Se você tem uma câmera fotográfica que também grava vídeos já deve ter percebido que o limite de tempo de gravação de um arquivo único é de, no máximo, 30 minutos — algumas gravam mais tempo e outras não passam muito dos 10 minutos. Você sabe qual o motivo dessa limitação?

Limitações de hardware

Em um passado não muito distante, mesmo as câmeras mais avançadas ainda lutavam contra o hardware por mais tempo de gravação. Vários problemas estavam no caminho de quem quisesse gravar um vídeo mais longo, dentre eles a limitação de espaço e o superaquecimento do aparelho.

O Filme "Capitão América" teve as cenas de ação gravadas com uma Canon 5D Mark II (Fonte da imagem: Divulgação/Marvel)

A Canon 5D Mark II, por exemplo, sempre foi considerada uma câmera de alta performance, sendo utilizada para gravar filmes famosos, como “Capitão América”, “Homem de Ferro 2” e o recente “Os Vingadores”. Porém, o que poucas pessoas sabem é que ela possui uma limitação técnica na capacidade de memória suportada, sendo capaz de gravar apenas 12 minutos de vídeo ininterrupto na qualidade máxima.

Câmeras compactas que são capazes de gravar em 720 ou 1080p também encontram algumas dificuldades, mas dessa vez no sistema de resfriamento do sensor. A Sony NEX 7, por exemplo, possui um limite de tempo de gravação ininterrupta de 29 minutos, para que o equipamento não esquente demais.

A Sony NEX 7 é limitada pelo aquecimento do sensor. (Fonte da imagem: Divulgação/Sony)

A nova geração da Canon 5D ganhou melhorias no hardware e hoje suporta até 30 minutos de vídeo sem precisar parar a gravação. O curioso é que, se dependesse apenas da capacidade do equipamento, essa câmera seria capaz de gravar mais tempo ininterrupto de vídeo. Qual então é o outro motivo por trás dessa limitação?

Fuga de impostos na Europa

No ano de 2006 a União Europeia criou uma lei bastante controversa a respeito das câmeras digitais que possuíam a capacidade de gravar vídeos: se elas fossem capazes de gravar mais do que 30 minutos ininterruptos, seriam classificadas na mesma categoria das filmadoras, e a tarifa de impostos seria mais alta em importações para a Europa.

As taxas adicionais variam de 5 até 12,5% do valor final do aparelho, de acordo com as capacidades do equipamento. Por exemplo, uma câmera que, além de gravar vídeos usando o sensor e as lentes, for capaz de capturar imagens diretamente de outro aparelho (uma televisão, por exemplo), é tarifada com um valor mais alto do que uma que possui as funções básicas de filmagem.

Essa decisão foi completamente arbitrária e bastante controversa na época. Grandes marcas, como a Nikon e a Canon, tentaram lutar contra essa lei, porém ela foi aprovada mesmo assim e continua valendo até hoje. Para não precisar aumentar os preços, as fabricantes se viram obrigadas a diminuir o tempo de gravação ininterrupta.

O que eu tenho a ver com a Europa?

(Fonte da imagem: Reprodução/Thinkstock)

Essa lei criada em 2006 é aplicável apenas na Europa, porém afeta o mundo inteiro. Você pode se perguntar o que a sua câmera digital tem a ver com isso, mas a resposta é simples e frustrante: não vale a pena criar dois modelos de firmware para os equipamentos.

Para ser possível essa diferenciação, seria preciso separar as linhas de produção de cada equipamento, colocando um firmware diferente de acordo com o país para o qual as câmeras seriam enviadas. Isso é bastante inviável para as fabricantes, que preferem limitar o tempo a cobrar mais pelos aparelhos — que já são bastante caros.

Algumas marcas possuem essa diferenciação, mas elas são minoria. Em busca de simplificar a produção e não cobrar do consumidor um valor desnecessário, a maior parte das fabricantes acata o limite de tempo, e isso vale para os mais diversos tipos de aparelhos.

Além das câmeras SLR profissionais e semiprofissionais, a lei afeta as câmeras compactas e também os celulares. Para os últimos, porém, existe uma alternativa simples: use outro programa para fazer os seus vídeos, e não o que vem como padrão no telefone.

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