Ah, meus netinhos! Na minha época, as coisas não eram fáceis assim. Para ir à escola, eu precisava andar de ônibus, pelo menos meia hora espremido como sardinha em uma lata, só para aprender a lição do dia. Hoje vocês têm esse tal de ensino à distância, com professores holográficos.

Sem falar nesse dispositivo maluco que vocês chamam de celular intraneural. Quando eu era mais jovem, os adolescentes queriam colocar piercings e fazer tatuagens, não integrar telefones móveis com o sistema nervoso central do corpo. Quem é que garante que isso não faz mal?

Vocês tinham que ver os video games daquela época, com controles cheios de botões, conectados por meio de um cabo ao console. Alguns eram wireless e possuíam indicadores luminosos feitos com LED, algo que vocês não chegaram a conhecer. Nunca imaginaríamos que os jogos de hoje interpretariam ondas cerebrais para mover o personagem.

Mas, sentem aí. Graças aos avanços científicos no retardamento do envelhecimento, pude presenciar muitos acontecimentos. Contarei algumas historiazinhas, para vocês terem uma ideia de como era o mundo antigamente.

A primeira vez online

Túnel do tempo: modem para slot ISA (Fonte da imagem: Wikipedia)

Lembro como se fosse hoje. Cheguei feliz em casa, com uma placa enorme que chamavam de modem. Depois de instalá-la no computador, pluguei o cabo do telefone nela e cliquei no botão “Conectar”. Vocês tinham que ouvir o barulho que aquilo fazia. Era música para os nossos ouvidos!

A emoção de digitar a primeira URL no navegador e ver a página ser carregada aos poucos. Aquilo era demais! Hoje é tudo muito rápido, nem dá para curtir a renderização. Sem falar que, na minha época, nós não podíamos ficar conectados o dia todo, não. Esperávamos os horários em que o pulso do telefone era mais barato. Se nossos pais se assustassem com o valor da conta telefônica, nossa diversão seria cortada. A vida era dura, crianças.

A namoradinha virtual

O que eu mais gostava era de ficar nas salas de bate-papo, conhecendo pessoas de lugares distantes, brincando com joguinhos online e, claro, flertando com as garotas. No alto dos meus 13 anos de idade, comecei a conversar com uma menina muito bacana, cujo nome eu ainda não sei. Mas me lembro do apelido dela no chat: Sininho15.

Na época não tinha webcam, não podíamos conversar com vídeo, assistindo um ao outro. As câmeras digitais também não eram muito populares e, por azar, scanners eram pouco comuns.

Cansei de digitalizar fotografias e enviar por email para a Sininho15, mas nunca recebi uma foto dela. Apesar de nunca termos nos encontrado, batíamos altos papos sobre música e trocávamos links do que mais tarde viria a ser conhecido como “meme da internet”.

O dia em que enfrentei o valentão. Na internet.

Às vezes, a escola era um ambiente um pouco hostil. Além de termos que tirar notas boas, manter o uniforme sempre impecável e parecer bem aos olhos das meninas, tínhamos que conviver com o que chamavam de bullying. Esse foi o nome que deram às perseguições que os “diferentes” sofriam.

Sempre fui um pouco nerd e, por isso, usava a biblioteca e o laboratório de informática como esconderijo. Valentões nunca apareciam nesses lugares. Porém, descobri que eles marcavam presença em um fórum na internet.

Lá, os valentões contavam suas histórias, dando risada de gente como nós. Foi então que resolvi reagir. Por meios que não vou revelar, consegui a senha de um deles. A partir daí, me diverti como nunca. Postava mensagens ridicularizando o que eles faziam e dizendo que eles até podiam nos bater, mas que nunca conseguiriam atingir a nossa inteligência. A notícia se espalhou e não demorou muito até que tirassem o fórum do ar. Foi “épico”, para usar uma gíria daquela época.

Aluguel de filmes

Hoje é tudo muito fácil. Vocês pegam quatro, cinco filmes por semana na internet. E nem sempre pagam por isso! Na minha época, existiam comércios especializados no aluguel de DVDs e discos de Blu-ray, mídias óticas que hoje estão obsoletas.

Imaginem vocês que cada filme alugado tinha um prazo de devolução, de 24 ou 48 horas. Se o cliente atrasasse essa entrega, por qualquer motivo, tinha que pagar uma diária extra como multa.

Hoje vocês compram tudo pela internet, não precisam devolver nem sair de casa. Saber que ainda tem gente que reclama na hora de baixar codecs. Vocês não sabem o que é sofrer!

Celular era só para falar!

Vocês precisavam ver a cara do meu pai quando ele apareceu em casa com o primeiro modelo de telefone celular disponível no Brasil. Se fosse alaranjado, aquilo poderia ser facilmente confundido com um tijolo. Era enorme, a bateria não durava muito, o minuto falado era muito caro e, como se não bastasse, tinha apenas duas funções: fazer e receber ligações telefônicas.

Hoje, esses celulares de vocês são verdadeiros computadores em miniaturas. Tiram fotos, enviam e recebem emails, são usados para navegar na internet e até para brincar com aquele joguinho esquisito, dos pássaros-bombas.

A febre dos “Orkontros”

Poucas invenções tomaram o tempo da minha juventude quanto o Orkut. No começo, era difícil explicar para que aquilo servia, mas com o passar dos dias nos acostumamos com o conceito de redes sociais.

Mas o divertido mesmo eram os tais “Orkontros”, ou seja, os encontros organizados pela galera que participava do Orkut. Nunca conheci tanta gente nova em tão pouco tempo. Tive que criar uns três perfis na rede, pois os anteriores atingiram rapidamente o número máximo de contatos permitidos.

Bons tempos aqueles em que eu passava horas “trollando” em comunidades e rindo dos scraps com bebezinhos que oravam pela chegada da sexta-feira.  Sem falar nos “testimonials” que usávamos para trocar mensagens em particular. Aqueles eram bons tempos.

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Atenção: este artigo faz parte do quadro "Erro 404", publicado semanalmente no Baixaki e Tecmundo com o objetivo de trazer um texto divertido aos leitores do site. Algumas das informações publicadas aqui são fictícias, ou seja, não correspondem à realidade.

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