A Reuters, maior agência de notícias do mundo, não vai mais aceitar imagens no formato RAW de seus colaboradores. A intenção é retratar a realidade de forma “nua e crua” e evitar que interpretações distorcidas sejam feitas a partir de fotos editadas. “Como testemunha ocular de eventos cobertos por jornalistas competentes, a Reuters Pictures deve refletir a realidade”, informou um porta-voz do veículo ao Peta Pixel.

Arquivos em formato RAW, os apelidados “negativos digitais”, concentram o registro de todas as informações capturadas pelo sensor das câmeras, o que permite a manipulação detalhada das fotografias por programas dedicados de edição (entenda). O padrão, assim, vai passar a ser o envio de fotos em JPEG, extensão compacta que dispensa o uso de softwares especiais para o tratamento e publicação de imagens.

A notícia veio à tona após o compartilhamento de um email enviado pela Reuters a um de seus fotógrafos freelancer. “No futuro, por favor, não envie fotos para a Reuters processadas nos formatos RAW ou CR2. Se você deseja fotografar imagens em RAW, registre uma em JPEG ao mesmo tempo. Apenas nos mande fotos que foram originadas em JPEG, com o mínimo de processamento (como cortes ou correção de níveis [de luz], etc.”, advertiu a agência ao jornalista.

Jan Rose Kasmir em movimento anti-Vietnã, em 1967, protagonizou uma das fotos mais famosas da história.

Verossimilhança e/ou velocidade?

A última edição do World Press Photo, uma das mais prestigiadas competições fotojornalismo organizada anualmente, desclassificou cerca de 20% do material submetido a partir de comparações entre as imagens editadas e fotos não modificadas em RAW. “Algumas partes estavam tão escuras que objetos inteiros chegaram a desaparecer do quadro”, disse um dos diretores do concurso ao The New York Times.

Um dos dilemas que os editores e fotógrafos da Reuters terão de enfrentar está relacionado à inflexibilidade dos arquivos em JPEG, que, ao contrário do formato RAW, não podem ser editados de forma detalhada e restaurados, se necessário, à sua versão original de alta qualidade. Os jornalistas agora devem se certificar de ajustar diafragma, ISO e obturador de modo a obter o melhor resultado possível em uma via de mão única, sem possibilidade de melhoramento de imagem.

A agência de notícias esclarece que a era do jornalismo em plena “web 2.0” exige velocidade. “Temos pedido aos nossos fotógrafos para economizar tempo e trabalho de edição para que possamos atender aos nossos clientes mais rapidamente”. A Reuters enfatiza que o objetivo é, além da oferta rápida de serviços, “não interpretar as notícias de forma artística”.

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O papel do jornalista passa por reformulações numa era em que qualquer pessoa com um celular pode, a qualquer momento, registrar uma foto histórica? Comente no Fórum do TecMundo

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