Quando a Samsung apresentou ao mundo o novo Galaxy Note 5, os fãs da marca que já tiveram algum modelo anterior da linha Note ficaram confusos. O novo phablet simplesmente tinha perdido alguns dos recursos que mais os interessavam: bateria removível, espaço para cartões de memória e infravermelho.

Ao mesmo tempo, entretanto, a coreana conseguiu a atenção de várias outras pessoas para o seu produto, que agora é muito mais atraente para o público geral.

Com essa mudança de estratégia, a empresa pode ter “matado” a tradição da sua linha Galaxy Note, mas pode também ter conseguido algo inédito: tornar um aparelho Android grandalhão e com canetinha stylus desejado pelo consumidor médio, que normalmente gosta de aparelhos mais compactos e menos complexos.

Claro que isso não é garantia de sucesso, especialmente pelo fato de estarmos falando de um dispositivo caro. Mas será que vale a pena dispender tantos reais no mais novo top de linha premium fabricado pela Samsung?

Design

Não podemos negar que o design do Note 5 é o que mais impressiona no aparelho em um primeiro momento. O aparelho é um phablet muito bom de segurar e realmente não parece tão desconfortável na mão quanto qualquer outro modelo de tamanho similar. Ele é muito mais compacto que o iPhone 6s Plus, por exemplo, e tem uma tela 0,2’’ maior. Ou seja, a taxa de ocupação da face frontal pela tela é muito melhor no telefone da Samsung.

Deixando esse aspecto mais dimensional de lado, vamos discutir o visual deste phablet. A linguagem de design é praticamente a mesma inaugurada no Galaxy S6, mas o Note 5 se parece mais com o S6+, possuindo uma peculiaridade. Em vez de ter a tela curvada nas bordas, a traseira do aparelho é que tem essa característica. Isso o torna muito mais fácil de segurar.

Podemos dizer também que este é o aparelho Android mais bonito já lançado pela Samsung no seu conjunto. O aspecto espelhado dele, especialmente na cor cinza que recebemos para testes, é muito agradável. Ele reflete um pouco de luz, mas não diretamente, e você não consegue “pentear o cabelo” olhando para o dispositivo, já que não se trata de um espelho de fato.

Na parte da frente, quase não temos bordas laterais, o que torna o aparelho bem compacto e realmente bonito. Apesar disso, não é tão fácil assim fazer toques acidentais nas laterais da tela como poderia parecer. Por fim, esse corpo todo coberto em vidro e metal fosco torna o conjunto um tanto liso, mas ele é menos escorregadio do que aparelhos feitos todos em metal, por exemplo.

Desempenho

O Galaxy Note 5 traz um processador fabricado pela própria Samsung chamado Exynos 7420, que é basicamente o chip octa-core de melhor desempenho da atualidade. Fora isso, ele traz 4 GB de RAM e uma GPU top de linha. Com isso, você pode ter certeza de que tudo que há na Google Play vai rodar com tranquilidade nesse dispositivo.

Em nossos testes cotidianos, pudemos notar que essas especificações realmente fazem a diferença. Tudo roda com muita suavidade, e você pode alternar entre apps pesados sem ter que recarregá-los o tempo todo. Isso é muito interessante para quem precisar lidar com várias janelas do navegador ou apps de redes sociais simultaneamente. Em suma, você fica com seu conteúdo sempre disponível em segundo plano.

Vale notar que o Note 5, assim como todos os top de linha da Samsung, permite abrir mais de um app ao mesmo tempo e dividir a tela. Em nossos testes, todos os aplicativos compatíveis com esse recurso funcionaram perfeitamente bem.

Rodamos também alguns jogos mais exigentes, como Batman Arkham Origins e Real Racing 3, e o dispositivo conseguiu entregar máxima performance sem problemas. Confira agora os resultados nos benchmarks.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Note 5 a cinco aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 5, Basemark X, GFX Bench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

3D Mark (Ice Storm Unlimited)

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

AnTuTu Benchmark 5

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 4 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Basemark X

O Basemark X tem como foco principal mensurar a qualidade gráfica dos dispositivos. Baseado na engine Unity 4, o app aplica testes de alta densidade, mostrando qual dos aparelhos se sai melhor na execução de jogos. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

GFX Bench (T-Rex HD)

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é a performance.

Vellamo Mobile Benchmark

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Tela

O display deste phablet está sendo considerado por muitos “a melhor tela já usada em um aparelho mobile”. Ela realmente tem uma qualidade impressionante, se comparado a qualquer dispositivo da atualidade, mas é bom esperar até o lançamento do Xperia Z5 Premium da Sony, que tem um display 4K, para termos o veredito final nesse aspecto. O aparelho da Samsung fica no 2K, mas as telas da coreana normalmente superam as concorrentes não pela resolução, mas pelo equilíbrio de cores e brilho.

Por enquanto, entretanto, você não vai conseguir encontrar nenhum smartphone ou tablet no mercado atual com uma tela melhor que a do Note 5. Estamos falando de um Super AMOLED de 5,7’’ com resolução 1440x2560 e uma densidade de 518 pixels por polegada. Em nossos testes, foi notável especialmente a pureza dos brancos.

A reprodução de outras cores também acontece de forma muito realista, especialmente no caso do preto, que realmente é preto e não acinzentado. Os níveis de brilho também são muito satisfatórios, sendo possível enxergar com certa facilidade todo o conteúdo da tela mesmo ao ar livre.

Software

Esse é sempre um ponto sensível em smartphones da Samsung. A empresa tem a famigerada tradição de tornar sua interface, a TouchWiz, muito pesada com animações desnecessárias e lentas e ainda costuma embarcar muito “crapware”. No último ano, entretanto, a coreana tem melhorado significativamente, e é possível perceber isso no Note 5.

O visual do software está mais agradável pelo fato de ser bem mais simplificado e minimalista, mas ainda tem um pouco de espaço para melhorar. A interface em geral está com animações suaves e rápidas, e você não encontra mais aqueles ícones “bregas” ou apps nativos mal desenvolvidos.

Contudo, o problema é a quantidade de apps extras. Tirando todos os itens nativos do Android, há no Note 5 outros 22 apps instalado pela fabricante, o que inclui vários produtos da Microsoft e do Facebook. Quase todos eles podem ser desativados, mas poucos podem ser desinstalados definitivamente.

Claro que muitos são úteis, e você acabaria instalando boa parte no seu aparelho de qualquer forma, mas nunca é interessante ter a fabricante fazendo essa escolha pelo usuário. No fim das contas, não chega a ser um problema, mas é sim algo desnecessário.

A versão do Android é a Lollipop 5.1.1, mas uma atualização para o Marshmallow 6.0 está a caminho.

S Pen

A caneta S Pen é a marca registrada da linha Galaxy Note, e a Samsung consegue melhorar esse recurso a cada ano. Contudo, somente agora em 2015 a S Pen se tornou realmente ótima. Se você utilizá-la em apps da própria Samsung, não existe lag algum na hora da escrita.

É como se você estivesse escrevendo em um quadro branco com pincel atômico, pelo fato de a ponta deslizar na tela de forma lisa. Não é como papel e caneta pelo fato de o papel oferecer uma resistência áspera, mas dá pro gasto. Por outro lado, em apps de terceiros, como o OneNote, a caneta tem um atraso considerável.

Acreditamos que a única canela stylus melhor que a S Pen seja a Surface Pen da Microsoft, que acompanha os Surface Pro 4 e Surface Book, mas não podemos dizer isso com certeza pelo fato nunca termos feito um teste com esses modelos.

Quanto ao software que acompanha a S Pen, a Samsung fez um ótimo trabalho. Todos são muito práticos e responsivos, mas podemos destacar o S Note, que permite ao usuário fazer anotações rápidas apenas tirando a caneta do phablet e escrevendo na tela preta bloqueada. Ou seja, você não precisa desbloquear o aparelho para começar a escrever.

A Captura Inteligente, que faz parte dos “Comandos Suspensos” da S Pen, é outra novidade muito interessante. Você consegue capturar a sua tela e escrever nela para compartilhar com os amigos, mas dá para fazer mais que isso.

Desenhos (anadores) feitos com a S Pen

Caso você esteja em um app que permite rolar a página na vertical, é possível capturar toda a extensão com a função “Roll”. Faça a captura comum e, rapidamente, leve o ponteiro da S Pen para o canto inferior esquerdo para ter a opção à mostra.

Câmeras

Fala-se também que as câmeras do Galaxy Note 5 estão entre as melhores do mercado atualmente, ficando atrás apenas dos Xperia Z5 da Sony. Em nossos testes, notamos que a qualidade realmente impressiona, e a reprodução das cores é surpreendentemente natural, sem muita saturação, mas também não muito “aguadas”.

No modo automático, o único que levamos em conta em nossas análises, é muito fácil fazer uma foto de ótima qualidade. Primeiro pelo fato de o app de câmera abrir muito rapidamente: você dá dois toques rápidos no botão Home e o aparelho já permite fazer as fotos. Com um toque no botão de captura, as imagens estão prontas com uma velocidade acima do normal. Se você não prestar atenção, é possível nem perceber que a foto já foi tirada.

O resultado das imagens é ótimo no geral. O aparelho consegue equilibrar bem a exposição em praticamente qualquer situação, inclusive à noite, cujas fotos ficam tão bonitas quanto em câmeras semiprofissionais. Nessa situação, quase não há ruído, e as cores não ficam distorcidas. Durante o dia, como era de se esperar, os resultados não poderiam ser melhores. Confira a galeria.

O que pode ser o ponto fraco no campo da fotografia para o Note 5 é a câmera frontal. No modo automático, ela tenta “embelezar” artificialmente o rosto das pessoas na foto, e isso normalmente fica muito estranho, especialmente se você fizer uma selfie muito de perto. Claro que é possível mudar isso nas configurações, mas o modo automático é o padrão da câmera.

Em contrapartida, o dispositivo é excelente para gravação de vídeo. Ele tem estabilização óptica de imagem e, por isso, nada fica tremido como em aparelhos mais básicos. Assim como nas fotografias, a qualidade geral das imagens no que diz respeito à reprodução de cores e exposição é normalmente muito boa, e o ajuste automático de foco acontece com muita rapidez. Você consegue fazer vídeos em 1080p a 60 fps, mas, em 4K (2160p), só em 30 fps.

Bateria

O Note 5 não tem mais uma bateria enorme e com grande autonomia como seus antecessores tinham. Isso deixa o celular bonito e compacto, mas não é nada prático para heavy users. Se você quer autonomia extra, é preciso carregar um power bank com você em vez de uma bateria extra.

Isso não quer dizer, entretanto, que o Note 5 tem uma autonomia de bateria ruim. Muito pelo contrário. Ele consegue ficar um dia inteiro funcionando tranquilamente sob uso moderado ou intenso e, caso você não mexa muito com ele, é possível ficar um dia e meio ou até dois, em casos extremos.

Em nossos testes, fazendo fotos com frequência, conferindo redes sociais, navegando no 4G e jogando casualmente, ele chegou ao fim do dia com mais de 30% de carga sobrando. Em uma avaliação mais metódica, conseguimos acabar com toda a bateria em 8 horas e 20 minutos executando um vídeo no YouTube com WiFi ligado e brilho da tela no máximo.

Essa marca está na média para um phablet, o que é bastante superior aos top de linha comuns.

Som e extras

O Note 5 tem apenas um alto-falante na parte do fundo, e a saída não é lá grande coisa. É muito fácil de tapar isso com os dedos ao jogar games, mas, em contrapartida, o som é melhor do que o esperado. Ele é alto, claro e tem poucas distorções. A surpresa nesse departamento é o fone de ouvido, que deve agradar tanto na qualidade da construção quando no desempenho sonoro.

Outro destaque é o leitor de impressões digitais. Ele é bastante preciso e muito prático para usar no dia a dia para evitar ficar desenhando padrões ou inserindo senhas no smartphone. É possível configurar vários dedos, mas isso pode ser um tanto demorado. Na hora de usar para o desbloqueio, entretanto, a leitura é sempre rápida, mas às vezes falha.

Na caixa, você recebe um carregador “Fast Charging” que realmente carrega a sua bateria em pouco tempo. Com cerca de uma hora na tomada, você já tem a carga quase completa. O smartphone ainda conta com carregamento sem fio, mas o usuário precisa comprar um acessório extra para isso.

Há ainda seis pontas extras para a S Pen e uma ferramenta para fazer a troca.

Vale a pena?

Não podemos responder essa pergunta de forma categórica. É preciso levar alguns pontos em conta e avaliar a classe em que esse phablet está inserido. Se considerarmos apenas o preço dele em comparação com os de outros tops de linha comuns, seríamos injustos com o Note 5.

O valor oficial é R$ 3.799 (mas pode ser encontrado em promoções por até R$ 2.771), e o seu desempenho em benchmarks é bem similar ao do Galaxy S6, por exemplo, que já pode ser comprado por R$ 2.200 ou menos.

Contudo, é preciso entender que o Note 5 é um phablet de tela grande, tem uma caneta S Pen de ótima qualidade e uma câmera realmente impressionante, além de uma autonomia interessante e inúmeros outros recursos úteis e exclusivos.

O que pesa contra ele é o fato de só haver a opção de 32 GB de armazenamento sem a possiblidade de expandir isso com cartões de memória. Contudo, o visual do aparelho é realmente bonito, e seu corpo significativamente compacto.

Além disso, ele faz parte da categoria mais cara de aparelhos mobile da atualidade, que compreende iPhone 6s Plus e Xperia X5 Premium. Esses dois concorrentes não estão disponíveis ainda no Brasil, mas as expectativas mais baixas comentam que ambos vão extrapolar a marca dos R$ 4 mil com folga em configurações inferiores.

Outro exemplo de concorrente seria o Moto X Force, que chega ao Brasil em breve com hardware e recursos inferiores por R$ 3.149. Olhando por esse prisma, fica bem claro que o Galaxy Note 5 está valendo muito a pena.

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Onde comprar: Cissa Magazine, Extra, Ricardo Eletro, Wallmart e Magazine Luiza.

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