Com as câmeras dos celulares ficando cada vez mais poderosas e cheias de recursos, era apenas questão de tempo até que eles tivessem poder de fogo para fazer imagens belíssimas sem muito esforço. No entanto, se a parte de hardware geralmente dá conta do recado mesmo em aparelhos mais simples, a habilidade do fotógrafo ainda faz toda a diferença entre conseguir um clique genérico ou uma verdadeira obra eternizada no seu smartphone.

Tudo fica ainda mais complicado quando se fala de capturar a natureza, já que os cenários e assuntos nessa categoria são os mais variados e sofrem todo tipo de interferência externa. Enquanto os rostos costumam ser um tema mais próximo para os artistas amadores – devido tanto à facilidade com que os humanos lidam com faces até o fato de os modos Retrato estarem se popularizando nos gagdets –, as paisagens e cenas externas podem ser um desafio e tanto para os fotógrafos de bolso.

Os celulares podem capturar belas imagens de paisagens

Dicas feitas sob medida para você

Isso não precisa ser um problema para os amantes desse tipo de atividade, já que Stan Horaczek, do site Popular Science, resolveu compilar uma série de dicas feitas sob medida para que você supere qualquer dificuldade e faça cliques melhores quando se deparar com os mais belos caprichos da natureza. Afinal, não é sempre que se tem a oportunidade de refazer a mesma foto de uma cena incrível só porque ela não ficou muito boa, certo? Então, vamos lá!

1) De olho no horizonte

Segundo Horaczek, uma das coisas mais básica, mas que mais podem prejudicar as suas fotos é um horizonte “torto”. Sendo assim, a sugestão é preservar o equilíbrio da paisagem tentando deixar a linha do horizonte a mais reta possível, seja conseguindo apoio de tripés ou superfícies planas, ou utilizando recursos de software que costumam aparecer cada vez mais nos apps de câmera dos celulares e criam uma linha imaginária para ajudar nessa tarefa. Em último caso, a dica é ajustar o ângulo da foto já salva antes de compartilhá-la.

2) Use o HDR a seu favor

Para valorizar as cores, contraste e iluminação das paisagens, nada melhor que recorrer a uma funcionalidade simples, mas que faz toda a diferença no resultado final do clique: o modo HDR. Além de deixar as figuras mais vívidas em situações comuns, a ferramenta faz com que cenários mais difíceis e de alto contraste não comprometam a qualidade do material. Como o HDR faz isso? Tirando diversas fotos em sequência – cada uma com a sua própria exposição – e unindo tudo em um único arquivo, preservando detalhes e informações de luz e sombra.

3) Quer algo melhor? Adote o Raw

Usuários mais avançados e que querem obter um resultado melhor com as capturas feitas via celular podem tentar fazer seus cliques em Raw. Diferentemente do JPG, que diminui a qualidade da imagem para comprimir o arquivo e ocupar menos espaço em disco, esse formato preserva todas as informações da cena original. Vale notar, no entanto, que essa maior fidelidade nas capturas exige um pouco mais da sua dedicação.

Para começar, não é todo celular que tira fotos em Raw nativamente. Alguns aparelhos top de linha fazem isso de fábrica, enquanto outros exigem o uso de aplicativos pagos ou mais complexos para habilitarem o modo. Por fim, os arquivos nesse formato não costumam ser muito amigáveis. É preciso que eles sejam abertos e editados em programas específicos – como o Adobe Lightroom Mobile – antes de poderem ser visualizados ou compartilhados na web.

4) Escolha o horário perfeito

Embora o termo “iluminação ideal” seja bastante subjetivo e varie bastante mesmo entre fotógrafos profissionais, alguns horários ajudam sim a tornar os seus cliques mais atrentes. Nesse sentido, o período mais favorável para valorizar seu trabalho é fotografar as paisagens durante a chamada “golden hour” – ou hora mágica –, que ocorre na primeira hora depois do nascer do sol e na última antes de ele se puser. Nessas ocasiões, tudo adquire uma luz mais quente e confortável, daquelas de encher os olhos.

Horaczek ressalta, porém, que a “blue hour” também deve fazer parte do seu repertório para que você não fique preso a apenas um estilo de fotografia. Diferentemente da hora mágica, esse período ocorre antes do nascer do sol e depois do pôr do sol e dá um aspecto azulado, mas não necessariamente frio, para a imagem. Pode ser um bom teste fazer capturas do mesmo local em ambos os horários para conferir na prática a diferença entre eles.

5) A beleza está nos detalhes

Apesar de um cenário vasto e fantástico ser o ingrediente básico de uma boa foto de paisagem, são os pequenos detalhes que complementam e dão vida à produção. Folhas ou galhos de árvore em primeiro plano, por exemplo, podem ajudar a compor ou até enquadrar uma cena – dando mais profundidade à captura –, enquanto objetos típicos do local podem trazer um pouco da experiência do lugar para o seu público.

6) Sol: amigo ou inimigo?

Enquanto o Sol pode ser o seu aliado no sentido de banhar de luz todo o cenário a ser clicado, ele não é exatamente fácil de se lidar quando assume o papel de personagem dentro da foto. O problema é que, a partir do momento em que ele entra em cena, seu forte brilho faz com que o resto dos objetos fiquem mais escuros e percam detalhes. Além disso, um clique direto do astro resulta em imagens mais lavadas e a presença do famoso lens flare – que apesar de funcionar bem em algumas situações, pode “contaminar” determinadas partes do quadro.

A dica de Horaczek, então, é que você se posicione de costas para o Sol ou, caso seja realmente necessário que ele esteja à sua frente, use as mãos ou outro objeto para criar uma proteção para a câmera, evitando que a luz bata diretamente sobre a lente.

7) Use com moderação a Regra dos Terços

Velha conhecida dos fotógrafos e até mesmo embutida na maioria dos apps para celular, a Regra dos Terços é uma forma simples, fácil e muito efetiva de acertar a composição das suas fotos. A ideia é que você use as junções entre as linhas horizontais e verticais – imaginárias ou digitais – para posicionar o horizonte ou os objetos mais importantes da cena.

Isso funciona em boa parte do tempo, mas, em alguns casos, acaba limitando a criatividade do usuário e dando origem a imagens muito genéricas ou sem vida. Assim, testar novos enquadramentos, trazer objetos para o meio do quadro ou até mesmo dividir a cena em duas partes podem ser soluções interessantes para fugir do lugar-comum.

8) Senso de escala

Muitas vezes, uma foto solitária da paisagem não diz muito sobre o tamanho de uma colina, a distância de uma estrada ou a amplitude de um lago, por exemplo. Para ajudar a dar escala às suas cenas, a fotógrafa Cristina Mittermeier sugere que você utilize pessoas para dar uma dimensão mais palpável do cenário. Os pássaros também podem servir para o mesmo propósito, principalmente em fotos do céu, mas é preciso paciência para que eles surjam no quadro e façam o seu papel.

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E aí, acha que com tudo isso dá para fazer fotografias melhores durante as suas viagens e passeios por belos cenários? Tem dicas que gostaria de compartilhar com outros leitores? Deixe a sua opinião sobre o tema mais abaixo, na seção de comentários.

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