(Fonte da imagem: Reprodução/ImgFlip)

“Rede social”, uma expressão que significa exatamente o que ela quer dizer: uma rede de pessoas que podem interagir socialmente sobre os mais diversos temas. E não adianta dizer que você é “antissocial”, pois se isso fosse verdade você não participaria de sete grupos sobre o tema no Facebook. Mas o que isso tem a ver com o título do Erro dessa semana? Nada! Pedimos desculpas por isso.

Voltando ao tema, as redes sociais — e diversos outros sites da internet — são locais em que muitas pessoas conseguem debater sobre questões de relevância social, sobre técnicas ninjas de saltos ornamentais, sobre futebol e até mesmo sobre a existência de joelhos nos pinguins. Mas sempre existem aqueles debatedores que passam da conta na hora de discutir e acabam ofendendo a tudo e a todos.

Você deve conhecer alguém desse tipo — se não conhece, pode ser que todos os seus amigos conheçam, se é que você nos entende! Mas é claro que eles não fazem parte de um grupo indivisível cheio de dogmas e práticas comuns. Eles podem ser facilmente colocados em diversos grupos. E é sobre essas divisões que nós vamos falar hoje, aqui no artigo Erro 404 da semana.

O superculto

— O que você achou deste suco de laranja?

— Assim como as canções poéticas de Camões, esta receita me lembra dos tempos em que estudei Direito em Coimbra. As notas doces remetem ao longínquo tempo em que pude sorver das frutas envolto por macios campos de trigo. Quanto ao gelo, espero não me exaltar ao dizer, mas ele me faz voltar ao passado e reviver aquelas odes estupendas de Shakespeare em homenagem às donzelas imaculadas!

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Poderia ser a eliminação de algum reality show por aí, mas é só uma pessoa que não sabe a hora de ser culta. Pois é! É muito bom ter conhecimento, mas nós precisamos saber a hora certa de utilizá-lo — afinal de contas, ser sábio também é uma virtude que exige paciência e tato para o tempo de cada fala. Caso contrário, há chances imensuráveis de você parecer pedante — e mais do que esta última frase.

Aquele diálogo que colocamos acima é apenas um exemplo simples do que pode acontecer. Pessoas supercultas nos debates do Facebook acabam sendo ainda mais chatas. Você pergunta sobre o Corinthians e ela cita Machado de Assis. Pergunta sobre a saúde da sogra e recebe um tratado de Paulo Coelho. Se lembra de uma história da infância e descobre que os cientistas de Harvard descobriram a cura para a frieira.

 “Não sei do que se trata, mas quero debater”

Se você estiver conversando sobre política com um amigo e outra pessoa chegar perto para conversar, há duas possibilidades. A primeira é a de que essa nova pessoa se integre à conversa, com argumentos relevantes e vários pontos a serem abordados. A segunda é ela não entender muito sobre o assunto e ficar apenas observando. Mas na internet existe uma outra possibilidade.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Atrás de um computador e com acesso à internet, o “debatedor profissional” pode se armar com argumentos encontrados rapidamente no maior motor de busca de todos os tempos: o Google. Então não importa se essa pessoa não faz a mínima ideia do que está acontecendo, porque ela pode pesquisar na internet. Vai dizer que você nunca fez isso na sua vida?

Mas é claro que o universo conspira contra esse tipo de pessoa, por isso há grandes chances de ocorrer algo muito irônico. Algo como o Google falhar ou o primeiro resultado ser um link para a Desciclopédia. E é aí que o debatedor perde pontos! Mas, se você não quer fazer parte desse grupo, nós separamos algumas das respostas prontas que podem ser encontradas com mais facilidade, segundo uma pesquisa feita em todo o Brasil.

  • Sobre futebol: eu realmente penso que esse time é muito inferior ao de 1997. O problema é que o orçamento mais baixo impossibilita o diretor de conseguir melhorar muito o elenco.
  • Sobre video game: eu realmente penso que esses gráficos evoluíram bastante em relação à geração anterior, mas ainda há muito o que melhorar. Os títulos também precisam de mais desafios.
  • Sobre música: eu realmente penso que esse disco novo mostra uma evolução na arte. Por outro lado, penso que os fãs mereciam uma linearidade.
  • Sobre este artigo: eu realmente penso que o Erro 404 é muito legal. Inclusive, eu realmente penso que o de hoje está especialmente agradável.
  • Sobre política: eu realmente penso que as coisas estão mudando, ao mesmo tempo em que estão estagnadas. O Brasil pode evoluir, regredir ou ficar como está, tudo depende do futuro.

O desbocado

“Quem perde a calma perde a razão!” A frase que sua avó dizia quando você brigava com seu irmãozinho na mesa do almoço de domingo é muito mais verdadeira do que muita gente imagina. Há momentos em que temos vontade de abandonar qualquer argumento racional e partir para a ignorância. Mas nós precisamos controlar isso para não levar as coisas para níveis mais violentos.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

O problema é que, enquanto muitos se controlam na hora em que bate o anseio de berrar alguns impropérios, há aqueles não passam vontade. E é assim que nós vemos os debates mais sérios do Facebook se tornando verdadeiros campos de guerra. Ofensas pessoais e familiares são apenas um pouco do que pode acontecer! Você imagina sobre o que estamos falando? Então confira uma lista de ofensas que podem ser usadas por debatedores amadores.

  • Sobre futebol: seu time é tão ruim que até a equipe sub-7 do Juventude de Taguatinga consegue vencê-lo.
  • Sobre video game: você é tão burro nesse jogo que o modo “Hard” veio com um aviso para você chamar seus pais antes de começar a chorar por não conseguir passar do menu inicial.
  • Sobre música: você entende tão pouco de música que ouve chiados na caixa de som e já começa a achar que é um instrumento inovador do Skrillex.
  • Sobre este artigo: o redator desse artigo é tão burro que decidiu dar dica de como ofendê-lo nos comentários com este texto que não faz sentido, e, se eu copiei, é porque eu sou um bobão!
  • Sobre política: você é tão burro que vota no candidato que tem a gravata mais bonita!

AQUELE QUE USA CAPSLOCK PARA TUDO

Qualquer um dos seguintes temas: religião, mercado, política, tecnologia, saúde, nutrição, geografia, física, história do Egito, fisiologia dos golfinhos, cartografia da Pangeia, química dos vulcões ou Flappy Bird. Todos esses temas! Todos eles, mesmo... Não existe nenhuma exceção! Todos esses assuntos merecem respeito, e COMENTÁRIOS EM CAIXA ALTA FAZEM TUDO FICAR RUIM.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Há quem diga que frases extensas em letras maiúsculas dão a impressão de que a pessoa está gritando. Também há quem afirme que a caixa alta causa poluição visual. Mas a grande verdade é que, para 86,78% das pessoas — aponta estudo —, os comentários desse tipo fazem parecer que o escritor digitou batendo a testa no teclado. Dessa forma, não sobra muita credibilidade para essas pessoas.

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Atenção: este artigo faz parte do quadro "Erro 404", publicado semanalmente no Baixaki e Tecmundo com o objetivo de trazer um texto divertido aos leitores do site. Algumas das informações publicadas aqui são fictícias, ou seja, não correspondem à realidade.

Ilustrações por: Andre Tachibana

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