Quem acompanhou a história do Mozilla Firefox sabe bem que o navegador não tem medo de mudar: ao longo de sua existência, o browser passou por um enorme número de alterações, de pequenas a grandes, de retoques visuais a mudanças drásticas em seu código. Mas agora parece que a empresa fará seu aplicativo mais famoso passar pela maior modificação em muito tempo.

A novidade veio com uma declaração de Dave Camp, diretor de engenharia da Mozilla, através da lista de mensagens da empresa. Segundo ele, a interface do Firefox deve ser reconstruída por completo, visto que os códigos utilizados pela companhia nas bases do software são boas, mas podiam ser melhores.

Adeus, XUL

O principal motivo para isso seria a utilização do XUL (“XML User Interface Language” ou “Linguagem de Interface de Usuário XML”, em português). Esta tecnologia, originalmente desenvolvida para ajudar na ligação entre o usuário e os códigos HTML, vem apresentando sinais cada vez mais claros de estar ultrapassada.

Boa parte disso se deve, na verdade, ao fato de que o XUL não ser uma tecnologia web propriamente dita. Por culpa desse fator, a atenção que ele recebe dos desenvolvedores é muito menor; como resultado, diversas falhas de performance permanecem sem correção nessa ferramenta – o que quer dizer que o mesmo acontece com a própria interface do Firefox. “Correções críticas devem chegar aos usuários em minutos, e não em dias”, disse ele.

A versão 1.0 do Firefox contava com um visual muito mais modesto do que atualmente

Além disso, precisamos notar que o próprio HTML evoluiu – e muito – nesse mesmo tempo. “Através do tempo, a web – e o desenvolvimento de apps para a web – tem evoluído seu próprio conjunto de padrões e tecnologias; nós devemos seguir isso”, comentou Camp.

Futuro incerto

É provável que, a esse ponto, muitos estejam se perguntando qual será a nova base para o Firefox. Isso, porém, é um mistério até mesmo para Camp, por enquanto, já que a empresa ainda está decidindo que caminho seguir.

“A comunidade de desenvolvimento web apontou essa necessidade através do HTML na forma de maneiras interessantes e novas que não precisam de uma tecnologia específica do Mozilla. Há um enorme aglomerado de sabedoria compartilhada sobre como construir aplicativos na web. É hora de voltar e examinar como nós podemos trazer essa sabedoria de volta ao Firefox.”

Em comparação, o Firefox quase 40 versões depois traz uma cara bem mais moderna.

Quanto a isso, ao menos, uma coisa é certa: o Firefox vai se afastar do XUL, bem como o XBL (outra das ferramentas utilizadas em conjunto do próprio XUL). “Mas a discussão de como fazer isso está em estágios iniciais”, admitiu ele. “Algumas dessas questões vão levar um tempo para responder, e vão envolver um bocado de discussões concorrentes”, continuou.

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