“Desafio Baixaki: uma semana sem usar a tecnologia Flash. Tem que começar desde hoje, está contigo.” Até aí, tudo bem. Mas, refletindo um pouco mais sobre a tarefa, e levando em consideração o emoticon de diabo enviado a mim na mensagem seguinte, percebi que, apesar da diversão do desafio, uma semana sem poder usar o Flash seria cabuloso.

Então, vamos começar pelo básico: desinstalar o plugin do computador. Pronto, sem nenhum problema. Até que o “destino”, ou a coordenadora de conteúdo chamada Andressa, decidiu tirar com a minha cara: o Adobe Flash Player 10.1 RC estava lá, na capa do Baixaki. Sabe quando você tem a impressão de que algo o encara vorazmente? Pois é. Flash, odeio você.

Vídeos? Negativo.

Foi só a notícia da minha pauta se espalhar pela redação que muitos colegas — daqueles muy amigos — começaram a se divertir às minhas custas. Bombardearam meu Skype com links para vídeos do YouTube. Claro, sempre acompanhados daqueles comentários do tipo “nossa, esse vídeo é demais, ri muito”, ou “Hahaha, olha isso”.

Só o fato de perder o YouTube por uma semana deixa qualquer um louco. É uma das minhas melhores fugas quando não tenho nada para fazer. E um vídeo legal puxa outro, é quase como aquele salgadinho que você não consegue comer um só.

Olha só que vídeo bacana, Amoroso!

Mas, calma lá. Acho que dá para amenizar isso. Vamos para o Google Video... Flash. Que tal Vimeo? Flash! Desencana. São apenas sete dias. Eu consigo. Opa, não tem um tal de HTML5? Vamos testar.
Preciso ou do Internet Explorer com Google Chrome Frame instalado, do Chrome propriamente dito ou do Safari. Como assim, não dá no Firefox? Não.

OK, vou instalar o Frame e usar o IE. O problema é que, por se tratar de uma tecnologia experimental, ela está sujeita a falhas. Nem todos os vídeos do YouTube têm compatibilidade com o HTML5. Para falar a verdade, não consegui assistir a nenhum através deste método. O jeito foi esquecer a existência do YouTube e vários outros portais do gênero.

Música? Negativo.

MusicMe sem Flash? Negativo.Costumo usar o MusicMe para ouvir música. Algo já me dizia que não conseguiria usá-lo, mas decidi confirmar com meus próprios olhos — aliás, ouvidos! Acessei a página e lá estava o aviso, logo de cara: “Clique aqui para instalar o Plugin”. Ah, não! Passar uma semana sem vídeos durante o expediente e em casa, até suporto, mas não poderei ouvir música?

Comecei a procurar por alternativas, mas não encontrei nenhum substituto. Deezer, Musicovery, Songza, Grooveshark, Goear, Vattoz, musicmesh, Muziic, MoMuPl, enfim, todos exigem o plugin do Flash. Realmente, essa semana seria bem complicada. Logo, decidi trazer em um pendrive várias músicas para suprir essa necessidade minha.

Notícias? Em parte.

Costumo acessar alguns sites de notícias com frequência. O que facilmente percebi é a possibilidade de acompanhar as manchetes e os textos sem problemas. A dificuldade é grande quando o conteúdo é multimídia. Vídeos, galerias de imagens, enfim, áreas extremamente necessárias para enriquecer o conteúdo noticioso ficam inacessíveis.

Passei, em vários momentos, pela situação de clicar em uma manchete interessante, ler o texto e mesmo assim morrer de curiosidade a respeito do vídeo que não poderia ver. Afinal, enriquecer textos com multimídia é obrigatório para criar e manter a identidade de um veículo noticioso.

Nada de acompanhar vídeos de portais de notícias.

(Quase um) “#EpicFail”

Já adianto minha defesa e esclareço que essa situação não foi exatamente um #fail! Fui chamado para ver uma impressora que não funcionava, coisa de parente. Percebi que o driver precisava ser atualizado para o Windows 7, então acessei a página do desenvolvedor para fazer o download. Claro que, como o coitado do notebook em questão não tinha nada a ver com o desafio, decidi não desinstalar o plugin. Acessei a página e fiz o download sem problemas.

Com um pouco de peso na consciência, decidi acessar a mesma página em casa, onde eu estava impossibilitado de usar o Flash. Tudo correu normalmente. Ou seja, nada de #fail! A página funcionaria sem problemas mesmo se o plugin não estivesse instalado.

O trabalho no Baixaki

Senti o peso da tarefa consideravelmente em dois momentos. Primeiro, quando me foi passado o jogo Ray City. Acessei a página do desenvolvedor e me assustei com a quantidade de quadradinhos com o texto “Clique aqui para instalar o plugin”.

Mesmo assim, consegui localizar o link de download do jogo. Como ele era grande, deixei a gerência de sobreaviso, pois não sabia se ele chegaria antes do final do meu expediente. Como a página do desenvolvedor não abria corretamente e o download demorou a concluir, foi melhor passar a tarefa para outro redator, pois o jogo era de destaque muito grande para ficar encostado.

Bacana pesquisar sobre um jogo assim.

Outro momento em que meu trabalho simplesmente ficou impossibilitado foi com o jogo War 2, um MMO online. Novamente, ao acessar a página do desenvolvedor, me deparei com vários quadradinhos sobre a instalação do plugin. Ainda consegui localizar o botão para criar uma conta e decidi arriscar só para ver o que daria.

Consegui criar minha conta, recebi a confirmação por email e então... Foi só. Na primeira página após a conclusão do cadastro, novamente fui lembrado sobre a necessidade do Flash e não poderia prosseguir.

MMO sem Flash? Nem pensar.

Apesar desses contratempos, eu achei que teria mais dificuldades. Fato é que testei vários outros programas e não encontrei problemas. Creio que isso é consequência do fato de nos depararmos com muitos desenvolvedores independentes, com páginas e programas simples que não exigem complementos para multimídia. Ao mesmo tempo em que nos deparamos com páginas com extenso conteúdo multimídia, páginas e desenvolvedores simples também fazem parte da nossa rotina, e bastante.

Mas, definitivamente, o Flash é indispensável para nós, redatores do Baixaki. Prova cabal é que precisei desinstalar o plugin sempre que começava meu expediente, pois a Camila, que divide um computador comigo, instalava-o à tarde. Claro que eu não poderia exigir solidariedade dela numa situação assim, não é?

E o que concluir?

A tecnologia Flash é extensamente — mesmo — utilizada para enriquecer páginas da web com animações, anúncios, vídeos, componentes, enfim, praticamente todo componente multimídia é feito com o suporte Flash. O problema é que não há alternativa: se uma página foi feita com Flash, então o plugin deve ser instalado.

O HTML5 usado no YouTube é um exemplo de alternativa ao Flash, porém, perceba que é necessário acessar outro site específico e nem todos os vídeos são compatíveis. Não é o caso de poder acessar a mesma página em plataformas diferentes. A guerra dessas tecnologias ainda está no começo, e o HTML5 vai precisar comer muito arroz e feijão para ganhar espaço.

Se é possível sobreviver sem Flash? Claro que sim. Mas você vai se encher de tantas vezes que vai topar com o aviso da necessidade do plugin. Sorte sua se você conseguir se acostumar com vários desses quadradinhos chatos! E esqueça vídeos, música, complementos, etc. E então, topa?

Depois de concluir este texto, instalo o Flash com muito gosto e muito mais respeito. É aquela história: com ele instalado, você mal percebe que ele existe. Mas experimente retirá-lo para constatar como ele vai fazer questão de lembrar você que ele é necessário.

Esperamos que tenham gostado dessa brincadeira. E vocês me deem licença que tenho uma lista enorme de vídeos no YouTube para acessar!