Os sistemas de energia limpa estão mais perto de receberem um aliado poderoso na coleta de recursos, expandindo a área de atuação de um velho conhecido do setor. Isso porque o projeto tocado por pesquisadores alemães está testando a instalação de torres eólicas em pleno mar, fazendo com que a energia gerada pelas ventoinhas seja armazenada em cilindros de ar comprimido a cerca de 100 metros de profundidade e a 200 metros da costa da cidade de Überlingen – pelo menos em seu protótipo atual, na escala de 1:10.

Chamados carinhosamente de “ovos marinhos” esses equipamentos servem tanto como armazenamento temporário para os moinhos tecnológicos quanto para gerar eletricidade a partir das correntes marítimas e da pressão da água na região próxima à praia. Como o dispositivo expele constantemente o líquido de dentro do aparelho, a energia é gerada na mesma cadência, conforme a água volta a inundar o espaço vazio dentro do cilindro passando por uma espécie de turbina.

O funcionamento é simples, mas muito engenhoso

Enquanto essa encarnação inicial do projeto deve ajudar a monitorar a eficiência do design, a facilidade de instalação e as opções de configuração das esferas, a ideia é que a próxima versão do sistema esteja na escala final da empreitada. O que isso significa na prática? “Bolinhas” de 30 metros de diâmetro posicionadas de 600 a 800 metros de profundidade – com esse número podendo ser ainda maior conforme as respostas obtidas durante os testes.

Potencializando a energia limpa

De acordo com Horst Schmidt-Böcking, professor da Universidade de Frankfurt e um dos criadores do StEnSea (Stored Energy in the Sea) – algo como “Energia Armazenada no Mar”, em uma tradução livre –, a expectativa é que os “ovos” consigam armazenar 20 MWh por unidade quando estiverem em sua forma final.

Com isso, espera-se que seja possível acumular mais de 893.000 MWh se o projeto for expandido em escala global. “Essa pode ser uma contribuição importante e econômica para compensar eventuais flutuações na geração de eletricidade a partir de fontes eólicas ou solares”, explica Jochen Bard, chefe do instituto de energia alemão(IWES).