“Você dá valor à tecnologia?” Foi isso que ouviu um jovem que acordou sem saber onde estava. Após alguns segundos tentando identificar o local, descobriu que havia mais alguém com ele naquela sala escura. Percebeu que suas mãos, amarradas atrás do corpo, estavam presas a outros três jovens, igualmente assustados.

Uma luz se acendeu e eles viram que estavam em uma sala sem nenhum aparelho eletrônico. Foi naquele momento que o desespero tomou conta de todos. A voz que outrora havia sido ouvida novamente ecoou pelo ambiente.

“Vocês deram tapas nos monitores, xingaram suas conexões, humilharam adversários em jogos online e traumatizaram amigos com vídeos insanos. Agora está na hora de saber se vocês dão valor à tecnologia! Ou ela se vingará!”. E risadas foram ouvidas. Os quatro se debateram um pouco, mas conseguiram se soltar e seguiram para uma outra sala.

Pro Evolution Choque

Logo que chegaram à segunda sala daquela prisão, perceberam que havia um video game ligado. Um dos jovens, Raul (aficionado por jogos) ficou animado e pensou que talvez aquilo não fosse realmente um problema. Ledo engano. Não demorou até que a voz voltasse para falar: “Você está preparado para uma partidinha?”.

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O gamer mal pensou e já aceitou o desafio. Jogador assíduo de FIFA em seu XBOX, pensou que não haveria chance de perder aquela partida. O que ele não sabia é que aquela voz já tinha conhecimento da fama de Raul e preparou uma armadilha. Em questão de instantes, o XBOX foi retirado e um PlayStation 3 com Pro Evolution Soccer apareceu. Para piorar, ele percebeu que estava preso em uma cadeira elétrica. As regras da partida eram bem simples:

  • Você vai disputar uma partida de Pro Evolution Choque;
  • A cada vez que xingar o juiz, uma descarga elétrica será ativada;
  • Gols sofridos geram o dobro da potência na descarga;
  • Você só poderá escolher os times da segunda divisão da Romênia;
  • O adversário utilizará o Barcelona;
  • Ele é campeão mundial de PES.

Raul estava com muito medo, mas não deixou isso aparecer. Pelo menos até descobrir que o jogo havia sido adulterado para que o árbitro só marcasse faltas e impedimentos a favor do adversário. Os palavrões vinham sem ele controlar e os choques foram ficando cada vez mais poderosos.

Ao final do primeiro tempo, o placar já estava dominado e Raul mal conseguia mexer os dedos. Tamanha era a dor que sentia após levar tantos choques. A voz voltou e perguntou: “Você aprendeu a não humilhar seus oponentes? Tenho certeza que jamais voltará a fazer com que eles se sintam inferiores depois das partidas!”. E alguns homens mascarados surgiram para levar o estupefato gamer embora.

Nunca mais reclame da sua internet!

Seguindo pelos cômodos daquela casa obscura, acabaram se perdendo. Márcio, outro dos rapazes, ficou sozinho e de repente viu que estava em uma sala com um computador. Logo pensou em atualizar seu status no Facebook para “Perdido em uma casa estranha com pessoas malucas querendo me matar”, mas achou que era melhor não assustar ninguém.

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Respirou um pouco e pensou em várias coisas que poderia fazer naquele momento. Foi surpreendido por um sistema automatizado de presilhas que o prendeu em uma cadeira. Como se isso já não fosse ruim o bastante, percebeu que uma gigante serra estava se aproximando de sua cabeça lentamente, para deixá-lo ainda mais agoniado.

A única forma de desativar a serra é instalando um aplicativo para isso. O problema é que o arquivo possui 1 GB e a conexão disponível naquele computador era discada. A voz voltou e contou para Márcio que aquele era o castigo que ele sofreria por rir de todos os seus amigos que não podiam pagar por conexões de 50 Mbps como a dele.

Aquele download realizado em velocidades que beiravam os 2 KB/s estava deixando o prisioneiro desesperado. “O que fazer agora? Não existe como correr! É meu fim!”. Ele finalmente gritou: “Por favor! Alguém me tira daqui? Eu prometo nunca mais esnobar as outras pessoas que possuem a internet mais lenta que a minha! Prometo liberar o sinal da minha Wi-Fi para todos no prédio!”.

Com isso, convenceu a voz a liberá-lo. A serra parou de girar e logo as pernas de Márcio foram soltas. Com elas tremendo de medo, conseguiu se arrastar até uma porta secreta, logo abaixo de um sinal luminoso de “Saída de Emergência”. Foi correndo para casa e logo colocou em prática todas as suas promessas.

Spoilers malditos

Não existe ninguém no mundo que goste mais de séries do que Adam, o terceiro jovem. O problema é que também não existe ninguém no mundo que consiga soltar mais spoilers (o final ou pontos cruciais de uma história que os outros ainda não viram) do que ele. Isso é bastante irritante, ainda mais para quem acompanha todos os capítulos desde a primeira temporada.

E foi exatamente por isso que a voz o levou até uma sala muito peculiar. Desta vez, não havia nenhum tipo de algema ou presilhas para impedir que o garoto fugisse. Mas as portas estavam trancadas e, por todos os lados, só era possível enxergar caixas de som. Ganchos apareceram sem explicações e puxaram suas orelhas para que elas ficassem ainda mais abertas.

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Você consegue adivinhar o que era tocado nelas? Acertou quem falou “spoilers”. Adam não sabia como aquilo poderia ser tão ruim, afinal de contas, para ele, falar sobre séries era a melhor atividade que um ser humano poderia ter. Nem mesmo os piores inimigos dele gostariam de ver aquele rosto amargurado, com ouvidos sangrando e lágrimas escorrendo pelos olhos.

Foram cerca de 30 minutos de frases como: “O Jacob é assassinado pelo falso Locke”, “A Penny dormiu com o Raj” e “O Ross vai atrás da Rachel no aeroporto e eles ficam juntos!”. Aquilo foi demais para Adam. Ele até pensou em pedir perdão por todos os spoilers que contou em sua vida, mas quando ouviu “Clark Kent vira o Superman no final de Smallville!”, não aguentou. Adam nunca mais foi visto.

O quarto do arco-íris

Ainda existe um último integrante na aventura: Henrique. Sabe qual era o pecado tecnológico dele? Enviar TODOS OS VÍDEOS de gatinhos fofos que encontrava na internet, para TODOS OS AMIGOS. E o pior é que fazia isso por MSN, Orkut, Facebook, Twitter e até mesmo por emails. Não havia um dia sem LOL Cats ou “novas versões” de Nyan Cat (para sua segurança, não clique aqui).

E isso era só o começo. Ele também adorava enviar vídeo em looping infinito, como os famosos Look at My Horse, Loituma e Ten Hours of What is Love. Depois de passadas algumas horas, quando as pessoas finalmente conseguiam esquecer-se da canção, chegava Henrique e gritava: “What is Love! Baby, don’t hurt me!”. Alguém tinha de pará-lo.

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Assim agiu a voz. Henrique foi preso por homens mascarados e ficou com os olhos presos por ganchos, em uma técnica inspirada no filme “Laranja Mecânica”. Enquanto os mascarados colocavam colírio em seus olhos, o jovem era obrigado a assistir àqueles milhões de gatos brincando com novelos de lã, filhotes rolando com bebês e pandas espirrando.

Ele tentou se controlar (e tentou muito), mas chegou um momento em que já não havia mais como se conter. Assim que o Keyboard Cat entrou em cena, Henrique começou a vomitar arco-íris e não conseguia mais parar. Foram minutos de explosão colorida, até que desmaiou. Os mascarados o levaram para fora da sala e ele também nunca mais foi visto.

De quem era a voz?

Todos devem estar se perguntando: “De quem era a voz por trás daquelas caixas de som?”. Você se lembra de JigSaw, o vilão de Jogos Mortais? Não, não era ele. Mas era alguém que se inspirou nele: um fã de Vitinho sou F#)@, que se autoproclamou DigDinSaw. Ele cansou de ver as pessoas sofrendo nas mãos de trolls da internet e programou uma mansão para acabar com o cyberbullying.

Depois que as histórias sobre o ocorrido se espalharam, as ridicularizações por vitórias em jogos online, ofensas referentes à velocidade da internet e proliferação de vídeos virais foram reduzidas em 80%. Todos temem ser as próximas vítimas do cruel DigDinSaw. Você dá valor à tecnologia?

Atenção: este artigo faz parte do quadro "Erro 404", publicado semanalmente no Baixaki e Tecmundo com o objetivo de trazer um texto divertido aos leitores do site. Algumas das informações publicadas aqui são fictícias, ou seja, não correspondem à realidade.

Ilustrações por: Nick Mancini

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