Se de um lado está a geração limpa e renovável de energia, de outro estão cerca de 6 mil pássaros mortos por incineração a cada ano. É essa a realidade que assola a usina solar de Ivanpah, em Mojave (Califórnia, EUA). A fatalidade acontece durante a caçada das aves por insetos, que rodeiam as três gigantescas e reluzentes torres de armazenamento de energia.

Este não é um problema isolado, pois centros de coleta de raios solares do mundo todo também fritam desde libélulas a pássaros pequenos todos os dias. “Estamos fazendo tudo o que podemos para reduzir o número de pássaros mortos”, diz David Knox, porta-voz da NRG Energy Inc., como informa o L.A Times.

Se não morrem, os pássaros são feridos e acabam virando comida de coiotes

Os pássaros, que levam o apelido de “serpentinas”, acabam morrendo quando voam perto demais dos painéis de coleta – além das torres, 13 km² são ainda recheados por imensos espelhos. O “espetáculo macabro” já tem até um nome: quando acontece a “Flâmula”, sessão na qual as aves são queimadas, tudo o que resta é um rastro de fumaça, que contrasta com o azul vivo do céu.

As aves são incineradas quando, à procura por insetos, voam perto demais das torres

Mas o que pode ser feito?

Para combater o efeito indesejado gerado pelos painéis solares, lâmpadas LED foram instaladas na fábrica. O objetivo é atrair menos insetos durante a noite, o que deve provocar a redução na quantidade de libélulas, por exemplo, que rodeiam as torres.

Um revestimento com cheiro irritante, derivado de um suco concentrado de uva, foi também colocado sobre as máquinas com a intenção de espantar os pássaros. “Esses meios de dissuasão são eficazes em meios comerciais. Será que eles funcionam em uma usina de energia solar? Estamos tentando descobrir”, explica ainda Knox.

Aves feridas, que acabam virando comida de coiotes, poderão ainda ganhar uma segunda chance: buracos com cerca de 8 polegadas de diâmetro, a 18 polegadas acima do chão, poderão ser feitos na cerca. Isso faria com que os pássaros pudessem escapar sem que o perímetro da usina fosse comprometido.

Impacto ambiental

“A usina de Ivanpah é uma ‘sugadora de pássaros’ – é um aviso sobre o que pode dar errado contado sobre terras públicas”, afirma Garry George, diretor do Audubon California, órgão dedicado à pesquisa de alternativas sustentáveis de energia. “Ela [a usina] continua funcionando como se houvesse um estoque infinito de pássaros”, diz.

A usina fica ainda no meio da rota de migração dos pássaros

Além de atrair insetos por causa do brilho, provocando a morte das aves, a usina está localizada em meio à rota de voo usada pelos pássaros que, durante a migração, voam em direção ao Pacífico.

O número estimado pelos biólogos de aves mortas a cada ano, porém, pode estar errado. De acordo com Amedee Bricky, representante do Programa de Migração de Peixes e de Animais Selvagens, serão necessários ao menos mais nove meses de coleta de dados para que a correta estimativa do total de fatalidades possa ser feita (saiba mais aqui, em inglês).