É provável que menos da metade das pessoas que acessarem este texto leia o conteúdo até o fim. Digo isso pois estamos cada vez mais perdendo o encanto pela forma escrita. Muitos de nós acessamos artigos apenas para visualizar imagens e vídeos; quando muito empenhados, até lemos os subtítulos ou respondemos a enquetes. Sim, estamos mais preguiçosos!

De fato, o ritmo da web é muito diferente e acabamos não tendo tempo, vontade ou paciência de ler grandes textos. Ocorre que todos esses fatores estão criando um público menos exigente, mais acomodado e que preza apenas pelo visual. Hoje, vou dar minha opinião sobre o assunto e mostrar algumas coisas que podem deixar a situação da internet caótica.

Você nem vai ler este subtítulo

O comportamento das pessoas vem mudando constantemente na internet. Antes, era perfeitamente normal encontrar textos com poucas imagens. Hoje, os redatores precisam pensar em parágrafos curtos, inserir ilustrações para exemplificar tudo e grifar com letras garrafais as principais informações na tentativa de chamar a atenção do internauta.

A preguiça é grande quando vemos grandes blocos de texto... (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

O molde não está errado, afinal a internet deve mesmo ser um meio de comunicação rápido  e até porque ninguém pode passar horas na frente do PC lendo uma única notícia. Entretanto, há uma grande diferença entre ter um conteúdo sucinto e ignorar qualquer informação admitindo que apenas as imagens já são suficientes.

É importante notar que as pessoas têm interesse no conteúdo, mas ao mesmo tempo podem ser tão preguiçosas a ponto de não quererem perder alguns minutos para ler algo relevante. Pense comigo: o sujeito abre um site, vê as imagens na capa, clica em um item que é do interesse dele e simplesmente não lê nada além do título. Se não fosse trágico, seria engraçado.

Títulos maiores dão preguiça... A palavra vídeo incentiva o clique (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Essas mudanças de hábito são tão bruscas que até as editoras vêm tomando atitudes para se adaptar ao público. Revistas, jornais e livros que antes vendiam muito bem na forma física agora estão disponíveis em PDF ou em apps para smartphones e tablets.

O conteúdo é praticamente o mesmo, mas existe diferença na forma de abordagem. As versões digitais geralmente contam com muito mais imagens e vídeos, recursos usados para agradar ao grande público que se acostumou com as facilidades da web. Resta a dúvida se o público que antes devorava uma revista continua com o mesmo interesse quando obtém a versão digital.

A web é a TV 2.0

Para falar a verdade, não vejo e, provavelmente, não há qualquer problema com os vídeos e as imagens. Aliás, é até compreensível o porquê de muitos optarem pelo audiovisual em vez de insistir na leitura. Tudo o que é escrito pode ser transmitido com maior velocidade quando mostrado em um clipe. Entretanto, para mim, esses conteúdos devem servir como complementos da escrita.

Vai dizer... Você também tentou clicar aqui! (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Existe, no entanto, um sério agravante quando ocorre a substituição completa do conteúdo escrito por aquele em forma de vídeo. A minúcia de detalhes, um vocabulário mais elaborado para  passar informações, a possibilidade de relacionar outros artigos e outras propriedades da escrita se perdem.

Você já pensou o que aconteceria se todos os sites migrassem todo o conteúdo escrito para vídeo? Para mim, a internet seria como uma nova televisão, ou seja, poderíamos escolher o que visualizar, mas não teríamos mais acesso à forma clássica da web. Podemos dizer que a rede mundial seria como um grande YouTube.

O texto nunca perderá seu charme

Apesar da constante mudança de público, não acredito que o uso da forma escrita cairá em desuso; quer dizer, não totalmente. Ainda que as páginas mudem para essa nova fórmula, a verdade é que muitos textos ainda serão produzidos para servir como roteiros de vídeos ou para a formulação de infográficos.

O texto sempre será importante, inclusive para vídeos e imagens (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Aqui, no Baixaki, criamos todos os dias textos para vídeos, mas eles não conseguem conter todas as informações necessárias, até porque transpor todas as ideias para a forma audiovisual acarretaria clipes muito longos — e, novamente, cairíamos no problema da preguiça.

Se o futuro da web será baseado no audiovisual? Sinceramente, eu não acredito nisso. As páginas de conteúdo da internet são como jornais, revistas e livros digitais que oferecem opções de interação, portanto o texto é a principal forma de transmissão de informação e assim deverá ser por longos anos.

Talvez, em um futuro remoto, como o que é proposto em alguns filmes de ficção, a web acabe se tornando algo muito maior e a escrita já não sirva mais como forma de comunicação; porém, isso não é algo palpável — e convenhamos que as ideias mirabolantes de Hollywood nem sempre saem das telonas.

Enfim, assim como os livros não foram extintos, não acredito que a escrita será abolida da web. Aliás, como redator, espero sinceramente que isso não aconteça, pois será um risco à minha profissão. Você prefere texto ou vídeo? Deixe sua opinião e mostre que você leu pelo menos os últimos parágrafos do artigo.