphones — de maneira que um sistema similar pode mesmo estar nas mangas da Google. E o Glass também vem equipado com diversos sensores e giroscópios, boa parte deles utilizada apenas parcialmente nessa primeira versão do aparato.

“Work in progress”

Não é à toa que o Google Glass ainda não foi disponibilizado para o grande público: ele ainda não foi completamente arrematado. De fato, conforme esclareceu o desenvolvedor, a edição preliminar levada ao evento é destinada, sobretudo, a desenvolvedores.

A ideia da Google é colher uma boa dose de feedback, transformando-os possivelmente em alterações para, por fim, colocar o Glass nas prateleiras em algum momento do ano que vem. E isso tanto do ponto de vista funcional como estético.

“Questões estéticas serão decididas depois”

O Google Glass é uma ferramenta tão incrivelmente inovadora que, convenhamos, a maior parte de nós não pensa em como, exatamente, aquilo vai se assentar na cabeça. Ao ser perguntado pelo Slash Gear sobre a questão, Brin foi direto: isso é preocupação para depois.

Versão terminada não deve se parecer com um protótipo saído do desenho Futurama (Fonte da imagem: Divulgação/Google)

“Nós bolamos algumas maquetes funcionais”, disse ele. “Mas a maioria do que fizemos foi modelos feios e pesados — o estilo vem depois disso”. Mas, não, a ergonomia aparentemente não vai pra um segundo plano. “Logo no início nós percebemos que o conforto era uma questão bastante importante, o que nos levou à decisão de fabricar um monóculo”, explica o executivo.

Ele continua: “Nós também tomamos a decisão de não obstruir o campo de visão (...). Será confortável portá-lo durante todo o dia? São várias decisões difíceis de tomar, e que envolvem determinar prioridades”. Enfim, é de se esperar, portanto, que em 2014 você tenha um par de óculos com estilo, conforto e capaz de gravar um vídeo sem movimentos involuntários.

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