A decisão histórica dos eleitores britânicos de deixar a União Europeia, bloco do qual fazia parte desde 1973 e que congrega 28 países, irá trazer consequências sérias para a indústria de cinema e televisão.

Um dos aspectos mais relevantes que será impactado por esse decisão do referendo é que o Reino Unido deixará de receber apoio do fundo de desenvolvimento para a produção audiovisual da União Europeia (European Regional Development Fund), que financia a execução de trabalhos na região.

Com isso, muitas companhias não vão mais ganhar incentivo e suporte financeiro para atividades – ligadas ao cinema e à televisão – realizadas no Reino Unido.

A indústria cinematográfica sofrerá mais sem esse aporte, prejudicando a formação e a carreira de profissionais (na área de educação), além de afetar festivais, coproduções e distribuição de filmes entre a União Europeia e o Reino Unido.

A relação estremecida na região pode complicar também a questão de vistos e permissões de trabalho entre membros de equipe e elenco de produções audiovisuais – considerando que os talentos envolvidos na indústria são cada vez mais internacionais. Documentações específicas poderão ser requeridas para os profissionais na União Europeia e agora separadamente outras serão necessárias para o Reino Unido.

O modelo de produção e distribuição de séries de TV também deverá ser afetado. Canais da União Europeia têm uma cota obrigatória de transmissão de produções audiovisuais europeias – o que até agora incluía programas britânicos. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, as séries da BBC, por exemplo, deixam de aproveitar a demanda dessa janela de exibição, o que pode ter um efeito sobre os rendimentos financeiros das séries.

Há também uma repercussão imediata na indústria decorrente da incerteza sobre esses acordos e também na forma de expectativa sobre um impacto do referendo na economia mundial. Aos poucos, novas regulamentações deverão ser realizadas para ajustar a produção audiovisual da região, mas o momento é de cautela e apreensão – afinal, grandes negócios não serão fechados em tempos nebulosos.

Para exemplificar essa preocupação, muitos veículos estrangeiros chegaram a comentar que a saída do Reino Unido do bloco da União Europeia teria um impacto direto na produção das próximas temporadas de Game of Thrones – que supostamente perderia o aporte financeiro da European Regional Development Fund por rodar cenas (de Winterfell) na Irlanda do Norte (nação constituinte do Reino Unido).

Porém, como nota o site Deadline, Game of Thrones não utiliza mais esse fundo há cerca de duas temporadas. Em vez disso, a série da HBO tem o aporte específico da Irlanda do Norte (via Northern Ireland Screen e Invest NI), que não utiliza verba da European Regional Development Fund.

Para acalmar os fãs da série, a HBO soltou um comunicado informando que: “Não esperamos que o resultado do referendo da União Europeia tenha qualquer efeito material sobre a produção de Game Of Thrones”.

Porém, esse é apenas um caso, e a verdade é que a extensão das repercussões do resultado do referendo para a indústria de cinema e televisão é, em geral, ainda desconhecida.

Via Minha Série.

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