É inegável a forte influência da tecnologia em nosso cotidiano. Você já parou para pensar na quantidade de aparelhos eletrônicos que usamos durante o dia? São computadores, smartphones, televisores, câmeras digitais, video games, DVD players, localizadores GPS, entre muitos outros gadgtes.

Toda essa parafernália tem o objetivo de nos manter melhor informados e tornar nossas vidas mais práticas e divertidas. Entretanto, em meio a tantos botões, mecanismo de configuração, recursos de navegação, telas sensíveis ao toque e conteúdos com maior resolução e interação, como uma atividade pode ficar mais simples?

Com tantos dispositivos à nossa disposição, sem qualquer dúvida, temos maior facilidade para encontrar informações e formas de entretenimento. Por outro lado, para ver o que está passando em todos os canais da TV ou assistir a um filme, por exemplo, nós gastamos mais tempo que nossos pais e avós.

Vamos analisar alguns casos práticos para elucidar melhor esse cenário, que a cada dia ganha mais ferramentas, recursos e demora.

Na frente da “telinha”

Passado

A televisão é, por enquanto, a ferramenta de entretenimento mais usada pelas pessoas. Quem teve a oportunidade de acompanhar os primórdios da popularização dessa tecnologia, inventada no século passado, jamais imaginou que poderia acessar a internet, executar músicas armazenadas no celular e assistir a cenas que transcendem as três dimensões pela TV.

Todavia, não precisamos voltar muito no tempo para ver que aquelas velhas caixas pesadas tinham alguma vantagem. Antigamente, bastava conectar o cabo da antena no televisor e utilizar o controle remoto para pular os canais (sem qualquer atraso na troca) e acompanhar o que estava passando em cada uma das 15 emissoras.

Na época, a pessoa chegava em casa, ligava a televisão e passava por todos os canais pressionando os botões da TV ou do controle remoto, em um cenário mais recente.

Tempo estimado para passar todos os canais: 3 minutos.

Hoje

Atualmente, esse contexto é completamente diferente. Os aparelhos ocupam menos espaço e são mais bonitos. Porém, o tempo para achar a programação que desejamos é bem maior. Ao sentar no sofá, você liga o televisor. Ativa o receptor da TV a cabo. Aciona o amplificador de áudio. A cada canal é preciso esperar de 1 a 3 segundos para o carregamento do conteúdo.

Cansado de tanto pressionar o mesmo botão, você acessa o guia de programação para ver o que está passando nos mais de 300 canais disponíveis. Você nem começou a assistir ao que queria e já se passaram quase 10 minutos!

Tempo para encontrar um programa interessante: 10 minutos.

Pipoca gelada

Passado

Década de 80. Fim de semana chuvoso. Nada melhor para passar o tempo do que assistir a um bom filme comendo pipoca (estourada na panela) e tomando um refrigerante. Você vai até a locadora do bairro e escolhe um título bacana na seção “lançamentos”, mas que saiu de cartaz dos cinemas há mais de três meses.

Reunida a família na sala, você insere a fita VHS no aparelho, aperta o play e pronto! Após uma breve introdução com a divulgação da produtora, o filme começa a ser exibido para o deleite de todos.

Tempo para começar a assistir ao filme em VHS: 2 minutos.

Hoje

Como todos sabemos, na atualidade esse processo é um pouco mais prolongado. Começando pela dificuldade em reunir toda a família: é a mãe que não larga o telefone, o filho que não desliga o video game e a filha que não para de bater papo nos chats da internet.

Depois de muito sacrifício e todos dispostos a curtir o filme que deixou de ser exibido nos cinemas na semana retrasada, você liga o player e coloca o Blu-ray. Logo de cara, aparece a mensagem que o carregamento do conteúdo pode levar até três minutos. Em seguida, é exibida a campanha contra a pirataria e algumas advertências sobre a reprodução da mídia. Você se lembrou de ajustar o volume do home theater? Então o faça!

Quando você acha que o filme vai começar, iniciam-se os trailers das sete produções que serão lançadas no próximo semestre. O que é pior: você não pode pulá-los, apenas avançar a execução rapidamente. Enfim, você acessa o menu principal. Após definir o idioma de áudio e legenda, finalmente, chegou a hora de pressionar “Iniciar” e assistir ao tão esperado título.

Infelizmente, nesse momento, a pipoca (feita no micro-ondas) está fria e você já bebeu metade do copo de refrigerante. Dedo no botão de pausa para requentar o aperitivo e completar o recipiente da bebida.

Tempo para acessar o menu principal do filme: 8 minutos, se você não assistir aos trailers na íntegra.

Localização geográfica

Passado

O ano é 1992. Você está viajando com seu Escort branco 1.8 para a casa de parentes no interior. Em certo momento do trajeto, uma breve falha na memória deixa você com sérias dúvidas de qual caminho seguir em determinada bifurcação.

Nada de pânico. Você não está perdido. O mapa, que sempre está no porta-luvas ocupando quase todo o espaço do compartimento, o auxilia no esclarecimento do percurso. Se você possuir um guia completo, tudo fica ainda mais fácil. Com o catálogo aberto no índice, bastam alguns minutos para localizar a cidade em que você está e descobrir qual a direção correta.

Tempo médio para descobrir a rota: 3 minutos e meio.

Hoje

Quase 20 anos mais tarde, dificilmente você vai encontrar mapas físicos nos carros. A moda agora é o GPS. Comparar as dimensões e a beleza desse gadget com as centenas de páginas dos guias é covardia. Entretanto, alguns detalhes nesses dispositivos eletrônicos de localização podem tornar uma viagem um tanto quanto confusa.

O primeiro ponto a ser observado é: sempre confira se você está levando o cabo para o carregamento do aparelho. Em percursos longos, a bateria pode não durar no caminho de volta.

Assim que você liga o GPS, é preciso esperar o sistema operacional ser carregado. Finalizado tal processo, o próximo passo é encontrar a ferramenta da localização e navegação em meio à rádio FM/AM, o recurso de armazenamento de documentos, o receptor de TV digital, o acervo de fotos, entre outras funcionalidades – as quais você pode usufruir em outros gadgets.

(Fonte da imagem: Wikimedia Commons/Autor Paul Vlaar)

Acessada a função primordial do localizador, você precisa torcer para que o sinal do GPS, informando onde você está, seja encontrado rapidamente pelos satélites do serviço implementado no dispositivo. Depois de tanto tempo, e o provável desespero, o aparelho exibe a rota a ser percorrida.

Tempo estimado para acionar o localizador: de 7 a 10 minutos.

Meia-lua para frente e soco

Passado

Os video games fazem parte da vida de crianças e adolescentes há muitas décadas. Um dos consoles que teve muito sucesso nos anos 90 foi o Super Nintendo. O aparelho utilizava fitas como mídia de armazenamento dos jogos, as quais, em caso de mau funcionamento, exigiam apenas alguns métodos de limpeza simples e baratos.

(Fonte da imagem: Wikimedia Commons/Autor Evan-Amos)

Vamos acompanhar o procedimento básico para jogar neste dispositivo:

1º passo: insira o cartucho no console;

2º passo: pressione o botão “Power” no video game;

3º passo: aperte o botão “Start” no controle incessantemente, pulando todas as introduções;

4º passo: clique no botão ou link para começar a jogar.

Tempo para iniciar o game: entre 2 e 4 minutos.

Hoje

Por sua vez, um dos consoles com maior popularidade nos últimos anos é o PlayStation 3. O aparelho da Sony é considerado por muitos como o video game com melhor reprodução de imagens e efeitos visuais, apesar do alto custo dos jogos – os quais usam o Blu-ray como mídia de reprodução.

Confira o procedimento, nem tão básico assim, para jogar no PS3:

1º passo: ligue o console;

2º passo: aguarde o carregamento do sistema;

3º passo: insira o Blu-ray;

4º passo: aguarde a instalação ou a atualização do game;

5º passo: espere o loading do jogo;

6º passo: configure o brilho e a posição da tela;

7º passo: selecione o modo de jogo;

8º passo: em caso de games online, escolha o servidor;

9º passo: aguarde a conexão;

10º passo: aproveite o jogo.

Tempo aproximado para começar a jogar: de 18 a 25 minutos.

Cadê a tecla “Del”?

Passado

Quem tem menos de 18 anos, possivelmente, nunca teve contato com uma máquina de datilografia, ou máquina datilográfica. Para aqueles que não fazem a menor ideia do que estamos falando, esse instrumento secular dotado de teclas mecânicas, uma fita com tinta e dispositivos para a inserção do papel serve para escrever.

Com tal aparelho, bastava colocar o papel e começar a digitar o texto. Em vez de acompanhar a digitação em uma tela, como fazemos hoje, tal verificação era feita diretamente no papel. Não era preciso imprimir, pois o documento ficava pronto assim que o texto fosse terminado.

A falta de energia elétrica não era uma desculpa plausível para dar à professora por ter deixado de fazer a tarefa de casa. Entretanto, era bom evitar erros de gramática, pois consertar qualquer letra era bem complicado.

Tempo para terminar a tarefa de casa: 5 minutos.

Hoje

No atual cenário das tecnologias, não utilizamos nada parecido com tal descrição. Agora, o computador é nosso companheiro inseparável. Seja para navegar pela internet, ouvir música, assistir a vídeos e, inclusive, para escrever.

Contudo, o tempo necessário para ter um texto pronto em mão é um tanto quanto demasiado. Antes de tudo, é preciso ligar o PC e aguardar o carregamento do sistema operacional, que dependendo da configuração de hardware pode levar alguns minutos.

Depois disso, você acessa o editor de texto e o executa. Mais alguns segundos de espera. Chegou a hora de explorar sua criatividade e a agilidade dos seus dedos. A ajuda do corretor ortográfico e da tecla delete seria muito bem-vinda nas máquinas de datilografia.

Trabalho concluído? Ainda não. Faltou você enviar sua produção para a impressão. Aí é essencial que você tenha se lembrado de trocar os cartuchos de tinta da impressora e que a energia não acabe nesse momento.

Tempo para ligar o PC, digitar e imprimir: no mínimo, 15 minutos.

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Atenção: este artigo faz parte do quadro "Erro 404", publicado semanalmente no Baixaki e Tecmundo com o objetivo de trazer um texto divertido aos leitores do site. Algumas das informações publicadas aqui são fictícias, ou seja, não remetem à realidade.

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