Em aproximadamente um mês, o Marrocos inaugurará a primeira parte da usina de energia solar de Ouarzazate. A etapa, batizada de Noor 1, contará com 500 mil painéis solares em forma de crescente espalhados em 800 fileiras através do deserto, que captarão energia solar para abastecer o país.

Cada espelho tem 12 metros de altura e transfere o calor recebido para uma tubulação de aço cheia de uma “solução termal sintética”. Essa espécie de óleo pode ser aquecida a até 393 graus centígrados e então despejada em tanques de areia de fundição, que retêm o calor por algumas horas, permitindo a geração de eletricidade mesmo durante as noites do país africano.

As etapas Noor 2 e Noor 3 devem ser inauguradas em 2017, e uma quarta fase do projeto deve ser lançada em 2020. Quando as quatro estiverem prontas, devem gerar cerca de 580 megawatts de potência, o bastante para abastecer 1 milhão de residências, e os painéis cobrirão uma área do deserto do Saara maior do que a capital do país, Rabat. O projeto, que custou US$ 9 bilhões (cerca de R$ 35,2 bilhões), tenta fazer com que o país diminua sua dependência energética de fontes externas.

Hoje o Marrocos importa 94% de sua energia, o que gera um grande impacto na economia do país. Os painéis instalados no deserto foram preparados para resistir às tempestades de areia que afligem a região. Eles também são mais caros do que as células fotovoltaicas normalmente usadas, pois podem continuar produzindo energia mesmo depois de o sol se pôr.

Com os investimentos feitos em energia eólica e hidroelétrica, mais o que for produzido pela usina de Ouarzazate, o país espera produzir metade de sua energia elétrica até 2020, e no futuro até mesmo exportar seu excedente para as nações vizinhas e para a Europa. Essa será então uma das maiores usinas de energia renovável do mundo, e, se tudo correr bem, pode abrir as portas para outras iniciativas semelhantes.

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