O LHC – ou, para nós, Grande Colisor de Hádrons – é uma das estruturas mais complexas já criadas pela humanidade. Com 27 km de extensão, o laboratório construído pela CERN é simplesmente o maior acelerador de partículas do mundo e faz, desde 2008, testes com colisões de prótons para dar uma ajudinha nos mais variados campos da física. Diante dessa dimensão colossal do “brinquedinho” científico, você consegue imaginar qual seria a melhor maneira de garantir que tudo esteja funcionando corretamente? Utilizando robôs, é claro!

Como mandar um exército de cientistas e pesquisadores circularem regularmente por toda a extensão dos túneis do LHC não é algo muito viável e tampouco prático – uma vez que o equipamento conta com uma infinidade de aparelhos, sensores e dispositivos que devem ser medidos e checados com precisão –, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear elegeu o simpático robozinho TIM para assumir essa responsabilidade.

Na época do LEP, o trenzinho era usado por humanos

O acrônimo que nomeia a criatura significa Train Inspection Monorail, que em português é algo como Monotrilho de Inspeção por Trem. Por que esse nome tão esquisito? Bem, basicamente porque TIM utiliza a base de um antigo monotrilho montado no local para se locomover de um lado para o outro no longo percurso circular do acelerador de partículas. Originalmente, essa estrutura foi criada para transportar as pessoas que trabalhavam no LEP (Grande Colisor de Elétrons e Pósitrons), o antecessor do LHC.

Assim a via suspensa caiu como uma luva para esse trabalho de análise e coleta de dados da operação, já que bastaram alguns ajustes para que o robô pudesse passar a circular na região a uma velocidade de até 6 km/h. Conforme passa pelos túneis, TIM consegue usar instrumentos ou vagões presos a ele para monitorar coisas como temperatura, porcentagem de oxigênio, níveis de radiação e outros itens mais específicos requisitados pelos pesquisadores.

Uma série de câmeras instaladas no transporte automatizado também permitem aos cientistas assistirem à toda a operação em tempo real, seja com imagens comuns ou com registros infravermelhos do passeio. Para garantir uma cobertura maior do perímetro e fazer com que alguma falha não tire o sistema de circulação temporariamente, o CERN trabalha com dois TIMs. A dupla fica estacionada próxima ao túnel de serviço até que recebam ordens para partir. No fim, existem alguns trabalhos que não ligamos em deixar para os robôs, não é?