Não é de hoje que, na busca por criar novas cidades habitáveis (e com cada vez menos espaço habitável disponível em terra), muitas pessoas veem cidades que flutuam em pleno mar como o futuro. Entretanto, enquanto a grande maioria delas fica apenas na ideia, uma parece ter boas chances de eventualmente se tornar realidade – mesmo que ela não se pareça exatamente com uma cidade propriamente dita.

O projeto, chamado City of Mériens, poderia muito bem ser descrito como um gigante navio cruzeiro. Isso se não fosse, é claro, um pequeno detalhe: enquanto a maioria das embarcações segue o mesmo formato conhecido, a aposta desta cidade-navio é um design baseado em uma raia manta, como você pode perceber pelas imagens da galeria abaixo.

Segundo o arquiteto francês Jacques Rougerie, que projetou toda a estrutura, o formato não é uma simples questão de estética. Graças a ela, a City of Mériens pode abrigar em torno de 7 mil pessoas e ainda ser bastante resistente às intempéries do alto-mar.

Só para você ter ideia do tamanho da City of Mériens: aquilo na imagem é nada menos do que uma baleia azul

Em comparação, o Oasis of the Seas, que é atualmente o maior navio cruzeiro do mundo, consegue carregar apenas 6,5 mil passageiros por viagem. Mas a diferença não é tão surpreendente, considerando a diferença de tamanho entre elas: a City of Mériens seria quase três vezes maior, com uma estrutura de 900 metros de comprimento e 500 metros de largura.

Não menos impressionante é pensar que ele também seria realmente alto, com 60 metros de altura acima da água – e outros 120 metros sob a superfície.

Indo aonde nenhum navegante jamais foi

Vale notar, no entanto, que a City of Mériens mais estaria para uma “Enterprise dos Mares” ou uma universidade flutuante do que uma cidade propriamente dita. Isso porque a estação comportaria apenas pesquisadores internacionais, professores e estudantes em longas estadias; para tal, é claro, a estrutura vai trazer um enorme número de laboratórios, salas de aula e até mesmo quadras de esporte.

Obviamente, um projeto tão grandioso normalmente pediria um enorme gasto de combustível e outros recursos. Mas Rougerie tem como objetivo fazer com que sua cidade não apenas seja totalmente sustentável e autônoma, como também que não produza qualquer desperdício. Para ter energia renovável, por exemplo, a City of Mériens vai contar com a energia marinha; como isso funcionaria, no entanto, permanece um mistério.

É claro que, por ser uma cidade, ela também teria suas próprias leis para a regerem. Uma vez que se trata de um esforço que unirá estudiosos de todo o mundo, a proposta para seu sistema de governo teria como base os padrões especificados pelas Nações Unidas.

Um futuro que pode não ser de ficção

Tudo isso definitivamente pode parecer um projeto incrivelmente ambicioso, no mínimo (para não dizer praticamente impossível de alcançar, atualmente). Mas, como falamos no início da matéria, a embarcação-cidade já está dando seus primeiros passos para virar realidade. Ao menos de certa forma.

O fato é que a parte central da City of Mériens seria capaz de abrigar uma série de embarcações avançadas, feitas para pesquisas oceanográficas e outros propósitos, em uma “lagoa fechada”. E um de seus principais veículos será o SeaOrbiter, um enorme navio de pesquisa que já está em produção.

Com uma construção estimada em 50 milhões de dólares (ou cerca de 200 milhões reais, aproximadamente), a embarcação, também projetada por Jacques Rougerie, mais parece um prédio de um filme de ficção científica. Apesar de parecer algo muito à frente de nosso tempo, contudo, ela já está em uma produção bastante avançada – espera-se, de fato, que o primeiro protótipo do SeaOrbiter surja ainda em 2016.

Sua forma incomum tem funções interessantes, vale notar. Com uma altura de 12 andares (seis acima e seis abaixo da superfície), o SeaOrbiter promete oferecer extrema estabilidade de navegação, bem como uma maior acessibilidade na hora de observar os objetos de estudo. Graças ao tamanho considerável, a embarcação poderá carregar uma tripulação de 18 cientistas por viagem, enquanto oferece laboratórios e equipamentos adequados.

Quando fora de uso, o SeaOrbiter é cuidadosamente guardado no interior da City of Mériens

Vendo tudo isso, não há como deixar de imaginar o potencial dessa empreitada. E parece que tudo depende do sucesso dessa pequena estrutura: se se mostrar tão eficiente quanto promete, o SeaOrbiter pode ajudar a atrair a atenção do público e garantir fundos para a construção da City of Mérien.

Mesmo na melhor das projeções, porém, não adianta ter esperanças em ver a enorme cidade flutuante tão cedo, nem na próxima década: a previsão é que a City of Mérien torne-se realidade apenas em torno de 2050.