Não é preciso ser fã da Google para reconhecer que, no campo dos buscadores, a empresa é invencível. A ferramenta desenvolvida pela companhia é tão compreensiva que muitos as consideram como o “oráculo” do mundo moderno, tamanho seu “conhecimento” — quem nunca ouviu alguém falando, nem que por brincadeira, que, “se não está no Google, isso não existe”?

No entanto, por mais compreensivo que o sistema de pesquisa se prove, ele falha em um quesito: a incapacidade de realizar pesquisas a partir de objetos físicos. Claro, você pode digitar a palavra “mouse”, mas não há como simplesmente mostrar o dispositivo ao computador e encontrar informações sobre ele — da mesma forma, é possível procurar informações sobre uma marca de remédios, mas dificilmente o Google vai ajudá-lo a descobrir do que se trata aquele comprimido perdido achado dentro de uma bolsa.

Ciente dessa situação, Dror Sharon, cofundador e CEO da Consumer Physics, criou um dispositivo com aparência semelhante à de um pendrive batizado como SCiO. Apesar de seu tamanho diminuto, o objeto possui funções surpreendentes: agindo como um scanner, o gadget pode determinar a estrutura molecular de objetos como frutas e medicamentos.

Abrindo o caminho para o futuro

O dispositivo criado pela Consumer Physics utiliza um raio de luz para analisar objetos, como uma maçã, por exemplo, e se conecta a um aplicativo para smartphones que revela informações relevantes (como o valor nutricional da fruta). Embora use uma técnica conhecida (a espectroscopia por infravermelho), o SCiO se destaca por ter miniaturizado a tecnologia de forma a permitir seu uso fora de ambientes acadêmicos e científicos.

Embora o gadget seja interessante por conta própria, ele se torna especialmente importante quando levamos em consideração os rumos que o campo dos aparelhos eletrônicos está seguindo. Enquanto companhias como Google, Nike, Apple e Samsung lutam para criar aparelhos com tamanho reduzido que possam ser usados como peças de vestimenta, o SCiO já conseguiu conciliar dimensões reduzidas a um objetivo útil — utilidade esta que pode se tornar ainda maior conforme novos usos e tecnologias são aplicados ao produto.

“Vamos construir o maior banco de dados de impressões digitais do mundo e pretendemos dar aos desenvolvedores uma plataforma para criar novas aplicações”, afirma Sharon. Para atingir esse objetivo, a companhia iniciou um projeto no Kickstarter que pretendia acumular US$ 200 mil para a realização de novas pesquisas e melhorias — até o momento em que esta matéria vai ao ar, mais de US$ 1,4 milhão já haviam sido doados.

Os primeiros apoiadores do projeto, que devem começar a receber o SCiO até o final de 2014, vão poder analisar plantas, comidas e medicamentos. Segundo Sharon, esse é somente o começo: ele acredita que, usando a ferramenta de criação própria ao gadget, desenvolvedores externos não vão demorar a encontrar novas funções para o scanner. O CEO acredita que o aparelho é somente o primeiro passo para a criação de um futuro mais conectado. “Estou convencido que algo do tipo eventualmente vai ser adicionado a smartphones, dispositivo vestíveis e aparelhos conectados à internet”, afirma com convicção.