Esta é a primeira vez que eu escrevo sobre isso e eu espero que seja a última. Estive por muito tempo longe desse mundo virtual e jamais imaginei que ele pudesse fazer tanta falta na minha vida. Nunca fui do tipo que sai de casa sem os devidos cuidados, mas uma distração fez com que tudo isso acontecesse. Foi um erro bobo, mas os resultados foram horríveis.

O que eu fiz? Bem... Eu me esqueci de carregar a bateria do meu smartphone. E só percebi quando já estava dentro do ônibus, sentado e pronto para ouvir minhas músicas favoritas. Você consegue imaginar como foi cruel passar todo aquele tempo sem uma conexãozinha? Pois vou relatar com detalhes como foi enfrentar todo esse tempo desconectado.

A infernal viagem sem música

Como eu disse anteriormente, só fui perceber que estava sem bateria quando quis ouvir minhas músicas. Conectei o fone de ouvido ao aparelho e apertei o botão que seria referente ao acendimento da tela. Tela preta. Pressionei o botão novamente. Tela preta. Pensei em arrancar os cabelos que ainda restam — calvície prematura detected —, mas havia uma esperança.

Dançando sem música! Cada louco com sua mania! (Fonte da imagem: iStock)

“Quem sabe eu só tenha desligado o celular sem querer”, pensei. Tentei ligar o aparelho e fui surpreendido com a imagem mais triste que um ser humano pode encarar quando está no ônibus. Era mais brutal que o Baraka fatiando a Jade. Mais triste do que um filme de cachorrinho. Mais amargo do que o café da cantina da faculdade. Aquele símbolo de “sem bateria” ainda reflete na minha mente.

Foi então que eu comecei a perceber que as outras pessoas no ônibus gostam de falar... E falam muito alto. O que eu fiz para merecer isso? Tem dois homens discutindo sobre futebol do meu lado e o meu ponto ainda está muito longe. Eu só queria uma musiquinha, “MAS NÃO ESSA QUE VOCÊ ESTÁ OUVINDO AÍ NO FUNDO DO BUSÃO, CARA! COLOCA UM FONE”.

Faculdade desconectada

Depois da difícil tarefa de sobreviver ao ônibus, cheguei na faculdade e pensei em tomar um café. Paguei tudo no cartão de débito, mas não fazia ideia de quanto dinheiro ainda restava na minha conta — estagiário, sabe como é, né? —, por isso fui acessar o app do banco para verificar meu saldo. Sem bateria no celular... Como é que eu vou acessar esse app? É claro que eu não vou.

Saudades de quando a bateria durava uma semana? (Fonte da imagem: iStock)

Vida sem bateria é vida sem conexão. E como não podia mandar uma mensagem no WhatsApp para meus amigos, achei melhor subir até a sala de aula. Matéria copiada e o professor falando alguma coisa que eu não consigo entender. Eu só conseguia pensar em uma questão (acho que todos já passaram por isso): “Por que eu decidi me matricular em ‘Tendências Históricas do Comportamento das Cabras do Tibet e a Influência nos Países Ocidentais’?”

Se eu tivesse bateria no celular, poderia estar jogando Candy Crush ou lendo sobre o lançamento do Xbox One no Tecmundo. Poderia fazer muitas coisas, mas não faço ideia do que vai ser do meu dia sem o smartphone. Para piorar a situação, nenhum dos amigos levou o carregador na mochila. Pensei seriamente que se tratava de um complô do universo contra mim.

Hora do estágio

Quando estamos no primeiro ano da faculdade e encontramos um “estágio remunerado”, podemos pensar que é a glória eterna. É claro que estamos errados. Passo seis horas por dia carregando garrafas de café entre um departamento e outro, arrumando pilhas de documentos e pensando em como minha vida se parece com um filme do Tim Burton.

(Fonte da imagem: iStock)

O pior é que eu nem ao menos podia utilizar meu smartphone para dar uma conferida no Facebook ou no Instagram. Sem bateria. Sem bateria. Sem bateria. Essa frase ainda ecoa na minha mente. Ok, eu devia estar lá para trabalhar, mas tem momentos de ócio em que eu poderia cutucar uma certa amiga da faculdade, sabe? Ou dar um “like” na foto dela. “Vai que tem alguém fazendo isso enquanto eu estou aqui, isolado do mundo!”

Respirar fundo foi preciso. Eu já estava naquele lugar há muito tempo e em breve seria hora de ir embora. Olhei no relógio e meus olhos lacrimejaram porque faltavam só cinco minutos. Era sair de lá e ir para casa. Meu carregador estaria me esperando ao lado da cama. E lá também tem o computador. E tudo o que eu preciso! É só encarar o ônibus de volta.

Chegar em casa. Ainda não é o fim

Depois desse sofrido dia, só imaginava o carregador unindo a energia elétrica ao celular, ao mesmo tempo em que eu atualizaria tudo o que pudesse nas redes sociais. Eu já estava até feliz, mas aí percebi que não tinha luz no bairro. Duas horas depois tudo voltou ao normal. E assim chega ao fim o triste relato de um homem sem bateria.

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Atenção: este artigo faz parte do quadro "Erro 404", publicado semanalmente no Baixaki e Tecmundo com o objetivo de trazer um texto divertido aos leitores do site. Algumas das informações publicadas aqui são fictícias, ou seja, não correspondem à realidade. 

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