Encarando a pressão vinda dos proprietários de conteúdo e os navegadores rivais, a Mozilla revelou recentemente planos detalhados para fornecer suporte nativo a tecnologias de DRM no Firefox. A empresa vai se unir com a Adobe para, nos próximos meses lançar a novidade nas versões do browser para Windows, Mac e Linux – o que, do lado positivo, significa que o sistema operacional do pinguim agora será oficialmente compatível com o Netflix.

Embora esse tipo de atitude por parte da Mozilla fosse algo impensável há cinco anos, o surgimento de um contexto em que empresas que distribuem conteúdo digital passam a usar novas tecnologias forçou a companhia a agir para evitar se tornar obsoleta. A chave da questão é a relação entre serviços como Netflix, Hulu e Spotify e o uso do Flash, Silverlight e HTML5.

As tecnologias desenvolvidas pela Adobe e pela Microsoft vêm sendo usadas há anos para permitir que as grandes produtoras de conteúdo – como 20th Century Fox, Sony e Universal Studios, por exemplo – distribuam produtos como filmes com copyright de maneira controlada pela internet. Dessa forma, empresas como a Netflix podem transmitir vídeos online garantindo que eles não serão facilmente baixados ou duplicados para compartilhamento ilegal.

Não queríamos isso, mas...

Com o passar do tempo, tanto o Flash quanto o Silverlight foram exaltados como o futuro da mídia online paga e se tornaram padrões para transmissões via web, mas agora as coisas já parecem bem diferentes. Com as principais empresas de streaming investindo em novas tecnologias, como o HTML5, maneiras inéditas de controlar esse conteúdo surgiram.

A Mozilla sempre lutou o máximo que pode em defesa do código aberto e da privacidade, mas agora foi forçada a se dobrar à vontade das detentoras de tecnologias de DRM, caso contrário arriscaria ficar definitivamente largada ao esquecimento. A empresa então optou por implementar o Adobe Access DRM para vídeo e áudio no Firefox, mesmo a contragosto.

“Nós desejamos profundamente – muito profundamente – mover a indústria em direção a uma solução diferente em que cada um de nós permaneça como soberanos sobre nossos próprios computadores e nossas vidas. Estamos nos envolvendo tanto no lado da tecnologia quanto no do conteúdo para explorar novas possibilidades, e convidamos todos que estiverem interessados a trabalhar em soluções alternativas”, afirmou a companhia.

Competição dura

Desde a ascensão do Chrome, a Mozilla perdeu muito de sua importância. Outros navegadores já garantiram suporte nativo a DRM e, se o Firefox não entrasse na onda, ele poderia gradualmente se tornar inutilizável para os usuários que usam serviços de streaming de áudio e vídeo. Basicamente, isso significaria que as pessoas teriam que escolher entre navegar com o browser da Raposa ou acessar o Netflix.

A solução temporária encontrada pela Mozilla é fazer com que a implementação do DRM seja uma simples opção no Firefox, que pode ser desativada pelos usuários. Além disso, a empresa explica que conseguiu “envolver a porção com código fechado com uma ‘embalagem’ aberta”, o que permite que seja realizado um “monitoramento e haja melhor entendimento do escopo das atividades realizadas pela parte fechada”.

Embora a Mozilla continue determinada a combater esses padrões, não deixa de ser fato que ela já cedeu. Por enquanto, as mudanças serão aplicadas apenas para a versão de desktop do Firefox, e não na de Android e de Firefox OS.

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