Na abertura da Copa do Mundo de 2014, sediada aqui no Brasil, acontecia um dos momentos mais importantes da história da ciência: o pontapé inicial dado pelo brasileiro Juliano Pinto portando o exoesqueleto desenvolvido pelo neurocientista Miguel Nicolelis. Mesmo tendo aparecido apenas dois segundos na tela, o traje permitiu que Juliano pudesse dar alguns passos usando somente a atividade cerebral para comandar o equipamento.

Agora, mais um projeto, também desenvolvido por uma brasileira, chega para dar à muitas pessoas paraplégicas a esperança de voltar a andar. Trata-se de um exoesqueleto criado pela neuroengenheira paranaense Michele de Souza e uma equipe multidisciplinar formada por engenheiros e desenvolvedores.

A estrutura robótica levou anos para ficar pronta e só começou a ser testada em pacientes há cinco anos, quando foram concluídos testes principais em laboratório. O primeiro a experimentar o traje foi Alisson Maximiano Conceição, que perdeu os movimentos das pernas em um acidente de moto. Também foi preciso bastante tempo de preparação até que Alisson usasse o aparelho.

"Quando você fica de pé, o pulmão incha, você consegue respirar. Parece que você não tem limites de novo", disse Alisson. O vídeo completo pode ser visualizado no site do G1.

A peça usada por Alisson ainda não está completamente montada, mas já possui o colete central (carenagem) e controles na muleta; faltam ainda os motores, a bateria e alguns componentes que já foram encaminhados ao laboratório de robótica, onde o modelo final do exoesqueleto está sendo feito. Além disso, foi adicionado ao aparelho um sistema de comandos por voz, que será incluso na versão comercial do dispositivo.

De acordo com a equipe, as primeiras unidades devem ser fabricadas como pilotos para ajustar alguns detalhes, mas a ideia é que o maior número de pessoas tenha acesso ao exoesqueleto para que, no futuro, o preço do equipamento seja o mesmo de uma cadeira de rodas. "Esses pilotos vão ser liberados para venda. São pilotos que vão sair completos para o dia a dia, mas esses usuários vão passar para a gente como ainda poderia ficar melhor", explicou Michele.

Além do exoesqueleto, Michele e sua equipe pretendem compartilhar com universidades e outros cientistas o projeto de uma placa inteligente que pode ser a base para próteses corporais. A placa permite que aparelhos possam ser controlados por sinais emitidos pelo cérebro.

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